14 août 2009
Chile 2 - Valparaíso
Cidade única no Chile e mesmo em todo o mundo, Valparaíso deslumbra-nos pela sua singularidade e pela sua estrutura, com contrastes intensos entre a zona portuária e baixa da cidade e os morros que a rodeiam. Em 2003 passou a ser património mundial da UNESCO e desde aí tem despertado muito interesse entre os Chilenos.
A cidade é uma mistura de Funchal com favela do Rio de Janeiro e um pouco de Bairro da Sé do Porto no sopé dos "Cerros". No entanto a semelhança com as favelas é apenas visual pois quando se entra verdadeiramente dentro destes bairros somos como que brindados com um património muito interessante com um sem fim de cores vivas e alegres.
Como já sou o segundo Bernardes (pelo menos que eu saiba) e pisar o solo de Valparaíso, sinto-me um pouco desresponsabilizado de fazer grandes descrições sobre a cidade... Ainda assim, posso sempre mostar o meu ponto de vista.
A parte baixa da cidade possui também um vasto património arquitectónico entre igrejas e palacetes, muitos deles utilizados agora para fins culturais.
Apesar de velha, toda a cidade é muito alegre e simpática.
Escondido entre dois antigos edifícios na Rua Esmeralda fica o Ascensor Concepción, um dos muitos ascensores bem velhinhos que a cidade possui e que vão transportando os residentes e turistas até aos vários morros.
Os ascensores são todos eles bastantes antigos e um pouco assustadores também por esse facto. Ainda assim alguns deles são grandes obras de engenharia.
Ao chegar ao Cerro Concepción o ambiente muda por completo. Os altos e grandes edifícios da baixa dão lugar ao típico casario dos bairros mais altos, com quase todas as casas pintadas de cores vivas e muitas também com desenhos artísticos.
Os Cerros são zonas onde a cultura impera e têm atraído ao longo dos tempos um grande número de artistas e pessoas ligadas às artes de todo o mundo. Entre eles destaca-se Pablo Neruda que passou algum tempo em La Sebastiana. Vários Paseos se podem fazer aqui como o Atkinson e o Yoguslavo percorrendo as estreitas e acidentadas ruas destas colinas.
A vista essa, sempre fabulosa!
Por entre bares, restaurantes e galerias de arte, vamos respirando este ambiente único que tanto tem inspirado os que por aqui se têm fixado. Famosos também os fios que cortam os ares destas ruas.
OMMMMMnipresente...
Um dos problemas que afecta a cidade e os morros, segundo os locais, é a segurança, pois segundo eles são necessárias algumas precauções. Ainda que não possa ser desprezados por completo, creio que esses avisos são um pouco exagerados, pois em nenhuma situação me senti inseguro. Subi e desci ruas, fui aos mais variados recantos com melhor ou pior aspecto, sempre sozinho e sem qualquer problema. A segurança é algo que também se sente, que conseguimos deduzir do ambiente que nos rodeia, e de facto estes morros não nos dão qualquer sentimento de insegurança.
Começo então a descer rumando de novo a El Plan, a zona baixa da cidade. Pela rua Urriola observo as interessantes e estreitíssimas ruelas de acesso a algumas zonas mais elevadas.
Em baixo, a Plaza Sotomayor com a imponente Comandancia Naval.
Seguindo para a Av Brasil temos também alguns edifícios bastante interessantes.
Viña del Mar
Como ainda me restava algum tempo livre, antes de apanhar o autocarro para o regresso a Santiago, decidi dar um saltinho a Viña del Mar, uma importante estância balnear situada paredes meias com Valparaíso. Para não perder muito tempo em viagem decido apanhar um taxi que me deixa na primera praia de Viña, a Caleta Abarca.
Rumando a norte passo numa bonita zona que em muito me faz lembrar a costa do Estoril. Sinto de repente uma sensação muito especial, de me sentir muito em casa. A paisagem faz-me lembrar muito Portugal, a arquitectura, a vegetação, o cheiro do mar e até o dia de Inverno muito solarengo bem ao estilo mediterrânico.
Um par de Kms depois chego ao centro de Viña del Mar que não é mais do que uma pura estância balnear bem ao estilo do sul de Espanha. As parecensas são enormes, até pela praia que não é nada de especial.
Era Domingo e é incrível a quantidade de pessoas que passeavam pela cidade. Em algumas ruas era mesmo impossível caminhar.
Apesar de algo agradável, a cidade não me cativou muito. É mais uma daquelas estâncias repletas de restaurantes, bares, casinos e milhões de apartamentos em pilha a espreitarem o mar.
O trânsito estava caótico e decidi então que não valia a pena pagar por um taxi que iria à mesma velocidade dos autocarros. Depois de mais uma sessão de adivinhação sobre onde param os autocarros, lá consegui apanhar o velhinho Bus que depois de uma competição escaldante com outro autocarro pelas estreitas ruas da cidade lá me deixou em Valparaíso. Mais uma caminhada em direcção à rodoviária local e depois de correr um pouco ainda consegui apanhar o autocarro para Santiago que deveria ter saído há 15 minutos...
Regresso então a Santiago, estafado e com mais uns bons Kms nas pernas...
10 août 2009
Chile 1 - Santiago
Ainda mal recomposto da viagem à Namíbia e já surgiu um pedido de suporte para um projecto no Chile de grande importância. Não posso recusar e ainda mais sendo um dos países que tinha em lista de espera.
Malas à pressa, pois mais uma vez foi tudo planeado com 3 dias de antecedência (mas bom, sempre foram 2 dias a mais do que para a Namíbia), e lá vim eu, com escala em S. Paulo e destino final Santiago. O vôo sai com um enorme atraso e claro, lá se vai o vôo de ligação. Mais 3 horas de espera em São Paulo para somar às 15h de viagem previstas...
Os primeiros dias foram dedicados exclusivamente ao projecto e não
houve qualquer possibilidade de conhecer a cidade com alguma excepção
para pequenos passeios pela zona onde estou. O primeiro impacto foi
muito positivo, a cidade está muito bem organizada, limpa e é bastante
simpática. As ruas vivem uma enorme animação a todas as horas. Gostei
dos espaços, das pessoas e da vida em si.
Ainda assim há coisas que me fazem lembrar que não estou na Europa. Uma delas, as minhas aventuras com o autocarro 117.
Os escritórios onde estou a trabalhar ficam na chamada Ciudad Empresarial,
um parque bastante grande de empresas a alguns Kms de onde estou a
residir. Por ser uma zona recente, os transportes públicos ainda não
estão bem adaptados e a rede de metro não chega lá.
No primeiro dia, na segunda-feira passada, tive a possibilidade de ir
com uma pessoa da empresa o que facilitou o acesso. Para o regresso,
aprendi com um colega que existia uma nova linha de autocarros a fazer
o trajecto entre a zona onde residimos e a zona onde trabalhamos, a
linha 117. Acabámos por vir juntos até à zona de Providência.
No dia seguinte, Terça, recorri ao taxi dado estar mais apertado de
tempo, e ainda não ter comprado o cartão recarregável para os bilhetes.
Até aí, tudo tranquilo para as viagens...
Na quarta adquiri então o cartão, já recarregado e decidi ir procurar a
paragem do 117. Rua abaixo, rua acima, algumas perpendiculares, e nada.
Em todas as paragens estão assinalados bastantes autocarros mas nada de
117. Acho estranho, ainda mais por vez alguns a subir a rua, no sentido
oposto ao que queria, mas nenhum a descer. Ao fim de mais de 30 minutos
de procura desisto e mais uma vez vou de taxi.
Falo com o meu colega e afinal o autocarro tem um trajecto circular, ou
seja, passa apenas num dos sentido que é o mesmo para ir e voltar...
Quinta feira, saio de casa e lá me dirijo para a rua no sentido oposto para procurar a paragem correspondente. Rua abaixo, rua acima e nenhuma menciona o 117. Arrisco numa delas, onde me pareceu ter saído num dos dias antes e lá fico à espera. Vem o 117, passa e não pára. Bolas, não é aqui. Mas bom, se não é aqui é na seguinte. Mudo-me para a paragem seguinte, a cerca de 100m. Espero mais uns 15 minutos e vem o próximo 117. Não pára mais uma vez. Acho estranho e desisto novamente. Não posso esperar mais 15 minutos... Taxi!!!
Nessa noite decorei então qual a paragem exacta onde desci, para que no dia seguinte não houvessem confusões. Afinal como a linha é nova não está referenciada em nenhuma das paragens. E lá fui eu na Sexta-feira para a tal paragem que havia decorado a pensar que há terceira seria de vez. Já não havia espaço para dúvidas. Vem o 117 e... Não pára! O condutor faz sinal que é mais acima. Estranho!!! Mas lá vou eu com outro passageiro que também pretendia apanhar o mesmo autocarro. Vejo o 117 a parar na próxima paragem mas já não vou a tempo e só me resta a hipótese de esperar pelo próximo... Cerca de 15 minutos depois lá surge ele no início da rua e... Parou na paragem onde eu estava antes... Para piorar, não parou na minha. Estão a gozar comigo! Afinal o problema não é de mim... Não posso esperar mais 15 minutos... De novo, Taxi!
Bom, a saga ainda não acabou, pois haverá mais um episódio amanhã...
Finda a semana, tenho então tempo para conhecer a cidade. Recorro ao guia do costume, faço um plano do que pretendo ver, e no sábado de manhã meto pernas ao caminho. A melhor forma para mim de conhecer as cidade é andando a pé e sentindo os sítios e as multidões. Evito por isso o recurso ao metro, pelo menos para ir até aos locais que pretendo, a poucos Kms de Providência. Na volta, já será uma hipótese.
Santiago é uma cidade com pouco para ver mas muito para viver. Não é uma cidade muito bonita nem repleta de edifícios de interesse, mas é uma cidade onde apetece estar, absorver e saborear os espaços, a cultura e as pessoas. É uma cidade enorme, com mais de 5 milhões de habitantes, mas muito à minha medida e ao meu género. Sou uma pessoa muito urbana, gosto de cidades grandes, com muita gente e de me sentir parte das grandes multidões. Gosto do corropio, da azáfama e da energia que estas cidade emanam...
Tenho sorte com o dia, que está bonito e que contrasta com os anteriores, mais escuros e mais frios.
Desço toda a Avenida Providência até chegar à grande praça Baquedano, início da Av. O'Higgins que me levará ao centro da cidade.
Bolas! Perdi este evento! :-)
A Av. O'Higgins é mais rica arquitectonicamente, e apresenta alguns edifícios mais interessantes.
Serpenteando pelas ruas do centro vão-se encontrando boas surpresas.
Paragem obrigatória é a Plaza de Armas, um ampla praça rodeada de bonitos edifícios dos quais se destaca a Catedral Metropolitana.
Ligeiramente a norte, mais alguns bonitos edifícios.
Ainda a Plaza de La Constitución com o Palácio La Moneda.
Não muito longe do centro fica o famoso bairro Bellavista, uma zona boémia e de concentração de artistas. Da Bellavista pode-se apanhar o assustador Funicular para o Terraza Bellavista e a Virgen de la Inmaculada Concepción, localizados no Cerro San Cristóbal e de onde se obtém uma vista fantástica sobre toda a cidade.
Agora digam lá que a vista do meu apartamento não é fantastica?





















































































































