15 avril 2009
China 2 - Macau
Apenas a 65Km a Oeste de Hong Kong fica a ex-colónia Portuguesa Macau, o primeiro enclave europeu em território Asiático.
A forma mais fácil de viajar entre estas duas cidades é através do velocíssimo Ferry que demora cerca de 1h a fazer todo o trajecto e que parte com intervalos bastante regulares, que chegam a ser de apenas 10 minutos nas horas de maior tráfego.
Manhã de Domingo de Páscoa, acordo cedo, pego na mochila e lá vou eu de encontro ao Macau Ferry Terminal na zona costeira de Honk Kong entre Central e Sheung Wan. Pouco mais de uma hora depois atracava em Macau.
Coincidência ou não (pois tudo tem a sua razão de ser), quando estava no aeroporto de Phnom Penh à espera do vôo para HK soou-me algo ao ouvido que me fez disparar o alarme interno da minha percepção. Isto é português! Ao direccionar o olhar para a origem de tão familiares palavras descubro que vêm de uma senhora que caminhava com a sua filha... Já não vou a tempo de dizer algo, pois caminhava para a fila do embarque. Já dentro do avião falei com este simpático casal, que eram mesmo portugueses e que vivem há uns anos em Macau, para onde se dirigiam após umas férias no Camboja. Já em Hong Kong foram companheiros de viajem até ao centro da cidade, trajecto esse que muito gentilmente aproveitaram para me fornecerem muitas e importantes dicas sobre Macau.
Uma das informações que os meus compatriotas me passaram foi que os Chinenses tanto de Macau como de HK não são muito simpácticos. Referiram também que a grande maioria dos taxistas em Macau não falam senão chinês, sendo apenas uma minoria os que falam inglês. Preparado para tal, ao entrar no taxi tentei ser o mais claro possível quanto ao meu destino, e em inglês pronunciei "Senate Square", o Largo do Leal Senado e o ponto de referência da cidade. O taxista arranca e lá diz qualquer coisa que eu entendi como: _ "Uót?" _ Repito a direcção ao que ele responde de forma agreste e nada gentil: _ "AH! SÉNÁDÓ!!!" _ Sim, isso...
O Largo do Leal Senado é uma pequena praça rodeada de bonitos edifícios coloniais e onde se localiza o antigo Senado, ou edifício do governo regional. A praça, toda ela de aparência tipicamente portuguesa, possui alguns dos mais bonitos edifícios da cidade e é toda ela pavimentada com calçada bem ao nosso estilo.
Ao fundo do largo, caminhando em direcção a norte, fica a Igreja de S. Domingos, com as suas características portas e janelas verdes.
Subindo uma das laterais do largo, a travessa de São Domingos, encontramos o Largo da Sé e a Catedral de Macau.
Descendo agora a travessa da Sé, e seguindo pela movimentada rua de São Domingos chegamos ao Consulado de Portugal, um grande e imponente edifício na esquina com a Calçada do Monte.
A Calçada do Monte é uma pequena artéria de fazer lembrar muitas das íngremes ruas de Lisboa.
No cimo da calçada fica a Fortaleza de São Paulo do Monte, uma fortificação construída entre 1617 e 1626 com o objectivo de proteger a cidade dos sucessivos ataques dos Holandeses.
É nesta fortaleza que está instalada a placa com que é inciada esta crónica.
Graças à sua previligiada localização, o forte dispõe de uma ampla e desafogada vista sobre a quase totalidade da cidade.
A fortaleza alberga também o muito interessante Museu de Macau, que possui temas desde a génese de Macau, as artes populares de tradições até à Macau contemporânea. O museu já me havia sido recomendado e é de facto bastante interessante e um dos pontos obrigatórios.
Uma escadaria na lateral do forte leva-nos até aquele que é o principal símbolo de Macau, as ruínas da Igreja de São Paulo. Actualmente apenas resta a fachada desta igreja do séc. XVII também conhecida em Cantonês como Tai Sam Ba.
Descendo a Calçada de S. Paulo somos presenteados com uma infinidade de lojas de souvenirs e várias pastelarias com doces típicos de Macau e um destaque especial para os nossos pastéis de nata.
Através da Rua Central temos acesso a mais alguns pontos de grande interesse, como a Igreja de S. Agostinho e o Teatro Dom Pedro V.
A continuação da rua entra directamente na Rua de São Lourenço, onde fica localizada a igreja com o mesmo nome.
Não muito longe fica o Largo do Lilau, um pequeno e romântico largo que possui um bonito e tradicional quiosque e uma fonte, que segundo diz a tradição, quem beber da sua água vai voltar um dia a Macau. Não é que não queira voltar, mas prezo muito a minha saúde...
Mesmo ao lado a Calçada do Lilau, uma pequena ruela de aspecto tipicamente português, e um pouco mais abaixo o edifício da Polícia Marítima que resultou do restauro de uns antigos pavilhões do séc. XIX.
Deixando a tradicional Macau parti também à descoberta da área mais recente e moderna. O crescimento de Macau tem sido impressionante, muito impulsionado pelo jogo e pelos inúmeros casinos que a cidade possui.
Entrando na área dos casinos, com ambos os Casinos Lisboa, o antigo e o novo, uma gigantesca e altíssima torre de gosto um tanto ou quanto duvidoso...
A Avenida da Amizade é o o grande polo do jogo, onde se localizam a grande maioria dos casinos.
Ao fundo, e na zona junto ao cais é possível observar a Ponte da Amizade, com destino à ilha de Taipa.
E já que estamos na Las Vegas da Ásia...
Outro dos ponto fortes de Macau é a sua cozinha, fortemente impulsionada pela presença portuguesa. Existe também um grande número de restaurantes portugueses espalhados um pouco por toda a cidade.
Coincidência dentro da coincidência foi o facto de o casal de portugueses que encontrei me ter recomendado um restaurante português de um rapaz de Alcobaça?! Disparou o segundo alarme... Alcobaça? Bom, então tenho mesmo de lá ir... Um conterrâneo! Assim sendo, e à hora de almoço lá me dirigi eu ao restaurante Ou Mun Café na Travessa de São Domingos mesmo junto ao Senado. Nada melhor para o meu almoço do dia de Páscoa que uma Perna de Cabrito no Forno, bem saborosa e que serviu para matar saudades da cozinha portuguesa. Recomendo! No final lá conheci o Alcobacense/Beneditense Fernando Marques que se encontra em Macau à cerca de 10 anos a gerir este simpático café restaurante.
Ao contrário de Hong Kong, não trazia quaisquer espectativas em relação a Macau. Tinha alguma curiosidade pelos motivos históricos mas não fazia qualquer ideia de como seria a cidade. Talvez por isso que a surpresa tenha sido maior. Macau surpreendeu-me muito pela positiva! É uma cidade bastante interessante, com uma componente histórica significativa, pelo menos comparando com as outras cidades da região, e que exerce um fascínio especial por ter tanto de Portugal num continente tão lingínquo e no seio de uma cultura tão diferente. As ruas em calçada, os edifícios coloniais, os fortes, faróis e principalmente o facto de tudo estar escrito em Português e Cantonês fazem com que seja um lugar muito especial para qualquer português.
Foi-me também feita uma grande revelação nesta cidade que poderá pôr em estado de choque toda a comunidade Cristã e que vai certamente levar a grandes guerras e discussões no interior da igreja.
Tive de vir para o oriente para que me fosse feita esta revelação!
Algo que será difícil de assumir... Algo que levará à histeria milhões de fiéis... Algo que poderá mudar o mundo!!!
A revelação?! Foi-me revelado que... Jesus Cristo é Chinês!!!
14 avril 2009
China 1 - Hong Kong
A visita à cidade de Hong Kong era uma das paixões antigas, um dos sonhos que pacientemente aguardava por uma oportunidade para se converter em realidade e assim saciar este desejo recalcado de visitar uma das mais importantes urbes do mundo. O ano novo Khmer concedeu-me alguns dias de folga e mal me cheirou a oportunidade corri logo em direcção à agência de viagens. Afinal são pouco mais de duas horas de viagem, algo insignificante para uma cidade que nos é tão remota.
Enganem-se aqueles que pensam que a cidade decaíu após a passagem para a alçada da enorme e controversa China. A cidade está mais viva e cresce mais que nunca, conquistanto espaço ao mar e aos céus sem nunca perder o seu encanto e brilhantismo. Uma cidade de obras, dinâmica, de grandeza e acima de tudo de sensuais contrastes que vão dos verdejantes montes à cidade e ao mar, do moderno ao mais tradicional chinês, dos diferentes cheiros que varrem as ruas e sobretudo do multi-culturalismo que aqui desfila e se sente parte deste moderno quotidiano.
A cidade, com quase 7 milhões de habitantes, está dividida entre a ilha de Hong Kong, mais rica, mais moderna e cosmopolita, e a parte continental, Kowloon, mais tradicional, ainda que tenha vindo a sofrer um rápido desenvolvimento nos últimos anos e se tenho começado a afirmar como o grande polo cultural da cidade.
Fiquei alojado na ilha de HK. Perto do metro, dos ferries, do comboio expresso para o aeroporto e de todas as facilidades e pontos turisticos. O centro não é grande e dá para visitar quase tudo a pé. Lá vou eu, pela Queen's Road de mochila às costas e a olhar para cima... Aqui tudo é em altura e quase que fiquei com um torcicolo.
Primeiro ponto de paragem, a Catedral de St John's bem no coração da Central, o coração da cidade. Sina a minha, estava em obras...
Não muito longe, alguns dos edifícios mais emblemáticos da cidade, com o Bank of China como destaque.
A Oeste do famoso edifício fica o agradável Hong Kong Park, uma das muitas áreas verdes da cidade e que inclui algumas atracções como um aviário, com várias espécies de aves, o Museu do Chá e um Centro de Artes.
Verdadeiramente impressionante toda esta grandeza em tão pouco espaço, numa densidade vertiginosa, mesmo encosta acima. Cada metro quadrado é aproveitado ao máximo e nada é desaproveitado.
Mesmo ao lado, a zona de Admiralty, um complemento à zona de serviços e também com algumas boas zonas de restauração e diversão.
A oeste da zona Central, fica a mais tradicional Sheung Wan, conhecida pelas suas pequenas lojas de venda de produtos tradicionais chineses e pelos vários mercados, sendo o mais conhecido o Western Market.
A meio do passeio pelo bairro descobri por acaso o Hollywood Road Park, um pequeno parque bem ao estilo oriental onde muitos chineses praticavam as mais diversas actividades, incluíndo a que se vê a seguir a ser praticada por aquele senhor.
Não muito longe os templos de Kwun Yam e Man Mo.
Passando para o lado de Kowloon parece que entramos noutra cidade. Com uma arquitectura bastante diferente, bem mais clássica, e uma vida também bem mais tradicional. Aqui imperam os mercados e o comércio tradicional chinês, também com maiores enchentes.
Em Kowloon fica também o templo de Tin Hau, com os seus peculiares incensos em espiral pendurados no tecto e que lhe conferem uma atmosfera muito especial.
O mais fabuloso nesta parte da cidade é mesmo a zona ribeirinha, com vista para a ilha de HK e o seu Passeio das Estrelas.
A vista é absolutamente fantástica, e só foi pena não estar um dia mais claro...
Dado o esplendor do local, fiquei algum tempo a apreciar a vista e a beleza da cidade até que algo de estranho se passou. Duas raparigas e um homem um pouco mais velho que elas aproximaram-se e uma delas perguntou-me se podia tirar uma fotografia. Prontamente respondi que sim e eis que quando vou para fazer o gesto de pegar na máquina, ela se afasta e me faz um gesto para me afastar. Inocentemente pensei que queriam que lhes tirasse a foto, mas no fundo a rapariga queria era tirar uma foto comigo. Mais estranho, o facto de o homem me fazer sinal para me juntar mais a ela... Bom, lá tirámos a respectiva fotografia, e quando lhes perguntei se me podiam tirar uma a mim, com a minha máquina, de novo a rapariga se colocou ao meu lado. Lá ganhei uma amiga!
Caricato foi o facto de a cena se ter repetido... Será que sou um Sex Symbol na China?! Não que me desagrade por completo...
Com o caír da noite a paisagem fica ainda mais espectacular. Os edifícios enchem-se de luz e de cor. A magia apodera-se da cidade e não conseguimos ficar indiferentes. Maravilhoso só pensava. Maravilhoso!
Às 8h da noite em ponto iniciou-se o que se considera o maior espectáculo de luz permanente do mundo, o Symphony of Lights. Ficam os franceses contentes por ser uma das suas atracções a Torre Eiffel piscar de hora a hora. Pois bem, estes chineses conseguem pôr uma cidade inteira a dançar ao ritmo da música com um espectáculo de luz, laser e som absolutamente fantástico. Encontrei no youtube um vídeo com este espectáculo. A qualidade de imagem não é a melhor, mas dá para ter uma ideia. Não esquecer que são tudo edifícios de várias dezenas de andares. O vídeo não consegue transmitir a grandeza do espectáculo em termos da sua real dimensão...
Outro ponto obrigatório na cidade de HK é o The Peak, o pico de um dos montes nas traseiras da cidade encantada. O acesso é feito através de um eléctrico que sobe com uma inclinação considerável, que chega por vezes aos 45º e que serpenteia através de escarpas verticais e assustadoras. No topo, um edifício bem moderno que alberga a estação do eléctrico, um centro comercial e um grande terraço com uma das mais fabulosas vistas do planeta.
E vamos a elas...
A versão melhorada com um tipo super bonzão...
E agora deliciem-se!
Não há palavras...
Hong Kong é uma cidade verdadeiramente fantástica e especial. É certo que tenho muita admiração por este tipo de metrópoles, por este tipo de estrutura, e esta cidade correspondeu em tudo ao que dela esperava e idealizava. Jamais esquecerei os momentos aqui passados, os passeios através das longas caminhadas que fiz e que me deram cabo no canastro. Mas essa é sem dúvida e melhor forma de conhecer.
Uma cidade moderna, com um conceito bastante diferente do conceito europeu de cidade e que por vezes se pode tornar um pouco confuso para nós. Habitada por gente também moderna, sofisticada e com uma maneira muito feliz de estar na vida. Dá-se muito valor à moda e ao vestir bem e de facto todos possuem bonitas farpelas de extremo bom gosto. Esta é uma das capitais da moda sem dúvida.
À noite a oferta é muita e variada. Vários são os locais que se enchem de gente, em especial Kowloon e Lan Kwai Fong. Preferi este último e é para mim uma das melhores noites que se podem encontrar. Ruas cheias, de gente bonita e bares de grande qualidade. De fazer lembrar um pouco o bairro alto, talvez com mais requinte.
Tudo isto, sempre na companhia destes meus companheiros inseparáveis destas mini-férias:
Falta um, o mais especial, "A Sombra do Vento" de Carlos Ruiz Zafón, um livro que recomendo vivamente a todos e cujo conteúdo devorei durante estes dias nas pequenas pausas que ia fazendo.
Hong Kong é uma cidade maravilhosa e super completa, onde se pode encontrar absolutamente tudo. E se alguém duvida?
28 mars 2009
Camboja 8 - Desfile Tini Tinou
Inserido no Festival Internacional de Circo no Camboja, decorreu hoje nas ruas de Phnom Penh um desfile de artistas circenses bastante engraçado. Com um estilo muito próprio, o desfile da Tini Tinou encheu as ruas da cidade de muita cor e alegria.
Muita música, malabaristas e criatividade animaram esta tarde de Sábado. Nada melhor que um pequeno vídeo para transmitir esta alegria.
21 mars 2009
Camboja 7 - Siem Reap / Aldeia Flutuante
Aproveitando a "boleia" para Siem Reap de dois colegas portugueses que vieram ao Camboja para uma pequena missão, e que pretendiam visitar os templos de Angkor, decidi regressar à segunda cidade do Camboja desta vez não para uma visita aos templos mas sim para conhecer a "Floating Village" ou Aldeia Flutuante.
Mais uma jornada de 6 horas de autocarro até Siem Reap, a grande urbe do noroeste do país, para depois apanhar uma motoreta que me levaria até às imediações do Tonlé Sap, que em Cambojano quer dizer "o grande rio". De motoreta foram mais uns 30 minutos até ao Camboja profundo. Aqui tudo é diferente de Phnom Penh ou mesmo do centro de Siem Reap. As casas são pequenos abrigos em madeira e elevadas para evitar a monção. As crianças brincam nuas na rua e usam pequenas garrafas plasticas espalmadas como carrinhos que puxam com um pequeno cordel. Também na rua as mulheres cozinham e preparam as refeições em pequenas fogueiras alimentadas pelos galhos que colhem nos pequenos bosques das imediações. Os maridos dedicam-se à pesca ou ao cultivo de arroz nos vastos e verdejantes campos que se estendem para lá das modestas habitações que ladeiam a estrada.
Aqui não há electricidade, esgotos e água canalizada. Não há certos bens considerados de primeira necessidade pela nossa cultura ocidental mas há, ainda assim algo fundamental. A felicidade e os sorrisos na cara das pessoas!
O entrar na aldeia é acompanhado de um cheiro fétido resultante dos despejos feitos nos pequenos charcos que ainda restam da época das chuvas e dos lixos que se acumulam um pouco por todo o lado. Mais à frente outro cheiro toma conta desta poeirenta atmosfera, um cheiro que me é familiar e que indica que cheguei ao destino. Cheira à antiga Lota da Nazaré, cheira a peixe, pois é aqui que são feitas as descargas dos pescadores e é tratado o produto da pesca.
É também neste local que é feito o acesso ao lago Tonlé Sap através de um canal de água bem barrenta que resulta da agitação provocada pelas dezenas de barcos que aqui passam.
Apanho o meu barco, cujo bilhete já havia comprado durante o caminho num pequeno posto criado para o efeito e lá vou eu...
No canal, são já muitas as edificações flutuantes que preenchem as suas margens e alguns os pescadores que se aventuram na procura de algum pescado.
Percorrido o canal, entramos finalmente no Tonlé Sap, o grande lago e avistamos ao fundo a tão desejada aldeia flutuante.
Trata-se de uma aldeia construída por emigrantes Vietnamitas e constituída por pequenas habitações flutuantes na margem norte do lago Tonlé Sap. A aldeia é bastante completa e possui supermercados, restaurantes e escolas, tudo sob plataformas flutuantes. Nada melhor do que uma fotografia aérea da aldeia para se conseguir ter uma melhor noção, como esta que retirei da famosa ferramenta Google Earth.
O lago Tonlé Sap é um dos maiores ecosistemas do mundo, dado tratar-se do maior lago de água doce da Ásia e possuir a maior concentração de peixe conhecida. Estas fantásticas características garantiram-lhe o estatuto de Biosfera da Unesco em 1997. Cerca de 75% do peixe pescado no Camboja provém deste lago cujo nível varia cerca de 8m entre a estação seca e a estação das chuvas.
Não é portanto de admirar quais as razões que levaram tantos emigrantes a fixarem-se nestas águas.
Aqui as ruas, os passeios e os jardins são as águas barrentas do lago. Toda e qualquer necessidade de locomoção depende du uso de pequenas embarcações. Os animais são também criados em pequenas "jaulas" flutuantes.
Outra actividade existente nesta aldeia é a da criação de crocodilos, em jaulas que mantêm submersas. Dos crocodilos aproveitam a carne, também servida nos restaurantes da aldeia, e a pele, muito utilizada em calçado e acessórios como malas e carteiras.
Eu pessoalmente não me admiro que com alguma falta de cuidado, algo perfeitamente normal nestas bandas, de vez em quando deixem fugir um destes bichinhos para o lago...
Em algumas das casas flutuantes é possível assistir ao trabalho dos pescadores a remendarem as redes.
Finda a visita, é tempo de voltar a Siem Reap. A motoreta lá estava à minha espera e em 30 poeirentos minutos lá estava eu no coração da cidade, que ainda poderia visitar com alguma calma.
Em termos de atracções turísticas não há muito que se possa visitar em Siem Reap. A cidade vive essecialmente dos Templos de Angkor e é um dormitório para os milhares de turistas que visitam os templos. Para além de uma fantástica vida nocturna e do interessante mercado Psar Chaa, onde se pode encontrar de tudo um pouco a bons preços, com especial incidência nas sedas e souvenirs, os visitantes não têm muito mais por onde escolher.
A meio do segundo dia, é hora de voltar à rodoviária de Siem Reap, desta vez de Tuk-Tuk.
Tempo ainda para fotografar a estação de autocarros local.
E mais 6 horas de viagem até Phnom Penh...
Camboja 6 - Casamento da Phally
Sempre considerei que há diferenças entre visitar um país e viver num país, ou seja, entre ir a um determinado local de férias ou para uma estadia prolongada. Falo por experiência própria, pois em todos os países onde estive, há muitos detalhes, muitas realidades, sobre os quais só nos apercebemos após algum tempo. Por exemplo, normalmente, as primeiras semanas são sempre tempos do fascínio, da novidade e da descoberta. Passando a barreira das 4 semanas começamos realmente a viver o país e é aí que começam a ressaltar os problemas, as dificuldades e nos apercebemos de alguns aspectos negativos da sociedade onde estamos inseridos.
Como normalmente as pessoas apenas passam poucas semanas de férias noutros países, é muito raro tomarem consciência dos verdadeiros problemas que os assolam. É por isto que o Portuga também tem aquela falsa ilusão de que lá fora tudo é bom, pois nunca ficam tempo suficiente para ultrapassar esta barreira da fase do encanto.
Isto a propósito de algumas experiências interessantes que podemos ter aquando destas inserções nestes "novos" mundos. Foi um desses momentos especiais que vivi esta semana, ao estar presente na festa de casamento da minha colega Phally. Um convite que decidi aceitar não tanto pela nossa relação pessoal mas mais pelo facto de se tratar da possibilidade de assistir a uma festa deste género na cultura Khmer.
A Phally é a nossa secretária na Alcatel-Lucent Camboja e é talvez a Cambojana mais bonita e simpática que conheci. Para ser sincero, é das poucas Cambojanas bonitas que aqui existem...
As festas de casamento locais são no fundo uma reunião de familiares e amigos num grande jantar, normalmente em grandes restaurantes que existem para o efeito, e onde é feito um pequeno ritual para celebrar o especial momento de união. Por tradição, a noiva pode trocar de vestido 8 ou mais vezes durante a festa, consoante o nível social da família. Isto, num evento que dura poucas horas... A Phally decidiu fugir à regra e segundo as minhas contas usou apenas 4. E não foi pelo facto de pertencer a uma classe baixa, antes pelo contrário.
A ementa foi muito variada desde as várias entradas aos pratos principais. Especial destaque para uma das entradas com um aspecto tipo "noodles" ( massas chinesas ), que só após eu ter terminado me disseram do que se tratava verdadeiramente. Não eram "noodles" mas sim pele de porco...
Mas era bom...
Quanto ao restante, tudo deliciosas iguarias locais.
No final, espaço para as tradicionais danças sempre em torno de uma mesa cuidadosamente ornamentada.
Ainda toda a comitiva Alcateliana.
Com tudo isto, creio que tornei a Phally na noiva Cambojana mais famosa em Portugal ( ainda que sem direito a revistas cor-de-rosa ) e eu no primeiro português a assistir a um casamento Cambojano?! Como os meus netos vão ficar orgulhosos de mim...
02 mars 2009
Tailândia 6 - Bangkok, O Regresso!
Creio que nunca tinha feito nada assim... Em cerca de 24 horas estive em 2 continentes e 4 países, com visitas às respectivas capitais.
A saga começou ontem, em Lisboa, ponto de partida para este meu regresso ao SE Asiático. 11h da manhã, levanto vôo rumo a Paris, a próxima escala, e onde tenho de esperar cerca de 6h pelo próximo vôo. Muito tempo para ficar à espera num aeroporto, ainda mais em Charles de Gaule... Decido apanhar um combóio e ir a Paris. Meto-me no RER B e lá vou eu. Após 30 minutos a atravessar bairros de Índios entramos finalmente em Paris. Atravessamos aquela larga fronteira que divide os dois mundos, o subúrbio da cidade, o pobre e o rico, o feio e o bonito, o sujo e o limpo, lá está a Périph, a larga circular que abraço toda a cidade de Paris. Talvez tenha exagerado um pouco, mas são dois mundos completamente diferentes.
Alguns minutos depois uma pagarem na Gare du Nord, mais alguns minutos e a paragem em Châtelet, o coração da cidade e o meu destino. Deixo a estação do metro/RER e atravesso o Forum Les Halles. Ainda mais Índios, muita polícia e um ambiente tenso no ar... Decido subir à superfície e passear um pouco. Mais Índios e... Putain! Será que me enganei no avião e vim para o Magrebe?! C'est le bordel!!! Mas não, a silhueta colorida ao fundo não engana. É mesmo o Georges Pompidou!
Um grupo de teatro de rua anima os trauseuntes na grande praça frente a este imponente espaço cultural. Um grande aglomerado de gente assiste e diverte-se. Isto é Paris... O tempo não permite e continuo o meu passeio. Sigo para Sul até ao Sena, olha a Torre Eiffel, caminho um pouco pela margem e direcciono-me então de novo para a zona de Châtelet. Ainda há tempo para comer alguma coisa e regresso ao aeroporto.
Uma das coisas que aprendi, foi que no aeroporto de Charles de Gaule tudo pode acontecer. Eu classifico-o como o aeroporto do terror, pois nunca sabemos o que nos espera... Posto isto, decidi regressar com alguma antecedência para evitar que qualquer imprevisto pusesse em risco a minha próxima viagem.
E lá está, ao chegar duas filas gigantes para mostrar os passaportes, uma para os portadores de passaporte europeu, outra para os restantes. Um funcionário encaminhava os viajantes para a respectiva fila. A espera foi longa, e mais à frente, surpresa das surpresas, as filas juntam-se e os funcionários que verificam os passaportes são os mesmos para as duas filas. Mais um funcionário para escolher à vez de ambas as filas... Organização à francesa...
Passada a longa espera para a verificação dos passaportes, vem a longa espera para os Raios-X. Tira portátil, tira cinto, moedinhas e telemóveis... Arruma portátil, põe o cinto, moedinhas e telemóveis no bolso... Mas já estou dentro! Alguma espera, e lá vou eu para Bangkok...
Fiquei contente ao ver que cada um dos lugares no avião possuía o seu próprio ecrã. Mais contente ainda quando vi que podíamos escolher vários filmes e séries para ver na viagem, incluíndo algumas novidades. Tento um filme, não está disponível. Tento outro, não está disponível. Tento as séries, e sou presenteado com a mensagem de que o vídeo on-demand está no limite de utilização de não pode ser mais utilizado. Boa! Os franceses, mestres da inovação!
Depois de uma noite a bordo, chego finalmente a Bangkok, às 12h locais. Uma nova e longa escala me espera, e porque não ir a Bangkok?!
Faço primeiro o check-in para Phnom Penh, pois pela primeira vez, numa viagem não me conseguiram fazer o check-in para todos os vôos no início. A Air France diz que este último vôo por ser de outra companhia tem um sistema diferente, ainda insisti que aquando da viagem do Camboja para Portugal conseguiram fazer, voltam a referir o sistema diferente... E assim tenho de fazer novo check-in para a última viagem. Algum tempo perdido a "apalpar" o esquema e lá percebi onde e como...
Apanho um taxi e lá vou eu, numa larga e florida auto-estrada rumo ao centro. Com o aproximar, começo a identificar os lugares e os edifícios. Lá está a Bayoke Tower, o edifício mais alto de Bangkok, ali à esquerda a zona da Sukumvit, o Emporium, a Ocean Tower II onde trabalhei... Uma súbita e intensa sensação nostálgica apoderou-se de mim. Recordo os bons tempos em que aqui vivi, os excelentes e mágicos momentos que cá passei. Foi quase à 7 anos... Parece que foi ontem... Esta cidade é muito especial para mim e desperta-me sempre grandes sentimentos de saudade. Vejo e revejo os edifícios, com um brilhozinho especial nos olhos. Estou aqui, estou de volta... A lagriminha fica no canto do olho...
Dirigi-me para Siam, uma das zonas comerciais e início da Sukumvit. É a área que mais me é familiar e que mais gostaria de rever.
Noto algumas diferenças... Uns prédios a mais aqui, uns shoppings ali, mas sobretudo há algo que mudou e muito para melhor, a poluição. Conseguiram que, e em especial os autocarros, deixassem de emitir aquelas gigantescas baforadas de fumo.
Tempo ainda para apanhar o Skytrain e ir para Phrom Phong, a minha antiga área de redidência. Uma visita ao Emporium e a caminhada até Asoke.
E ficou-se por aqui esta curta visita à cidade de Bangkok. Há que regressar ao aeroporto para novo embarque rumo a Phnom Penh.
Apesar de rápida a visita, acabou por se tornar em algo muito mais sentimental, mais até do que esperava. Bangkok é uma cidade vibrante, única e com uma vida inigualável. É um local onde as sensações e os sentimentos são mais fortes e intensos e talvez por isso se criem estes laços tão fortes. Foi bom voltar, foi bom rever, e mais uma vez: Até breve!
Novo embarque, mais uma viagem, a última de todas e a mais curta. Já estou em Phnom Penh, ponto de destino desta grande cruzada.
10 février 2009
Camboja 5 - Sihanoukville; Porque há fins de semana assim!
Costuma-se dizer que "quem vai para o mar, avia-se me terra!". Pois bem, agora que chegou a altura de ir ao mar é que tomei consciencia da quantidade de coisas que ficaram para trás, em terras lusitanas. Faltam os calções de banho, chinelos de praia/sandálias, equipamento de snorkling e o marine pack para a máquina fotográfica. Se a falta de uns se consegue remediar, já a de outros não é assim tão simples, e em especial os calções de banho. Durante a semana ainda visitei algumas lojas de desporto à procura de calções que fossem minimamente ao meu gosto. Difícil a escolha... Os únicos que considerei aceitáveis não existiam claro, para o meu tamanho. O máximo era o tamanho normal Cambojano ou seja "S". Segui então o conselho de procurar melhor em Sihanoukville, sempre é uma cidade na costa e deve estar melhor apetrechada com uma oferta mais alargada.
Sábado de manhã, lá me levantei bem cedo para apanhar o primeiro autocarro de Phnom Penh para Sihanoukville, a cidade costeira a cerca de 250Km da capital e famosa pelas suas praias de areia branca e pelas ilhas que ornamentam o horizonte para lá da linha da costa. 4 horas depois, muito karaoke e um péssimo filme de 5ª categoria americano com uma dobragem de 10ª categoria para Cambojano, lá cheguei ao meu ponto de destino. Primeira tarefa, o retorno à busca pelos calções de banho.
Dirigi-me então a um grande mercado adjacente à rodoviária local e onde era exibido um grande placard que dizia "International Trade Center". Reparei que tinha um pouco de tudo incluíndo todo o tipo de brinquedos para a praia e várias pequenas lojas de roupa. Devo conseguir aqui, pensei... Visito uma, duas, três e o desânimo começa-se a apoderar de mim. Dou de caras com a realidade local e começo a ficar preocupado.
No Camboja a noção de calções de banho está associada a dois estilos, o primeiro consegue ter uma forma aceitável mas apresenta uns padrões de péssimo gosto, ora repletos de gigantescas flores, ora com bonecada bem ao estilo Pokemon, ambos com cores fluorescentes e bem ao estilo Asiático. Para fugir a estes modelos, resta a segunda hipótese, herdada talvez da Austrália, país de origem da grande maioria dos turistas, que são uns calções compridíssimos e com figuras algo carnavalescas alusivas ao surf. Não é que não tivessem a sua piada, mas já não tenho 15 anos e preferia algo diferente. No entanto, não havia outra escolha... Venham eles...
A minha opção para o alojamento recaíu sobre um resort na melhor das praias da zona, o Sokha Beach Resort. Precisava de algum descanso e conforto para o fim-de-semana e esta foi sem dúvida a melhor opção.
O hotel dispunha de um grande conjunto de infra-estruturas e uma vasta oferta turística que infelizmente não deu para aproveitar ao máximo dada a curta estadia.
A praia era quase exclusiva do hotel e era sem dúvida uma das melhores. Neste primeiro dia, muito descanso após a viagem (a apreciar a vista em baixo), uma bela soneca e o assistir a um fabuloso por-do-sol.
O segundo dia foi dedicado a um passeio pelas ilhas de Sianoukville. A partida foi feita a partir da praia de Occheuteal numa pequena e rudimentar embarcação, que apesar de parecer cheia, por várias vezes que conseguiu levar mais alguns turistas. Um jeitinho aqui, outro ali e lá nos acomodámos e preparámos para a partida.
A pequena embarcação lá rumou em direcção ao aglomerado de ilhas a Sudeste no seu ritmo lento e constante. O motor, algo ruidoso, a funcionar quase ao "ralenti" e numa melodia quase monótona, não era no entanto sufuciente para quebrar o fascínio da viagem, a beleza daquele mar e a agradável sensação da fresca brisa marítima da manhã a trespassar pelo nosso corpo. O local ideal, a temperatura ideal e um ambiente ideal! Um pequeno paraíso, e eu ali...
As ilhas eram entre si bastante semelhantes, umas maiores, outra mais pequenas, todas se assemelhavam a uma grande mancha verde plantada no meio do aceano. Parecia que alguém tinha arrancado um pedaço de floresta densa e tropical e largado ali, o bloco no meio do oceano.
De repente, e no meio do oceano, eis que o motor começa a falhar, em seguida pára por completo. Alguma expectativa, mas a cara do condutor não engana... Tudo controlado e supreende-nos com um garrafão de gasolina que tinha escondido em baixo. Foi apenas falta de combustível e está aqui mais para reabastecer.
A primeira paragem, junto a uma destas pequeníssimas ilhas serviu para um pequeno e relaxante mergulho e a possibilidade de se fazer algum snorkling junto do coral perto das margens. Sempre previnidos, disponibilizaram o equipamento para o snorkling aos turistas pelo que sempre tive hipótese de contemplar as belezas sub-aquáticas. Infelizmente, a ondulação sentida nos dias anteriores retirou grande parte da transparência das águas e não foi possível observar o coral nas melhores condições.
A paragem seguinte foi na "Bamboo Island", a maior das ilhas deste grupo e ponto de destino desta nossa viagem. Chegámos cedo e ainda tive algum tempo para explorar a ilha antes que nos servissem o almoço em plena praia. A ilha é de facto muito bonita e bastante agradável. Um local calmo, longe das confusões, do turismo de massas e da agitação das praias que conhecemos. Um recanto natural, ainda preservado e de grande harmonia.
A única infra-estrutura existente são os pequenos bungalows destinados sobretudo aos mochileiros e amantes deste tipo de natureza.
Ainda fiz uma pequena tentativa para penetrar na densa e verdejante floresta da ilha. Após algumas centenas de metros desisti, pois o pequeno trilho que tomei depressa se desfez no emaranhado de plantas, árvores e arbustos. O calor aqui também era bastante mais intenso e a humidade muito superior e os insectos também começavam a não me largar.
Regresso à praia e ao almoço. Mais algum tempo para disfrutar e o preparar para o regresso.
O regresso foi feito ao mesmo ritmo, lento e constante. Ainda uma paragem numa outra ilha para mais um mergulho e uma dose de snorkling. A água apresentava-se em melhores condições, mas ainda assim a transparência não era a melhor. Fiquei admirado com a quantidade de coral existente naquelas pequenas ilhas. Ainda que não tão bonito e colorido como outros que já observei, a quantidade é de facto muito superior e numa densidade bastante mais elevada. Parece que aqui ainda não chegaram os El Niños e Niñas ou as desculpas associadas...
À chegada à praia de Occheuteal tudo mudou. A praia estava repleta de locais que aproveitaram o Domingo para aqui se virem divertir. Inúmeros barcos a motor roncavam e partilhavam o espaço com os banhistas, nas suas peripécias a alta velocidade. Várias motas de água faziam tangentes e utilizavam as pessoas como pinos para as manobras. Centenas e centenas de banhistas enchiam as águas de uma energia sem igual e lá se iam deliciando e aproveitando ao máximo nos seus pequenos jogos aquáticos. No areal, são muitos os vendedores ambulantes de vários tipos de comidas típicas que vão a pouco e pouco deliciando todos os que por ali se encontram para estes encontros de convívio e estes pique-niques tradicionais.
Como sempre acontece, o dia da partida é sempre o dia onde as condições meteorológicas são as melhores. Comigo é tradição! Um dia lindo, solarengo e um mar azul, calminho e apetecível. Resta-me ainda algum tempo, e vou explorar a baía de Sokha Beach, de um extremo ao outro.
A temperatura da água do mar? Não sei ao certo, mas nunca inferior a 30ºC...
Apanho uma motoreta, e lá vou eu com destino à rodoviária de Sihanoukville, em pleno centro da cidade. A estação rodoviária não é mais que um espaço em campo aberto onde se amontoam os autocarros das várias companhias, pequenos pontos de venda de bilhetes e um infindável número de tuk-tuks e motoretas.
Ainda antes de entrar no autocarro, reparei numa senhora de idade que também se encontrava à espera e que muito se ia movimentando entre os diversos pontos de venda de bebidas, a pequena zona de espera e as bilheteiras, sempre muito faladora e amável para todos. Coincidência ou talvez não, ao entrar no autocarro constatei que a senhora estava sentada no lugar ao lado do meu, e que seria a minha companheira de viagem.
Era uma senhora lindíssima, australiana, professora e missionária, que se encontra no Camboja há alguns anos onde já fez vários tipos de missões humanitárias. Uma senhora com uma presença e uma aura fantásticas e uma história de vida muito bonita, com passagens desde o Kenya, o Uganda, até este país Asiático. Dedicou a vida inteira a ajudar ou outros, a ensinar e a educar. Alguém que deu muito ao mundo, de muito valor e a quem o mundo vai ficar muito a dever...
Continua a ajudar, apesar da idade que se aproxima dos 70, e sente que é esse o seu dever e o seu objectivo. Lecciona inglês, mas sabe que tem de ir muito para além do ensino da língua universal. A grandmother Mary, como gosta que a tratem, sente que tem obrigações noutras áreas e vai ensinando muito desde cidadania aos conceitos de higiene, que neste países são ignorados. Fá-lo porque quer ajudar e porque se sente feliz e realizada em dar este contributo. Tem saudades do seu país e da sua família mas corajosamente vai seguindo o seu caminho, a sua felicidade e os seus objectivos.
Claro está que foi uma viagem muito agradável. Senti-me lisonjeado por poder estar com alguem assim, por poder partilhar experiências e aventuras com alguém tão vivido, com tanto para dizer, com tão bons conselhos para dar. As 4 horas da viagem passaram sem eu dar por nada. Senti-me bem, a senhora também e no fim agradeceu a companhia e a conversa. Confessou que também tinha recuperado energias e que tinha voltado à forma. Não é todos os dias que se encontram pessoas assim... Eu tive o meu dia!
Por muito bom que tenha sido o meu fim-de-semana, este viagem vai ficar eternamente marcada por estes momentos que passei com a Grandmother Mary. No final ficou aquele abraço e a despedida. Um dia quem sabe... É assim a vida de viajante, as pessoas vêm e vão, como os locais que se vão visitando sem que se criem grandes ligações. Mas é essa a magia, que com um pouco de tudo nos vai fazendo assim!
Resta-me agradecer também à Grandmother Mary... Um Muito Obrigado por ter tornado esta viagem tão especial!
18 janvier 2009
Camboja 4 - Preileep
Neste meu regresso ao Camboja, e a convite de locais fui até Preileep, conhecer e sentir um dos muitos lugares para onde os Cambojanos se costumam dirigir aos fins-de-semana. Preileep é uma povoação a norte de Phnom Penh junto ao rio Mekong e onde foram instalados vários restaurantes muito relaxantes sobre as águas calmas do rio. Os restaurantes apresentam vários espaços muito tranquilos onde os grupos e as famílias se juntam para apreciar uma boa refeição sempre acompanhada da boa cerveja nacional e passar depois umas boas horas de lazer.
A cozinha, do lado de fora, ampla e funcional.
São vários os grupos de jovens que aqui se juntam para passar as tardes dos fins-de-semana e também as famílias que vão aproveitando para confraternizar.
Em cada um dos espaços, e à medida que vão sendo preenchidos, são colocados tapetes, onde as pessoas se instalam. A comida é servida no chão, de forma muito tradicional.
O espaço é muito arejado e agradável, com uma brisa fresca que alivia do habitual calor muito húmido. A vista sobre o rio é também bastante relaxante. Ideal mesmo para recarregar as baterias para mais uma semana de trabalho.
Dado que é um espaço 100% dedicado a Cambojanos, o menu estava também ele na língua local. Mas não precisei de ajuda, pois deixei ao critério de quem sabe...
E o nosso almoço? O que se segue... E garanto que estava muito bom!!!
14 décembre 2008
França 3 - Chenonceau e Amboise
A cerca de 250Km de Nantes e com alguns graus centígrados a menos, fica o magnífico castelo de Chenonceau. Construído sob as águas do rio Cher, em 1513, este charmoso castelo é conhecido por ser os castelo das damas na história francesa. A sua história está ligada a 3 grandes mulheres, Katherine Briçonnet, Diane de Poitiers e Catherine de Médicis que lhe conferiram alterações e ajustes profundos, cada um à sua maneira, e que o tornam num local único e especial.
A totalidade do edifício principal situa-se sobre o rio tendo sido construído sobre uma antiga ponte.
O interior é bastante rico e interessante.
Junto ao castelo, os fantásticos jardins, certamente mais bonitos no verão, e as dependências de apoio. Existe também uma pequena quinta com vários edifícios típicos.
Não longe de Chenonceau, fica a vila de Amboise, famosa por ser a localização da mansão Clos Lucé. A mansão construída em meados do séc. XV foi adquirida em 1490 pelo Rei Charles VIII de França para a sua esposa Anne de Bretagne. Mais tarde foi usada pelo Rei François I, que, em 1516, a cedeu a Leonardo da Vinci, o qual havia convidado para trabalhar em Amboise. Da Vinci passou assim os 3 últimos anos da sua vida nesta mansão, onde acabaria por morrer em 1519.
O interior da mansão contém actualmente um pequeno museu sobre o génio Da Vinci e oferece regularmente vários programas culturais.Sinceramente, vale mais pela história e pela mística do que pelo museu, muito inferior por exemplo ao museu Da Vinci de Coimbra.
12 décembre 2008
França 2 - Nantes
Mesmo conhecendo algumas e boas excepções costumo por vezes considerar que o nível de interesse das cidades se mede pelo número de páginas que lhes estão dedicadas nos guias turísticos. Mal tomei conhecimento da minha visita a Nantes para este curto projecto, consultei logo o guia de França que já possuía e para minha surpresa, a cidade de Nantes ocupa apenas uma página desta secção do Vale do Loire. Estranho pensei, para uma cidade desta dimensão e de importância tão significativa na Bretanha. Bom, pode ser que seja mais uma excepção...
Mas bastaram apenas alguns dias na cidade para facilmente perceber que não era uma excepção. Além de alguns monumentos de algum interesse e do centro histórico algo pitoresco, a cidade não tem muito mais para oferecer. Constituído por várias ruas e ruelas, o centro histórico é um interessante local repleto de comércio, vários restaurantes e bares mas desprovido de pessoas, com um ambiente algo parado e pouco excitante.
No centro da cidade numa antiga zona ribeirinha, que já não o é por terem aterrado um dos braços do rio Loire, fica o Château des Ducs de Bretagne, construído sobre as antigas muralhas que ladeavam a cidade. Trata-se de uma construção fortificada do séc. XIII e que serviu de residência a vários duques até à bem pouco tempo atrás.
O Castelo alberga hoje vários espaços culturais e um museu.
Outro dos locais a visitar é a Catedral de Nantes, uma catedral de estilo gótico iniciada em 1434 e cuja construção só terminou em 1891.
Passando a sua construção por várias fases, são notórias algumas diferenças de estilos de construção.
Em plena praça Graslin fica o Teatro com o mesmo nome.
De realçar a excelente gastronomia da região que se pode degustar em alguns dos restaurantes mais requintados da cidade de Nantes. Desta vez a estadia em França favoreceu essa vertente e digo-vos que valeu muito!


































































































































































































































































































































































