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Histórias de viagens neste mundo fantástico

09 novembre 2009

India 7 - Elephanta Island

Uma das coisas que me aborrece nos taxistas Asiáticos (Indianos e não só) é o facto de nunca assumirem que não sabem onde fica determinado local. Têm sempre uma ideia e seguem sempre com a esperança que o vão encontrar talvez como que por magia. Pior do que isso é o facto de ao não saberem, também não perguntarem, nem mesmo às pessoas da área...
A situação voltou a passar-se no passado sábado à noite. Perguntei ao taxista se sabia onde era Bombay Dyeing Mill Compound em Pandurang Budhkar Marg, Worli Mumbai... Fez cara feia, mas Worli Mumbay soou-lhe familiar. Fez sinal para entrarmos e lá fomos. A meio do caminho começa com algumas perguntas sobre o local. Ok, já vi que não tens ideia de onde fica... Vamos ver...
Chegados à zona de Worli Mumbay começa a andar às voltas e a fazer mais perguntas estranhas e com pouco nexo, uma vez que já lhe tinha referido que não conhecia o local... Disse-lhe para perguntar e por fim lá parou junto a outro táxi e perguntou. A resposta? Bom, como todos os taxistas, também não assumiu que não sabia e lá deu umas indicações para a zona onde ele achava que deveria ser o tal Bombay Dyeing Mill Compound. Mais umas voltas, e peço para perguntar de novo. A cena repete-se por umas 5 vezes até que encontramos por fim alguém que sabe... Lá chegamos ao local 1h30 depois e fartos de andar... Na volta descobri que afinal estávamos muito mais perto do que tinha parecido na ida.

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(Como sempre, clicar nas fotos para ampliar)

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Último domingo em Mumbai, decido ir visitar a ilha Elephanta, uma ilha a este da cidade em pleno estuário e famosa pelos seus templos escavados nas rochas.

Apanho mais uma vez um taxi para a Gateway of India onde é suposto apanhar o barco com destino à ilha e conto com a já habitual 1h de viagem num trânsito completamente caótico e que nem aos fins-de-semana descansa.
Na India, a única certeza que temos quando fazemos ou estamos envolvidos em algo é que o mais provável é que falhe alguma coisa... E as viagens de taxi não estão fora...
Já em plena baixa de Mumbai o taxi pára num semáforo e começo a ver o motorista muito agitado e a abrir e fechar a porta. Olha para baixo da viatura, entra, sai, entra, olha para debaixo do banco, e eu sem perceber nada. O semáforo abre e ele sai do carro para avisar os carros atrás para o contornarem... Oh! Ooooh!!! Já precebi... Vira-se para mim e diz: "Stop, engine... Engine stop!" _ Saio, pago e pergunto se é longe. Não, já estamos a pouco mais de 1Km... E vou a pé...

A distância não foi muita, mas uma caminhada a pé com um sol tórrido e uma temperatura de 35ºC é o suficiente para me por a escorrer água... E foi assim que cheguei ao Gateway of India, onde tentei de imediato encontrar o cais de partida do barco e a bilheteira. Existem vários cais, cada um com diferentes tipos de informação e muito pouco intuitiva. Decido perguntar e um rapazito leva-me ao cais e bilheteira certos. Sabia que haviam dois tipos de serviço, um a 100 Rupias, e outro, o Deluxe a 120 Rupias mas com barcos bem mais espaçosos e confortáveis, ou seja, para turistas. Falo nessa hipótese ao rapaz que confirma mas continua a dirigir-se para o cais dos barcos mais simples. Bom, sigo num destes, no barco dos locais, penso, e torno a experiência mais autêntica.

Pago as 100 Rupias e tenho a sorte de um dos barcos estar mesmo a chegar e partir dentro de 5 minutos...

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Chegado o barco olho e penso: "É isto?! Não há-de ser nada..."

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Entro e instalo-me num dos poucos lugares livres. Sinto-me um pouco o centro das atenções. Pudera não há muitos estrangeiros por aqui...

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Lá partimos e deixamos o cais de Mumbai para trás. É bonita esta perspectiva do Gateway e do Taj Mahal Hotel.

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A viagem é suposto demorar uns três quartos de hora. Tirando o ruído do motor, acaba por ser uma viagem bastante agradável e tranquila. Aqui tudo o que fuja ao caótico e ruidoso trânsito da cidade é sempre um momento de paz...

Pouco depois reparo que o barco possui uma bomba de água. Estão prevenidos se o barco meter alguma vez água, penso. Ou será que o barco mete sempre água?! Pode ser que não... Pensamento positivo para tranquilizar as ideias. Mas a meio da viagem, lá se instala o rapazito a dar à bomba. Sempre mete água a barcaça!

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E lá seguimos tranquilamente por águas poluídas e bem sujas, na companhia de todo o tipo de barcos e já com a ilha a aproximar-se.

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O cais de Elephanta Island é bem pequeno para a quantidade de barcos que aqui atracam. Ainda assim, isso não se torna um problem, uma vez que os barcos vão atracando uns encostados aos outros e as pessoas vão saíndo de uns barcos para os outros até chegarem ao cais. Foi o nosso caso. Encostámos a um dos barcos que já estava atracado e passámos todos do nosso barco para esse e a seguir desse para o cais.

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Elephanta Island era originalmente conhecida por Gharapuri (lugar das grutas) e foi baptizada de novo no séc XVII pelos Portugueses de Ilha do Elefante por possuir uma enorme escultura de um elefante na entrada. A escultura acabou por ruir e foi levada para Mumbai pelos Ingleses anos mais tarde.

A ilha possui uma série de templos bastante interessantes escavados nas rochas, templos esses dedicados a Shiva e considerados património mundial da UNESCO em 1987. Achei também interessante, e apesar de não o ter visto escrito em lado algum, o facto de haver algumas referências ao budismo em algumas estátuas o que demostra bem as raízes comuns entre estas duas religiões.

No final do cais, e já depois de ter pago o imposto de entrada na ilha, algo de estranho me aconteceu. Como se sabe, as vacas na Índia são sagradas e é frequente encontrá-las em tudo quanto é lugar, e a ilha Elephanta não é excepção. Estava eu a preparar-me para tirar uma foto a um destes pacatos animais quando sinto uma pancada lateral. Olho e vejo uma outra vaca vinda sei lá de onde que deve ter pensado que eu queria fazer mal à amiga e deu-me uma marrada... Como já se preparava para dar a segunda achei por bem afastar-me. Foi também o "Ohhhh!" largado por umas turistas ao meu lado que desviou as atenções da vaca e que me deu tempo para me afastar... Pisga-te e a fotografia que se lixe!

Uma enorme escadaria ladeada de pequenos restaurantes e vendas de artesanato levam-nos até à entrada dos templos sensivelmente a meio do monte. O principal está logo ali, a seguir à bilheteira e é de facto impresionante.

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Os restantes templos são mais pequenos e bastante menos ricos. Alguns dão mesmo a sensação de nunca terem sido terminados. E estes macacos que sabem-na bem...

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Do outro lado da ilha fica o Canon Hill ou Monte dos Canhões. Este era um importante ponto de defesa dada a sua impressionante vista sobre todo o estuário e a possibilidade de se controlar a partir daqui todo o movimento de navios.

O trilho de acesso é algo complicado e muitas vezes de acentuada inclinação. No topo, fiquei algo desiludido por esperava por algo mais histórico... Ainda assim, e apesar da dificuldade em chegar, valeu pela vista e pelo passeio na natureza.

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E é hora de descer e partir... A passagem pelos "carregadores" e a despedida do cais.

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Já na viagem de regresso mais uma aventura. Um altíssimo "Bhhhhooooooooonnnnnnnn!!!!" sacudiu o nosso barquito... Olho para trás e vejo que estávamos na rota de um navio bem maior. O condutor do barco ficou sem saber bem o que fazer e desviou um pouco a rota para ficarmos paralelos à rota seguida pelo navio.
Normalmente nestas situações pensamos que isto são situações normais e que devem acontecer frequentemente e que tudo está controlado. O problema é que conhecendo a India como conheço, sei que qualquer situação aqui é sempre uma nova situação e que nunca ninguém sabe bem como lidar com ela. Esta não foi excepção...

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O navio lá foi passando por nós quando ouvimos um outro "Bhhhhooooooooonnnnnnnn!!!!" atrás de nós. Afinal o aviso não foi deste navio mas de outro bem maior que estava atrás...

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Aqui foi quando tudo se complicou... Não nos podíamos aproximar do outro porque as ondas provocadas pela sua deslocação afectavam e muito a nossa navegação e atrás o gigante começava a ameaçar... Lá reduzimos a velocidade, deixámos o primeiro navio passar e voltámos à rota inicial. Quase tudo normal, não fosse quase termos virado o barco com as ondas do navio... E saímos da rota do outro o que foi bem mais importante.

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Ainda o caso caricato do "ignorar avisos"... "Photo Graphi Not Allowed!" Que eu também ignorei... Em Roma sê Romano!

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Chegado a Mumbai, ainda um pequeno passeio pelo mercado de rua de Colaba, uma rua próxima do local do cais. Interessante mas algo turistico...

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Já no regresso ainda fui brindado com uma paragem no posto de abastecimento para reabastecer o taxi. Tudo feito muito devagarinho porque o cliente nunca tem pressa!

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01 novembre 2009

India 6 - Mumbai II

A India, mais do que qualquer outro, não é um país para se ver. É muito mais do que isso. É um país onde os cinco sentidos têm de estar atentos e funcionais e onde a experiência é a conjugação de sentimentos, cheiros, sons, cores e exóticos paladares. Sentimos os lugares pela vibração, pela temperatura, humidade e apertos das multidões. Sentimos o odor característico de cada local que mesmo nem sendo sempre agradável é uma das formas mais fiéis de absorvermos esse real quotidiano. E somos também envolvidos pelo ruído, pelas melodias, pelos mundos de cor e de movimento, sabores, pelas massas e pela energia que delas emana e que nos transporta para uma realidade intensamente vivida e atenta ao meio onde está. É isto que torna este lugar tão especial, tão incrível e tão particular.

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O dia começa com mais uma longa e atribulada viagem de taxi até Mahalaxmi, um dos bairros do centro norte de Mumbai. O trânsito sempre caótico e o facto de o motorista ter algumas tendências suicidas deram alguma emoção extra ao trajecto. Mais um que conduz com a buzina e que consegue ver em tudo quando é espaço livre uma faixa de rodagem.

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Em Mahalaxmi fica o famoso Dhobi Gat, um espaço centenário e a maior lavandaria de roupa manual da cidade (e talvez do mundo). Aqui é lavada grande parte da roupa de toda a cidade por centenas de pessoas e de tanques que preenchem um pequeno espaço deste humilde bairro.

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O efeito é interessantíssimo com as centenas de tanques e os estendais que sobressaem um pouco por todo o lado.

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Não muito longe, e já a caminho do próximo destino eis quando algo desperta a atenção num pequeno ponto de paragem de autocarros inter-urbanos. O normal espaço dos autocarros estava dividido em dois (em autocarros de altura normal) e o piso superior apenas dava para as pessoas irem deitadas... Nada mal poder fazer uma viagem deitado, só que os cubículos eram tão apertados e claustrofóbicos que só de pensar até dá falta de ar. Ainda entrei para ver um desses espaços que não tinha mais do que 50cm2. Qualquer aduto teria de ir todo encolhido...

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O segundo destino do dia foi a famosa mesquita Haji Ali, uma mesquita do séc. XIX que contém o templo de Haji, um muçulmano famoso que morreu durante uma peregrinação a Meca e cujo caixão miraculosamente flutuou até ao seu local de origem.

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Parecendo quase como que flutuando, o tempo está localizado plenamente dentro do oceano e ligado a terra apenas por uma longa passagem de cimento, muito utilizada pelos milhares de fiéis e também por vendedores.

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Domingo, dia de descanse era grande a rumaria ao templo. Milhares de pessoas entopiam a estreita passagem de acesso ao templo e onde se vê de tudo um pouco. Até cabras alimentadas a... Lixo?!

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Tudo se vê, tudo se vende...

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No interior do templo, um espaço amplo acolhe os visitantes ladeado por pequenas barraquinhas de venda de comida, algumas salas destinadas às rezas e mais descaído para um dos lados o templo em si.

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Impressionante é a quantidade de lixo que se vê na zona em especial dentro de água. Mas nem tudo é mau e ainda se vai fazendo alguma reciclagem.

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Nas imediações os peregrinos vão alternando entre as pequenas refeições e os banhos de mar mesmo com os sinais de proibição.

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Não muito distante fica o templo Hindú de Mahalaxmi. Nova multidão em romaria mas desta vez não consegui entrar...

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Um saltinho ainda assim ao antigo Shiv Temple, um minúsculo mas interessante templo onde alguém aproveitou para repousar. Ou estaria morto?! Ugh!!! De facto não se mexeu nunca...

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O final do passeio foi dedicado ao vizinho bairro de Malabar Hill, um bairro da classe alta de Mumbai e uma das zonas mais tranquilas da cidade, com grandes contrastes entre grandes jardins, os altíssimos e modernos blocos de apartamentos e os clássicos palacetes.

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É aqui que fica também o sossegado templo Jain...

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Para terminar a descida até Chowpatty já a implorar por descanso que os muitos Kms nas pernas não perdoam.

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E o regresso a casa ainda que em duas fases. O primeiro taxi ficou sem gasolina a meio do trajecto e o taxista muito gentilmente encostou junto a um outro taxi para que este pudesse completar o resto do caminho de volta. Alguma coisa teria de falhar...

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25 octobre 2009

India 5 - Mumbai I

Foi mais rápido do que pensava este meu regresso à India. Após um ano e um mês da despedida de Calcutá, eis-me de novo de volta à magia da India, mas desta vez em Mumbai, antiga Bombaím.

É para mim um país que me fascina bastante e que desperta sempre um sentimento arrepiante vindo algures do meu interior. É o país dos contrastes, dos opostos e onde todos os extremos convivem lado a lado e partilham este quotidiano deveras especial. É o país do rico e do pobre, do novo e do velho, do limpo e do extremamente sujo, da brutidade e da calma, da violência e da paz de espírito, das cores e do monocromático, do barulho e do silêncio, enfim, do tudo e do nada que estão sempre lado a lado sem quaisquer incompatibilidades. Tudo vive num ritmo frenético e com uma energia inesgotável neste caos de misturas, cores, cheiros, sons e multidões.

A recepção foi lindíssima vista do avião. Notei ao aproximarmo-nos da pista que os bairros que íamos sobrevoando estavam inundados de luz e cor. Era cerca da 1h da manhã e os bairros pareciam gigantescas árvores de natal com luzes brancas, amarelas, laranja, vermelhas e muitas outras cores. Soube mais tarde que se vivia o Diwali, um dos mais importantes festivais da India também conhecido como o festival das luzes.

Fiquei alojado em Navi Mumbai, um subúrbio da grande Mumbai a cerca de 5Km do local onde estou a trabalhar, o Millenium Business Park, mais uma espécie de pseudo-business park indiano onde estão algumas empresas ligadas à tecnologia.

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(Clicar nas imagens para ampliar)

O hotel é bastante bom para o padrão indiano ainda que, e não me posso esquecer onde estou, é sempre aplicada a regra de que na India nada funciona na sua plenitude. Dos dois elevadores do hotel, um estava avariado no primeiro dia. Foi reparado e de imediato se avariou o outro... No segundo dia estavam os dois avariados e desde então creio que só por uma vez vi os dois a funcionarem em simultâneo.
A internet do hotel não estava a funcionar quando cheguei e disseram-me que em 5 minutos me dariam o acesso. Esperei até ao dia seguinte e no regresso do trabalho perguntei mais uma vez. De novo mais 5 minutos... Esperei até à manhã seguinte... Logo já há... Não havia! No dia a seguir vinha e ia... Passado uma semana parece que funciona.

A recepção no escritório também não foi menos atribulada. Primeiro o senhor da recepção disse-nos (a mim e a um colega francês) que tinha de nos fazer um cartão temporário de identificação. Perguntou-me o nome, o qual claro está não percebeu, repeti letra por letra, M, A, R, I, O, etc. mas logo a seguir pediu-me para o escrever num papelinho. Escrevi então MARIO BERNARDES em letra maiuscula para melhor percepção... O senhor segue para o computador, tira-me uma fotografia pela webcam e começa a introduzir o nome. Vejo que tem dificuldade em perceber e perde mais de 2 minutos para introduzir o nome. Parece-me também perdido no teclado, mas por fim lá sai da impressora o dito cartão. É-me entregue e ao confirmar se está bem vejo o meu nome: rarrio bermades. Rio-me e sigo para o 3º piso. No dia a seguir percebi o porquê de tanta confusão... Afinal o senhor tinha-se esquecido dos óculos!

Fomos recebidos por um colega da parte administrativa que nos levou para a sala de reuniões, onde ficámos a aguardar que algum dos responsáveis do projecto nos fosse contactar. Esperámos, esperámos, esperámos e quando começámos a ver que a manhã já se ia por completo decidimos ligar ao responsável. Afinal estava de férias e fora do escritório e gentilmente lá se ofereceu para ligar a quem o substituía... Estávamos então esquecidos na sala de reuniões! Quem nos recebeu, fez a parte dele, mas não avisou mais ninguém e como quem nos deveria apresentar o projecto estava de férias significa que ficaríamos eternamente à espera. De fazer lembrar uma certa anedota...

Mumbai

Chegou o primeiro domingo e com ele a primeira visita à cidade de Mumbai. Tramaram-me com o sábado que foi dia de trabalho e sendo assim tive de utilizar o meu dia de descanso para o pouco descanso que é um circuito pelas ruas da cidade.

Uma hora de taxi até ao extremo oposto da cidade e lá estou eu junto à Gateway of India, um dos grandes símbolos da cidade. Pergunto ao taxista quanto é fico surprendido quando me diz 700 Rupias. Mas o taxímetro não marca 240?! Responde que sim, mas mostra-me a tabela de equivalencias... Lembro-me desse detalhe de quando estive em Calcutá. Existe de facto uma tabela que faz a conversão do valor que aparece no taxímetro para o valor real a pagar, mas normalmente dá o dobro. Repito que não pode ser e peço para ver a tabela, que me mostra que na realidade são 450 Rupias. Insisto neste valor ao que o motorista de taxi me responde que são 500 Rupias por causa da portagem. Mas tu não pagaste portagem, insisto! Ok, 450 Rupias!

O Gateway of India é um arco enorme junto ao porto da cidade de estilo Islâmico e foi construído para comemorar a visita do rei George V. É um local de grande afluência de pessoas, pois com os anos tornou-se um dos locais favoritos das famílias para os passeios de fim-de-semana.

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Fica localizado bem junto ao famoso Taj Mahal Hotel.

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Subindo a Chatrapati Shivali Marg começamos a entrar numa das zonas da cidade mais ricas arquitectonicamente. São visíveis alguns edifícios bastante interessantes como o Royal Bombay Yacht Club, a David Sassoon Library, já na rua Mahatma Gandhi, a Universidade de Mumbai, entre outros.

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Pela Veer Nariman Rd temos acesso ao bonito Horniman Circle, uma bonita praça com um pequeno jardim botânico e o Town Hall.

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Na praça estavam a fazer as gravações de um anúncio com dois actores conhecidos (na India). Claro que me aproximei para confirmar a teoria de que na India mulheres bonitas só as da televisão... E é verdade mesmo! Passei então de turista fotógrafo a Paparazzi.

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Já a caminho do Oval Maiden, um grande parque no interior da cidade, é possível observar mais alguns edifícios interessantes.

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É sabido que o cricket é o desporto nacional da India e que é jogado um pouco por todo o lado, em especial aos fins-de-semana, onde os grupos de amigos se juntam em tudo quanto são praças ou parques para jogar. E porque não experimentar?!

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No Oval Maiden, o parque que não é oval, que é que estão a fazer?

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É daqui que se obtém também uma boa vista sobre a totalidade do High Court(foto anterior).

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O final da Veer Nariman Rd encontra a Marine Dr, a famosa avenida marginal de Mumbai em torno da Back Bay. É uma bonita baía com um agradável passeio sempre junto ao mar que nos leva até à praia de Chowpatty, no topo norte e o único local com areia. Infelizmente e dados os elevados índices de poluição da baía, a brisa é algo desagradável e torna o passeio um pouco menos aprazível.

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Escusado será dizer que os banhos estão proibidos, pois a água é altamente tóxica.

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A praia é também um local de convívio para as gentes locais que aqui se juntam aos fins-de-semana para descansar e atacarem alguns pratos típicos nos muitos restaurantes instalados na praia.

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Sobra algum tempo para visitar ainda o bairro vizinho de Kotachiwadi, um local bastante típico e onde se sente a verdadeira cultura indiana. Basta encontrar a St Teresa's Church e lá está...

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E o regresso a Navi Mumbai, com mais uma hora de trânsito e caos...

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14 août 2009

Chile 2 - Valparaíso

Cidade única no Chile e mesmo em todo o mundo, Valparaíso deslumbra-nos pela sua singularidade e pela sua estrutura, com contrastes intensos entre a zona portuária e baixa da cidade e os morros que a rodeiam. Em 2003 passou a ser património mundial da UNESCO e desde aí tem despertado muito interesse entre os Chilenos.
A cidade é uma mistura de Funchal com favela do Rio de Janeiro e um pouco de Bairro da Sé do Porto no sopé dos "Cerros". No entanto a semelhança com as favelas é apenas visual pois quando se entra verdadeiramente dentro destes bairros somos como que brindados com um património muito interessante com um sem fim de cores vivas e alegres.

Como já sou o segundo Bernardes (pelo menos que eu saiba) e pisar o solo de Valparaíso, sinto-me um pouco desresponsabilizado de fazer grandes descrições sobre a cidade... Ainda assim, posso sempre mostar o meu ponto de vista.

A parte baixa da cidade possui também um vasto património arquitectónico entre igrejas e palacetes, muitos deles utilizados agora para fins culturais.

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Apesar de velha, toda a cidade é muito alegre e simpática.

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Escondido entre dois antigos edifícios na Rua Esmeralda fica o Ascensor Concepción, um dos muitos ascensores bem velhinhos que a cidade possui e que vão transportando os residentes e turistas até aos vários morros.

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Os ascensores são todos eles bastantes antigos e um pouco assustadores também por esse facto. Ainda assim alguns deles são grandes obras de engenharia.

Ao chegar ao Cerro Concepción o ambiente muda por completo. Os altos e grandes edifícios da baixa dão lugar ao típico casario dos bairros mais altos, com quase todas as casas pintadas de cores vivas e muitas também com desenhos artísticos.

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Os Cerros são zonas onde a cultura impera e têm atraído ao longo dos tempos um grande número de artistas e pessoas ligadas às artes de todo o mundo. Entre eles destaca-se Pablo Neruda que passou algum tempo em La Sebastiana. Vários Paseos se podem fazer aqui como o Atkinson e o Yoguslavo percorrendo as estreitas e acidentadas ruas destas colinas.

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A vista essa, sempre fabulosa!

Por entre bares, restaurantes e galerias de arte, vamos respirando este ambiente único que tanto tem inspirado os que por aqui se têm fixado. Famosos também os fios que cortam os ares destas ruas.

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OMMMMMnipresente...

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Um dos problemas que afecta a cidade e os morros, segundo os locais, é a segurança, pois segundo eles são necessárias algumas precauções. Ainda que não possa ser desprezados por completo, creio que esses avisos são um pouco exagerados, pois em nenhuma situação me senti inseguro. Subi e desci ruas, fui aos mais variados recantos com melhor ou pior aspecto, sempre sozinho e sem qualquer problema. A segurança é algo que também se sente, que conseguimos deduzir do ambiente que nos rodeia, e de facto estes morros não nos dão qualquer sentimento de insegurança.

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Começo então a descer rumando de novo a El Plan, a zona baixa da cidade. Pela rua Urriola observo as interessantes e estreitíssimas ruelas de acesso a algumas zonas mais elevadas.

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Em baixo, a Plaza Sotomayor com a imponente Comandancia Naval.

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Seguindo para a Av Brasil temos também alguns edifícios bastante interessantes.

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Viña del Mar

Como ainda me restava algum tempo livre, antes de apanhar o autocarro para o regresso a Santiago, decidi dar um saltinho a Viña del Mar, uma importante estância balnear situada paredes meias com Valparaíso. Para não perder muito tempo em viagem decido apanhar um taxi que me deixa na primera praia de Viña, a Caleta Abarca.

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Rumando a norte passo numa bonita zona que em muito me faz lembrar a costa do Estoril. Sinto de repente uma sensação muito especial, de me sentir muito em casa. A paisagem faz-me lembrar muito Portugal, a arquitectura, a vegetação, o cheiro do mar e até o dia de Inverno muito solarengo bem ao estilo mediterrânico.

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Um par de Kms depois chego ao centro de Viña del Mar que não é mais do que uma pura estância balnear bem ao estilo do sul de Espanha. As parecensas são enormes, até pela praia que não é nada de especial.

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Era Domingo e é incrível a quantidade de pessoas que passeavam pela cidade. Em algumas ruas era mesmo impossível caminhar.
Apesar de algo agradável, a cidade não me cativou muito. É mais uma daquelas estâncias repletas de restaurantes, bares, casinos e milhões de apartamentos em pilha a espreitarem o mar.

O trânsito estava caótico e decidi então que não valia a pena pagar por um taxi que iria à mesma velocidade dos autocarros. Depois de mais uma sessão de adivinhação sobre onde param os autocarros, lá consegui apanhar o velhinho Bus que depois de uma competição escaldante com outro autocarro pelas estreitas ruas da cidade lá me deixou em Valparaíso. Mais uma caminhada em direcção à rodoviária local e depois de correr um pouco ainda consegui apanhar o autocarro para Santiago que deveria ter saído há 15 minutos...

Regresso então a Santiago, estafado e com mais uns bons Kms nas pernas...

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10 août 2009

Chile 1 - Santiago

Ainda mal recomposto da viagem à Namíbia e já surgiu um pedido de suporte para um projecto no Chile de grande importância. Não posso recusar e ainda mais sendo um dos países que tinha em lista de espera.

Malas à pressa, pois mais uma vez foi tudo planeado com 3 dias de antecedência (mas bom, sempre foram 2 dias a mais do que para a Namíbia), e lá vim eu, com escala em S. Paulo e destino final Santiago. O vôo sai com um enorme atraso e claro, lá se vai o vôo de ligação. Mais 3 horas de espera em São Paulo para somar às 15h de viagem previstas...

Os primeiros dias foram dedicados exclusivamente ao projecto e não houve qualquer possibilidade de conhecer a cidade com alguma excepção para pequenos passeios pela zona onde estou. O primeiro impacto foi muito positivo, a cidade está muito bem organizada, limpa e é bastante simpática. As ruas vivem uma enorme animação a todas as horas. Gostei dos espaços, das pessoas e da vida em si.
Ainda assim há coisas que me fazem lembrar que não estou na Europa. Uma delas, as minhas aventuras com o autocarro 117.

Os escritórios onde estou a trabalhar ficam na chamada Ciudad Empresarial, um parque bastante grande de empresas a alguns Kms de onde estou a residir. Por ser uma zona recente, os transportes públicos ainda não estão bem adaptados e a rede de metro não chega lá.
No primeiro dia, na segunda-feira passada, tive a possibilidade de ir com uma pessoa da empresa o que facilitou o acesso. Para o regresso, aprendi com um colega que existia uma nova linha de autocarros a fazer o trajecto entre a zona onde residimos e a zona onde trabalhamos, a linha 117. Acabámos por vir juntos até à zona de Providência.
No dia seguinte, Terça, recorri ao taxi dado estar mais apertado de tempo, e ainda não ter comprado o cartão recarregável para os bilhetes. Até aí, tudo tranquilo para as viagens...

Na quarta adquiri então o cartão, já recarregado e decidi ir procurar a paragem do 117. Rua abaixo, rua acima, algumas perpendiculares, e nada. Em todas as paragens estão assinalados bastantes autocarros mas nada de 117. Acho estranho, ainda mais por vez alguns a subir a rua, no sentido oposto ao que queria, mas nenhum a descer. Ao fim de mais de 30 minutos de procura desisto e mais uma vez vou de taxi.
Falo com o meu colega e afinal o autocarro tem um trajecto circular, ou seja, passa apenas num dos sentido que é o mesmo para ir e voltar...

Quinta feira, saio de casa e lá me dirijo para a rua no sentido oposto para procurar a paragem correspondente. Rua abaixo, rua acima e nenhuma menciona o 117. Arrisco numa delas, onde me pareceu ter saído num dos dias antes e lá fico à espera. Vem o 117, passa e não pára. Bolas, não é aqui. Mas bom, se não é aqui é na seguinte. Mudo-me para a paragem seguinte, a cerca de 100m. Espero mais uns 15 minutos e vem o próximo 117. Não pára mais uma vez. Acho estranho e desisto novamente. Não posso esperar mais 15 minutos... Taxi!!!

Nessa noite decorei então qual a paragem exacta onde desci, para que no dia seguinte não houvessem confusões. Afinal como a linha é nova não está referenciada em nenhuma das paragens. E lá fui eu na Sexta-feira para a tal paragem que havia decorado a pensar que há terceira seria de vez. Já não havia espaço para dúvidas. Vem o 117 e... Não pára! O condutor faz sinal que é mais acima. Estranho!!! Mas lá vou eu com outro passageiro que também pretendia apanhar o mesmo autocarro. Vejo o 117 a parar na próxima paragem mas já não vou a tempo e só me resta a hipótese de esperar pelo próximo... Cerca de 15 minutos depois lá surge ele no início da rua e... Parou na paragem onde eu estava antes... Para piorar, não parou na minha. Estão a gozar comigo! Afinal o problema não é de mim... Não posso esperar mais 15 minutos... De novo, Taxi!

Bom, a saga ainda não acabou, pois haverá mais um episódio amanhã...

Finda a semana, tenho então tempo para conhecer a cidade. Recorro ao guia do costume, faço um plano do que pretendo ver, e no sábado de manhã meto pernas ao caminho. A melhor forma para mim de conhecer as cidade é andando a pé e sentindo os sítios e as multidões. Evito por isso o recurso ao metro, pelo menos para ir até aos locais que pretendo, a poucos Kms de Providência. Na volta, já será uma hipótese.

Santiago é uma cidade com pouco para ver mas muito para viver. Não é uma cidade muito bonita nem repleta de edifícios de interesse, mas é uma cidade onde apetece estar, absorver e saborear os espaços, a cultura e as pessoas. É uma cidade enorme, com mais de 5 milhões de habitantes, mas muito à minha medida e ao meu género. Sou uma pessoa muito urbana, gosto de cidades grandes, com muita gente e de me sentir parte das grandes multidões. Gosto do corropio, da azáfama e da energia que estas cidade emanam...

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Tenho sorte com o dia, que está bonito e que contrasta com os anteriores, mais escuros e mais frios.
Desço toda a Avenida Providência até chegar à grande praça Baquedano, início da Av. O'Higgins que me levará ao centro da cidade.

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Bolas! Perdi este evento!   :-)

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A Av. O'Higgins é mais rica arquitectonicamente, e apresenta alguns edifícios mais interessantes.

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Serpenteando pelas ruas do centro vão-se encontrando boas surpresas.

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Paragem obrigatória é a Plaza de Armas, um ampla praça rodeada de bonitos edifícios dos quais se destaca a Catedral Metropolitana.

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Ligeiramente a norte, mais alguns bonitos edifícios.

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Ainda a Plaza de La Constitución com o Palácio La Moneda.

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Não muito longe do centro fica o famoso bairro Bellavista, uma zona boémia e de concentração de artistas. Da Bellavista pode-se apanhar o assustador Funicular para o Terraza Bellavista e a Virgen de la Inmaculada Concepción, localizados no Cerro San Cristóbal e de onde se obtém uma vista fantástica sobre toda a cidade.

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Agora digam lá que a vista do meu apartamento não é fantastica?

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13 juillet 2009

Namibia 2 - Windhoek

Windhoek, capital da Namibia é uma calma cidade com menos de 250 mil habitantes e que está localizada num planalto a mais de 1700m de altitude. O seu nome deriva do Afrikaaner "Wind-Hoek" que em português significa "Canto do Vento". Curiosamente é uma cidade sem vento, pelo menos nesta altura do ano, e bastante fria, ao contrário do que muitos imaginam. O inverno em Windhoek apesar de muito solarengo é quase gélido e as temperaturas rondam os 0ºC durante a noite.Durante o dia sobem um pouco e rondam os 20ºC. Foi por isso bastante difícil para mim saír do quente verão português para entrar de repente no frio inverno do sul Africano.

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Temperaturas à parte, a cidade é muito agradável, simpática e segura e onde todos possuem um lindíssimo sorriso na face. As ruas apresentam-se limpas e todas as infra-estruturas estão em muito bom estado de manutenção. Uma organização ao estilo da África do Sul, que continua a exercer uma grande influência neste país... Todo um conjunto que contrasta com os países vizinhos mais a norte...

Por toda a cidade é visível também a influência alemã que exerceu alguma soberania sobre o território em finais do séc XIX e cujos colonos foram importantes para o seu desenvolvimento. Sinais desses tempos são por exemplo a Igreja de Christuskirche e o Gathemann's Complex, entre outros edifícios coloniais de menor dimensão que se vão encontrando um pouco por toda a cidade.

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Muitas das ruas possuem ainda nomes em Alemão, sempre acabados em "strasse" tipo a Bahnhof Stasse...

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Na realidade a Namibia e Windhoek em particular são um pequeno tesouro escondido neste sudoeste Africano. Um país lindíssimo, calmo e agradável e de gentes fantásticas que acredito que não publicitam propositadamente o país de modo a conseguirem manter incógnito este pequeno pedaço de paraíso, longe das atenções e cobiças.

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06 juillet 2009

Namibia 1 - Um Sábado de Aventura

Um repentino e inesperado convite para participar num pequeno projecto trouxe-me de novo a terras Africanas. Namíbia, o destino, uma semana e meia, a duração. A curta estadia traz um problema acrescido, o trabalho consumirá mais tempo e não permitirá grandes passeios turísticos. Para piorar é-me exigido que permaneça durante o único fim-de-semana que cá estou por perto de modo a poder fazer um melhor acompanhamento da rede e poder intervir em caso de necessidade.

A viagem durou cerca de 24h. Marcação de última hora levou a que andasse de aeroporto em aeroporto, primeiro Londres, depois Joanesburgo, até aterrar por fim no Aeroporto Internacional de Windhoek, capital da Namíbia. Chegada sem sobressaltos, pego na bagagem e dirijo-me ao Rent-a-Car para levantar o carro que me estava reservado. Procedimentos habituais e meto-me à estrada. 40Km separam o aeroporto de Windhoek, numa estrada larga, bem asfaltada, de rectas enormes a atravessar um enorme planalto de paisagem terrivelmente seca mas bastante encantadora. África no seu melhor!

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E digam lá que não é um prazer viajar aqui…

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Cerca de 30Km depois a paisagem começa a mudar. Entramos na zona de montanhas com o relevo a ficar bastante acidentado. A estrada começa a serpentear pelos vales constantemente secos mas de um bonito dourado da vegetação seca. Atravessa rios sem água, contorna colinas e penhascos e por fim desemboca na Av Dr Sam Nujoma, uma avenida já dos subúrbios da cidade. Aparecem as primeiras urbanizações e alguns espaços comerciais. Imediatamente dá para sentir que a cidade está bastante bem organizada e com uma boa manutenção das principais infra-estruturas. Ruas e passeios bem cuidados, limpos e espaços públicos bem mantidos.

Os primeiros dias são passados a trabalhar, muitas das vezes até noite dentro. Mentalizo-me de imediato que não terei grande tempo livre para conhecer pelo menos a cidade. Os planos que havia feito reservaram o fim-de-semana para uma ida ao sul, a Sossusvlei para ver as famosas dunas alaranjadas e um dos postais da Namíbia. A cidade seria visitada aos poucos durante a semana. Infelizmente os planos começam a falhar, e terei de optimizar melhor o tempo do fim-de-semana.

Chega por fim a sexta-feira e a terrível notícia que terei de trabalhar no sábado. Operações na noite de sexta-feira que exigem um acompanhamento ao longo de todo dia de sábado. Não podia ser pior…

Sábado de manhã, acordo ao som da empregada a bater e do seu irritante “House keeping!”. Olho para o telefone, ainda é cedo e tenho um sms. O meu colega informa-me que as operações correram mal e que foram adiadas para a noite de sábado. Bonito, agora nem sábado nem domingo, mas…

Olho de novo para os mapas, consulto o guia e decido perguntar na recepção aos locais que muitas vezes são bastante mais precisos. Sossusvlei fica a uns 350Km de Windhoek e dependendo das condições da estrada, se demorasse umas 4 horas de viagem poderia ir e vir no mesmo dia e ainda chegaria a tempo de participar nas operações. Segundo a recepcionista a estrada é boa e a viagem deve demorar umas 3 horas. Acho estranho, pergunto pelo piso e se qualquer carro pode circular ou se é necessário um 4x4. No mapa a estrada aparece como sendo de gravilha. Responde-me de novo que a estrada está boa e que um carro normal pode circular. Bom, decido arriscar. Corro para o quarto, meto uns quantos bens necessários na mochila, pego no carro, estação de serviço, ATM para levantar dinheiro, compro água, alguma comida e meto-me ao caminho.

Apanho a estrada C26. Está asfaltada e em boas condições. Ando alguns quilómetros e a esperança de ver as dunas renasce. “Jusqu’ici tout va bien” digo para mim próprio. Se for sempre assim safo-me. Mas depressa o entusiasmo se desfez, passados uns 15Km o asfalto acaba e começa a gravilha. Sigo em frente ainda sem saber o que fazer. A paisagem é deslumbrante.

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Continuo sempre com o dilema do sigo/não sigo a matutar no juízo. Andei cerca de 10 Km na gravilha e por fim consciencializo-me e desisto. O meu carrito não vai aguentar mais de 300Km nestas condições e vou demorar umas 5 horas a chegar. Pior ainda, a probabilidade de furar um dos pequenos pneus é enorme e pode acontecer a mais do que um, o que no meio do deserto não é um panorama nada apelativo, ainda mais estando sozinho. Dou meia volta e regresso a Windhoek.

Ao percorrer a mesma C26 mas no sentido inverso vou pensando no que poderei fazer para preencher o meu sábado. Lembrei-me então de uma reserva não muito longe de Windhoek onde é possível fazer caminhadas por alguns trilhos no meio da vida animal. Segundo os responsáveis, a reserva não possui animais perigosos e é possível passear pela reserva a pé.

A caminho da reserva de Daan Viljoen tenho de parar num controlo policial na estrada, onde surge um polícia bastante mal encarado e com cara de quem quer arrancar uns trocos. Dá a volta ao carro como que quem procura algo com que implicar, vê os selos no vidro e vem ter comigo. _Are you from Namíbia? _ Pergunta num tom rude. Respondo que não, ao que ele lança de seguida: _So where are you from? _ Respondo que de Portugal. A cara do polícia muda radicalmente. Do seu ar carrancudo passa para um ar bastante mais simpático e alegre. _ Ahhh! Portuguêsss!!! Como essstásss? _ Respondo: _ Tudo bem! _ You can go… _ E faz-me um sinal para seguir. Parece que o ser português na Namíbia me livrou de algumas implicações…

Uns minutos depois chegou ao portão de entrada da reserva. Uma senhora vem ter comigo, preenche um formulário com os dados do carro e entrega-mo dizendo que o tenho de apresentar na recepção, alguns Kms depois. É o que faço. Estaciono, entro, pago, e é-me entregue um mapa, ou melhor, uma fotocópia de uma tentativa de mapa desenhado à mão e com os principais trilhos a seguir. Existem 3, um de 3 Kms, outro de 9Km e ainda um outro de 32Km que abrange a quase totalidade da reserva. Opto pelo de 9 e meto-me ao caminho. Notei que havia apenas mais um carro no parque de um casal de meia-idade que, segundo me apercebi, apenas ia dar uma volta de carro.

Informaram-me ainda que todas as instalações da reserva, como o restaurante, o parque de campismo e os apoios estavam fora de serviço. Parece que está a sofrer uma remodelação e que está tudo em obras. Para mim tem um aspecto mais de abandono do que de remodelação e isso notei logo quando tentei apanhar o meu trilho. Foi preciso “apalpar” um pouco até dar com o início e com a pequena e enferrujada placa que o indicava. O início é coincidente com o trilho de 32Km e começa no leito de um pequeno e seco rio.

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A temperatura está fresca mas ao sol o calor aperta. É incrível como passo de uma sensação de calor ao sol para frio quando estou à sombra das árvores. Vou alternando…

Existem bastantes vestígios de animais, pegadas, algumas de grande dimensão, fezes um pouco por todo o lado e alguns barulhos que se vão escutando de vez em quando. Pelo tamanho de algumas pegadas fico com algum receio. Há animais de grande porte e selvagens, pelo que nunca se sabe que atitudes podem ter. É aí que percebo que não deveria ter vindo sozinho. Uma caminhada destas, tão longa e num parque selvagem sem qualquer companhia é um grande erro. Mas já cá estou e não vou desistir.

Uns babuínos atravessam o trilho um pouco mais à frente e desaparecem por detrás dos arbustos. Com este silêncio e com o tipo de solo sou facilmente detectado Os meus passos sobre as pequenas pedras da gravilha fazem algum ruído, o que afugenta os animais. Isso impede que consiga tirar-lhes fotos, pois só os vejo mais ao longe e a minha máquina não possui grande zoom.

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Após ter percorrido cerca de 2 Km, noto que o trilho se aproxima da estrada principal de acesso à recepção e chega mesmo a passar a poucos metros dela. Segundo o mapa, o trilho afasta-se da estrada o que me leva a pensar que em alguma parte do meu percurso me enganei. Durante estes 2Km não existiu qualquer informação à excepção de 2 ou 3 ferros pintados de branco e espetados no chão. E isso ainda muito no início. Fico na dúvida, olho para o mapa mais algumas vezes e decido voltar atrás. A última coisa que quero é perder-me por seguir um trilho errado.

Na volta, encontro um outro trilho que se dirige para o sentido oposto da estrada. Talvez seja aqui que me enganei e entro nele para ver se faz mais sentido, ainda que sempre na dúvida. Este, leva-me a uma zona um pouco mais aberta, onde avisto o grupo de babuínos, com um grande macho de guarda e que dá sinal logo que me vê. Afasta-se mas sempre a controlar-me e a emitir uns rugidos ameaçadores. Afasto-me o mais possível do grupo de babuínos e dou de caras com um grupo de javalis. Bom, pelo menos valeu a pena esta alteração de percurso. Sigo mais um pouco para ver onde me leva e entro numa zona que me é familiar. Fiquei com a impressão que já lá tinha passado e não foi difícil confirmar isso, pois ainda eram visíveis as minhas pegadas no sentido inverso. Decido continuar para trás até encontrar algo que me diga que estou no trilho certo. Voltei quase até ao início, onde encontrei um dos ferros branco. Decidi acreditar que são uma indicação válida. Bom, se aqui estou bem, então vou voltar a fazer o trilho principal a ver se encontro alguma alternativa…

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Volto a passar pelo espaço aberto onde o babuíno ainda se encontra e mais uma vez não fica feliz com a minha presença. Sei que o estou a provocar e o melhor mesmo é afastar-me o mais possível dele.

Caminhei, caminhei, caminhei e por fim lá estava de novo junto à estrada principal…

E agora que faço? Sigo e acredito que o mapa está mal desenhado? Ou desisto e volto para trás? Bom, não andei estes Kms para desistir. Optei por seguir o trilho e sempre a controlar o tempo e a distância, para que, em caso de me sentir perdido e perceber que o trilho não é este poder voltar atrás, à estrada principal e depois até à recepção.

O trilho começou a ficar bastante mais acidentado. Comecei a subir e a descer montes e sem nunca ter a certeza que estava no caminho certo. Tinha também a pesar o facto de ser obrigatório estar na recepção antes das 18h e de não poder andar por ali a vaguear após o pôr-do-sol, o que se pode tornar perigoso. Sabendo o tempo que estava a demorar a percorrer esta nova parte e controlando as horas segui com alguma segurança.

No entanto, a segurança ia diminuindo à medida que ia avançando. Não me agradava a ideia de percorrer aquele mesmo caminho de volta, pois era muito acidentado e difícil. Em frente, também não estava certo que chegaria ao meu destino.

Segundo o mapa, estaria a entrar na zona onde é mais frequente encontrarem-se as zebras e logo após teria de voltar à direita num novo trilho. De facto encontrei algumas zebras que se afastaram mal deram pela minha presença. Talvez um sinal que esteja bem… Um pouco mais à frente existe de facto um caminho à esquerda. Bom, talvez esteja bem, e lá segui por esse caminho. Vejo mais alguns animais e o passeio até poderia estar a ser bastante interessante não fosse esta dúvida constante e o estar a caminhar na incerteza. Para piorar, este novo trilho toma uma direcção diferente da que está no mapa. Vejo pela posição do sol que me afasto um pouco do ponto para onde me devia dirigir. Aumenta a dúvida e o receio de ter de voltar a fazer todo aquele caminho de volta. Já lá vão alguns kms.

Com o decorrer do passeio aumenta a dúvida. O trilho segue de facto uma direcção que eu não esperava e é então que defino uma meta. Se no cimo daquela colina me aperceber que o trilho mantém esta direcção errada, volto para trás. Chegado ao cimo da colina tenho outra em frente. Mudo a minha meta para o próximo cume. Repito o acto por mais duas vezes até que chego a um ponto em que decido desistir. Mantém-se a direcção errada, estou-me a afastar e começo também a ter receio de estar no trilho dos 32Km. Olho em volta mais uma vez antes de voltar para trás até que… No meio da vegetação encontro um daqueles ferrinhos pintados de branco. Arrisco? Sim. Chegado ao ferro, vejo um mais à frente. Nesta parte o trilho desfez-se no meio dos arbustos e deve ser por isso que o assinalaram. Encontro mais uns 3 ou 4 ferros que me guiam pelo meio da seca vegetação e desemboco num novo caminho. Ainda não estou seguro que estou correcto mas este novo caminho toma a direcção certa, para norte. Arrisco? Sim.

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Esta parte do percurso continua bem acidentada. É no entanto bem mais interessante em termos de observação de aves. Ao longe não vejo nada que me seja familiar. Esperava visualizar a recepção ou algum outro ponto perto, mas não consigo. Mantêm-se as dúvidas.

Entro na fase do risco. Começa a ser tarde para voltar atrás. O sol já se começa a esconder por detrás dos montes mais elevados. Os vales mergulham na sombra e ou de facto este é o caminho certo, ou vou ter problemas…

Até que, ao descer um dos montes, vejo ao longe, do outro lado do vale uma pequena placa em branco. Talvez seja alguma indicação e acelero o passo. Atravesso mais um rio seco e subo pelo trilho que me leva à placa. As pernas já começam a dar de si, foram muito kms já percorridos. Ao chegar tudo muda e acho que nunca fiquei tão feliz por ver uma placa. “Hiking End” diz, apontando para um estreito trilho à esquerda. Estou perto penso e olho na direcção que me é indicada. Não podia estar mais errado. Um enorme monte apresenta-se à minha frente e terei de o atravessar…

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É talvez uma das partes mais complicadas do percurso, com a dificuldade acrescida de já acusar algum cansaço. Ao chegar ao topo vejo do outro lado um lago e um edifício, e dirijo-me para lá. É o restaurante do parque, agora fechado e com um ar um pouco sinistro. Ao chegar perto, afugento um grande número de animais que por ali descansavam e se alimentavam. Dada a proximidade do lago, este é um local apelativo.

O restaurante dista cerca de 500m da recepção que se avista no cimo de um monte próximo. Esta ultima parte foi bem mais relaxada e com algum tempo ainda para observar aves e outros animais que nesta zona conseguem matar a sede.

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Atinjo por fim a recepção. O meu carro lá continua solitário no parque de estacionamento. A funcionária aguarda cá fora e mal me vê começa de imediato a fechar as portas. Termina assim esta aventura em Daan Viljoen que acabou da melhor forma. Foi um passeio fantástico de intenso e excitante contacto com a natureza e com a vida animal africana. Talvez apimentado por este factor de indecisão e de risco vai-se tornar certamente numa aventura inesquecível.

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01 mai 2009

Camboja 9 - O País Que Não Me Queria Deixar Partir

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Chegou ao fim a minha participação neste projecto no Camboja. O vôo de regresso estava marcado para o último dia útil da semana, a sexta-feira às 20h25. O dia foi passado a trabalhar e a finalizar algumas tarefas. Já tinha tudo controlado, saíria às 16h, iria até ao hotel para terminar de arrumar o resto da bagagem e fazer o check out, até às 17h. Seguidamente teria ainda de passar pelo escritório da empresa para algumas despedidas e para deixar o cartão SIM do telefone (estava a trabalhar nos escritórios do cliente), esperando ter tudo terminado por volta das 18h, podendo-me dirigir então para o aeroporto onde poderia chegar até às 19h30. Tempo mais que suficiente e com grandes tolerâncias.

Fora do previsto estava a grande tempestade que se abateu sobre a cidade ao início da tarde. Uma forte trovoada acompanhada de chuvas torrenciais, bem ao jeito da monsão que ainda não chegou. Em tom de bincadeira, os meus colegas iam-me avisando que o melhor seria ficar por lá e que muito provavelmente o avião não poderia descolar... Respondi-lhes sempre que já tinha saído do Camboja em condições mais adversas e que não haveriam problemas...

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Às 16h e poucos minutos, após as difíceis despedidas lá deixava eu o escritório. O motorista lá me esperava, mas, ao saír do escritório a grande surpresa. A rua estava completamente alagada e era impossível chegar ao carro. Após várias manobras e a aproximação o mais possível da parte do passeio com menos água, lá consegui saltar para dentro do carro.

Circulando por ruas alagadas lá nos dirigimos ao hotel, cuja rua estava ainda mais alagada e com uma altura de água muito superior. O motorista diz que não pode chegar mais perto e estaciona a cerca de 30m da entrada. Peço-lhe que tente ir o mais proximo possivel, pois não posso caminhar dentro de água. Responde que não consegue e não tenho outro remédio. Lá tiro os ténis, arregaço as calças e mete-me à água. Vou descalço pelo passeio com água pelos tornozelos. Ao entrar todos se riem e comentam o estado da rua.

Termino de empacotar toda a bagagem e desço ao rés-do-chão para o check-out. Ao saír do elevador surge uma preocupação. O nível da água está bem mais elevado. Terminamos as contas e lá de dirijo de volta ao carro descalço pelo meio da água. Felizmente tive ajuda para a mala maior.

O motorista diz que não pode seguir por aquela rua e tenta uma outra. Ainda são 17h e temos bastante tempo. Ao tentarmos entrar na Boulevard Preah Norodom constatamos que o transito se encontra parado, numa extensa fila. Pelo facto de muitas ruas se encontrarem alagadas o trânsito dirige-se para as poucas avenidas livres das inundações, como esta que queríamos apanhar, congestionando-as fortemente.

Meia volta e tentamos apanhar a avenida marginal, junto ao rio. Mais uma fila demorada causada por algumas obras e seguimos. Sinto o nervoso miudinho desta minha ansiosidade pré-viagem a invadir-me o corpo. Olho para o relógio e ainda temos muito tempo...

A cerca de 1Km do escritório, o nosso próximo destino somos apanhados de novo numa fila de trânsito. Esperamos, esperamos, esperamos e não saímos da mesma posição. Começo então a sentir o nervosismo a crescer. Ainda há tempo, mas o facto de a fila não se mexer há mais de 30 minutos deixa preocupações. Aproximam-se as 18h de decido deixar o carro e ir ao pé para adiantar as despedidas. Dou ordem ao motorista para que continue a dirigir-se para lá para depois me apanhar.

Deixo o veículo e sigo a pé pelo meio da rua. Nesta zona os passeios estão muito enlameados e é preferível circular no meio das faixas de rodagem. Além do mais o trânsito está todo parado. Ao chegar ao fim, a rua está totalmente inundada e não consigo passar. Não devo molhar os ténis, pois vou passar quase 20h em viagem e será muito desconfortável fazê-la com os pés molhados. Volto atrás e tento encontrar alternativas. Vou por uma paralela, entro na rua pretendida, mas mais à frente sou de novo bloqueado. Não tenho mais hipóteses de passagem. Tento ligar ao motorista para saber onde está, sem sucesso. Com todas estas filas é impossível aceder à rede que se encontra completamente congestionada. Faço várias tentativas e todas elas frustradas. Olho para o relógio, o tempo continua a passar e já passa um pouco das 18h. Decido esperar um pouco e recebo uma chamada do motorista que diz que continua bloqueado no mesmo sítio e que não vamos conseguir chegar ao aeroporto. Mais nervoso a invadir-me...

Opto então por ir de Tuk-tuk para o aeroporto e tentar alterar o bilhete para mais tarde. Toda a bagagem está no carro que ainda se encontra longe. Apanho o Tuk-tuk e lá vamos nós. De repente penso que nunca terei sucesso. Tenho o passaporte junto da bagagem no carro e nunca me farão a alteração do bilhete sem este documento. Peço para parar. Saio e tento apanhar uma moto-taxi, uma das pequenas motoretas que circulam pela cidade. Uma pára e pergunto se consegue chegar mesmo com a inundação e o trânsito parado ao meu escritório. Diz que sim. Monto e lá vamos. Ao chegarmos ao cruzamento alagado tudo continua no caos. O motorista da moto-taxi vai tentando circular por entre os veículos mas a certo ponto desiste. É impossível. Eu não tenho outra solução. Desmonto na parte seca, tiro os ténis mais uma vez e corro pelo meio da rua. Não consigo encontrar o motorista nem ligar. Fico completamente em stress.

Entro no escritório que já tinha muito poucas pessoas. Não dá para despedir de ninguém e já só quero ligar ao motorista através da rede fixa de deverá estar operacional. Consigo fazer a ligação e ele diz-me que andou um pouco e dá-me a sua nova localização. Corro de novo para a rua e consigo encontrá-lo no meio de todo aquele caos após andar um pouco para trás e para a frente... Diz-me que não temos hipótese. Digo-lhe que não desisto, tiro toda a bagagem do carro e corro pelo meio do trânsito, pelo meio das ruas alagadas com toda a minha bagagem. Chego por fim à parte seca. Calço-me e corro para a avenida que se dirige ao aeroporto, até saír de toda aquela confusão. Encontro um Tuk-tuk livre e pergunto-lhe quanto me cobra para me levar ao aeroporto e se consegue chegar lá em 30 minutos. O condutor apercebe-se do meu desespero e pede uma exorbitância, 10 dólares. Ofereço-lhe 5 e ele não se mostra flexível. Sabe que estou em aflição. Cedo eu, pois só quero lá chegar qualquer que seja o custo. Dirigimo-nos ao aeroporto, são 19h e tenho apenas 30 minutos. Em condições normais é esse o tempo.

A avenida está desimpedida, com algum trânsito mas fluído. Relaxo um pouco e renascem as esperanças. É então que dou pelo meu estado. A t-shirt está molhada pela chuva e pela transpiração, estou sujo e cansado. Não me interessa, apenas quero chegar.

De repente tudo se volta a complicar. O trânsito pára. Volta o nervoso e a aflição. Andamos um pouco e apercebo-me que os semáforos estão avariados. Não podia ser pior, nada corre bem...

Perdemos muito tempo e andamos muito devagar. Vou controlando o tempo que vejo fugir a grande velocidade. Chegam as 19h30, chegam as 19h45 e finalmente começamos a andar... As minhas esperanças apesar de ténues ainda existem e acredito até ao fim. O Tuk-tuk corre à sua velocidade máxima pela Av Confederation de la Russie, o principal acesso ao aeroporto.

Chegamos então por fim. Deixa-me nas partidas, saio, pago e corro para o interior. O check-in, logo ali em frente... Olho com esperança... Está aberto, consegui! Olho para o relógio, são 20h. Consegui!!!

Mais algumas pessoas chegam vítimas também do caos neste dia. Phnom Penh é uma cidade calma e estas situações não são nada normais.

Já estou dentro do avião e tenho tempo para pensar e essencialmente para relaxar. Vem-me mais uma vez à memória o meu "consegui". Chega ao fim a minha estadia no Camboja e chega ao fim este grande pesadelo para apanhar o vôo de regresso. O Camboja é um país fantástico e muito especial que me deixa recordações maravilhosas. É um país com uma grande energia e com um grande poder. Poder esse que não me queria deixar partir...

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15 avril 2009

China 2 - Macau

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Apenas a 65Km a Oeste de Hong Kong fica a ex-colónia Portuguesa Macau, o primeiro enclave europeu em território Asiático.

A forma mais fácil de viajar entre estas duas cidades é através do velocíssimo Ferry que demora cerca de 1h a fazer todo o trajecto e que parte com intervalos bastante regulares, que chegam a ser de apenas 10 minutos nas horas de maior tráfego.

Manhã de Domingo de Páscoa, acordo cedo, pego na mochila e lá vou eu de encontro ao Macau Ferry Terminal na zona costeira de Honk Kong entre Central e Sheung Wan. Pouco mais de uma hora depois atracava em Macau.

Coincidência ou não (pois tudo tem a sua razão de ser), quando estava no aeroporto de Phnom Penh à espera do vôo para HK soou-me algo ao ouvido que me fez disparar o alarme interno da minha percepção. Isto é português! Ao direccionar o olhar para a origem de tão familiares palavras descubro que vêm de uma senhora que caminhava com a sua filha... Já não vou a tempo de dizer algo, pois caminhava para a fila do embarque. Já dentro do avião falei com este simpático casal, que eram mesmo portugueses e que vivem há uns anos em Macau, para onde se dirigiam após umas férias no Camboja. Já em Hong Kong foram companheiros de viajem até ao centro da cidade, trajecto esse que muito gentilmente aproveitaram para me fornecerem muitas e importantes dicas sobre Macau.

Uma das informações que os meus compatriotas me passaram foi que os Chinenses tanto de Macau como de HK não são muito simpácticos. Referiram também que a grande maioria dos taxistas em Macau não falam senão chinês, sendo apenas uma minoria os que falam inglês. Preparado para tal, ao entrar no taxi tentei ser o mais claro possível quanto ao meu destino, e em inglês pronunciei "Senate Square", o Largo do Leal Senado e o ponto de referência da cidade. O taxista arranca e lá diz qualquer coisa que eu entendi como: _ "Uót?" _ Repito a direcção ao que ele responde de forma agreste e nada gentil: _ "AH! SÉNÁDÓ!!!" _ Sim, isso...

O Largo do Leal Senado é uma pequena praça rodeada de bonitos edifícios coloniais e onde se localiza o antigo Senado, ou edifício do governo regional. A praça, toda ela de aparência tipicamente portuguesa, possui alguns dos mais bonitos edifícios da cidade e é toda ela pavimentada com calçada bem ao nosso estilo.

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Ao fundo do largo, caminhando em direcção a norte, fica a Igreja de S. Domingos, com as suas características portas e janelas verdes.

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Subindo uma das laterais do largo, a travessa de São Domingos, encontramos o Largo da Sé e a Catedral de Macau.

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Descendo agora a travessa da Sé, e seguindo pela movimentada rua de São Domingos chegamos ao Consulado de Portugal, um grande e imponente edifício na esquina com a Calçada do Monte.

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A Calçada do Monte é uma pequena artéria de fazer lembrar muitas das íngremes ruas de Lisboa.

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No cimo da calçada fica a Fortaleza de São Paulo do Monte, uma fortificação construída entre 1617 e 1626 com o objectivo de proteger a cidade dos sucessivos ataques dos Holandeses.

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É nesta fortaleza que está instalada a placa com que é inciada esta crónica.

Graças à sua previligiada localização, o forte dispõe de uma ampla e desafogada vista sobre a quase totalidade da cidade.

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A fortaleza alberga também o muito interessante Museu de Macau, que possui temas desde a génese de Macau, as artes populares de tradições até à Macau contemporânea. O museu já me havia sido recomendado e é de facto bastante interessante e um dos pontos obrigatórios.

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Uma escadaria na lateral do forte leva-nos até aquele que é o principal símbolo de Macau, as ruínas da Igreja de São Paulo. Actualmente apenas resta a fachada desta igreja do séc. XVII também conhecida em Cantonês como Tai Sam Ba.

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Descendo a Calçada de S. Paulo somos presenteados com uma infinidade de lojas de souvenirs e várias pastelarias com doces típicos de Macau e um destaque especial para os nossos pastéis de nata.

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Através da Rua Central temos acesso a mais alguns pontos de grande interesse, como a Igreja de S. Agostinho e o Teatro Dom Pedro V.

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A continuação da rua entra directamente na Rua de São Lourenço, onde fica localizada a igreja com o mesmo nome.

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Não muito longe fica o Largo do Lilau, um pequeno e romântico largo que possui um bonito e tradicional quiosque e uma fonte, que segundo diz a tradição, quem beber da sua água vai voltar um dia a Macau. Não é que não queira voltar, mas prezo muito a minha saúde...

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Mesmo ao lado a Calçada do Lilau, uma pequena ruela de aspecto tipicamente português, e um pouco mais abaixo o edifício da Polícia Marítima que resultou do restauro de uns antigos pavilhões do séc. XIX.

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Deixando a tradicional Macau parti também à descoberta da área mais recente e moderna. O crescimento de Macau tem sido impressionante, muito impulsionado pelo jogo e pelos inúmeros casinos que a cidade possui.

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Entrando na área dos casinos, com ambos os Casinos Lisboa, o antigo e o novo, uma gigantesca e altíssima torre de gosto um tanto ou quanto duvidoso...

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A Avenida da Amizade é o o grande polo do jogo, onde se localizam a grande maioria dos casinos.

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Ao fundo, e na zona junto ao cais é possível observar a Ponte da Amizade, com destino à ilha de Taipa.

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E já que estamos na Las Vegas da Ásia...

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Outro dos ponto fortes de Macau é a sua cozinha, fortemente impulsionada pela presença portuguesa. Existe também um grande número de restaurantes portugueses espalhados um pouco por toda a cidade.

Coincidência dentro da coincidência foi o facto de o casal de portugueses que encontrei me ter recomendado um restaurante português de um rapaz de Alcobaça?! Disparou o segundo alarme... Alcobaça? Bom, então tenho mesmo de lá ir... Um conterrâneo! Assim sendo, e à hora de almoço lá me dirigi eu ao restaurante Ou Mun Café na Travessa de São Domingos mesmo junto ao Senado. Nada melhor para o meu almoço do dia de Páscoa que uma Perna de Cabrito no Forno, bem saborosa e que serviu para matar saudades da cozinha portuguesa. Recomendo! No final lá conheci o Alcobacense/Beneditense Fernando Marques que se encontra em Macau à cerca de 10 anos a gerir este simpático café restaurante.

Ao contrário de Hong Kong, não trazia quaisquer espectativas em relação a Macau. Tinha alguma curiosidade pelos motivos históricos mas não fazia qualquer ideia de como seria a cidade. Talvez por isso que a surpresa tenha sido maior. Macau surpreendeu-me muito pela positiva! É uma cidade bastante interessante, com uma componente histórica significativa, pelo menos comparando com as outras cidades da região, e que exerce um fascínio especial por ter tanto de Portugal num continente tão lingínquo e no seio de uma cultura tão diferente. As ruas em calçada, os edifícios coloniais, os fortes, faróis e principalmente o facto de tudo estar escrito em Português e Cantonês fazem com que seja um lugar muito especial para qualquer português.

Foi-me também feita uma grande revelação nesta cidade que poderá pôr em estado de choque toda a comunidade Cristã e que vai certamente levar a grandes guerras e discussões no interior da igreja.
Tive de vir para o oriente para que me fosse feita esta revelação!
Algo que será difícil de assumir... Algo que levará à histeria milhões de fiéis... Algo que poderá mudar o mundo!!!

A revelação?! Foi-me revelado que... Jesus Cristo é Chinês!!!

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14 avril 2009

China 1 - Hong Kong

A visita à cidade de Hong Kong era uma das paixões antigas, um dos sonhos que pacientemente aguardava por uma oportunidade para se converter em realidade e assim saciar este desejo recalcado de visitar uma das mais importantes urbes do mundo. O ano novo Khmer concedeu-me alguns dias de folga e mal me cheirou a oportunidade corri logo em direcção à agência de viagens. Afinal são pouco mais de duas horas de viagem, algo insignificante para uma cidade que nos é tão remota.

Enganem-se aqueles que pensam que a cidade decaíu após a passagem para a alçada da enorme e controversa China. A cidade está mais viva e cresce mais que nunca, conquistanto espaço ao mar e aos céus sem nunca perder o seu encanto e brilhantismo. Uma cidade de obras, dinâmica, de grandeza e acima de tudo de sensuais contrastes que vão dos verdejantes montes à cidade e ao mar, do moderno ao mais tradicional chinês, dos diferentes cheiros que varrem as ruas e sobretudo do multi-culturalismo que aqui desfila e se sente parte deste moderno quotidiano.

A cidade, com quase 7 milhões de habitantes, está dividida entre a ilha de Hong Kong, mais rica, mais moderna e cosmopolita, e a parte continental, Kowloon, mais tradicional, ainda que tenha vindo a sofrer um rápido desenvolvimento nos últimos anos e se tenho começado a afirmar como o grande polo cultural da cidade.

Fiquei alojado na ilha de HK. Perto do metro, dos ferries, do comboio expresso para o aeroporto e de todas as facilidades e pontos turisticos. O centro não é grande e dá para visitar quase tudo a pé. Lá vou eu, pela Queen's Road de mochila às costas e a olhar para cima... Aqui tudo é em altura e quase que fiquei com um torcicolo.

Primeiro ponto de paragem, a Catedral de St John's bem no coração da Central, o coração da cidade. Sina a minha, estava em obras...

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Não muito longe, alguns dos edifícios mais emblemáticos da cidade, com o Bank of China como destaque.

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A Oeste do famoso edifício fica o agradável Hong Kong Park, uma das muitas áreas verdes da cidade e que inclui algumas atracções como um aviário, com várias espécies de aves, o Museu do Chá e um Centro de Artes.

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Verdadeiramente impressionante toda esta grandeza em tão pouco espaço, numa densidade vertiginosa, mesmo encosta acima. Cada metro quadrado é aproveitado ao máximo e nada é desaproveitado.

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Mesmo ao lado, a zona de Admiralty, um complemento à zona de serviços e também com algumas boas zonas de restauração e diversão.

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A oeste da zona Central, fica a mais tradicional Sheung Wan, conhecida pelas suas pequenas lojas de venda de produtos tradicionais chineses e pelos vários mercados, sendo o mais conhecido o Western Market.

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A meio do passeio pelo bairro descobri por acaso o Hollywood Road Park, um pequeno parque bem ao estilo oriental onde muitos chineses praticavam as mais diversas actividades, incluíndo a que se vê a seguir a ser praticada por aquele senhor.

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Não muito longe os templos de Kwun Yam e Man Mo.

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Passando para o lado de Kowloon parece que entramos noutra cidade. Com uma arquitectura bastante diferente, bem mais clássica, e uma vida também bem mais tradicional. Aqui imperam os mercados e o comércio tradicional chinês, também com maiores enchentes.

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Em Kowloon fica também o templo de Tin Hau, com os seus peculiares incensos em espiral pendurados no tecto e que lhe conferem uma atmosfera muito especial.

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O mais fabuloso nesta parte da cidade é mesmo a zona ribeirinha, com vista para a ilha de HK e o seu Passeio das Estrelas.

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A vista é absolutamente fantástica, e só foi pena não estar um dia mais claro...

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Dado o esplendor do local, fiquei algum tempo a apreciar a vista e a beleza da cidade até que algo de estranho se passou. Duas raparigas e um homem um pouco mais velho que elas aproximaram-se e uma delas perguntou-me se podia tirar uma fotografia. Prontamente respondi que sim e eis que quando vou para fazer o gesto de pegar na máquina, ela se afasta e me faz um gesto para me afastar. Inocentemente pensei que queriam que lhes tirasse a foto, mas no fundo a rapariga queria era tirar uma foto comigo. Mais estranho, o facto de o homem me fazer sinal para me juntar mais a ela... Bom, lá tirámos a respectiva fotografia, e quando lhes perguntei se me podiam tirar uma a mim, com a minha máquina, de novo a rapariga se colocou ao meu lado. Lá ganhei uma amiga!

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Caricato foi o facto de a cena se ter repetido... Será que sou um Sex Symbol na China?! Não que me desagrade por completo...

Com o caír da noite a paisagem fica ainda mais espectacular. Os edifícios enchem-se de luz e de cor. A magia apodera-se da cidade e não conseguimos ficar indiferentes. Maravilhoso só pensava. Maravilhoso!

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Às 8h da noite em ponto iniciou-se o que se considera o maior espectáculo de luz permanente do mundo, o Symphony of Lights. Ficam os franceses contentes por ser uma das suas atracções a Torre Eiffel piscar de hora a hora. Pois bem, estes chineses conseguem pôr uma cidade inteira a dançar ao ritmo da música com um espectáculo de luz, laser e som absolutamente fantástico. Encontrei no youtube um vídeo com este espectáculo. A qualidade de imagem não é a melhor, mas dá para ter uma ideia. Não esquecer que são tudo edifícios de várias dezenas de andares. O vídeo não consegue transmitir a grandeza do espectáculo em termos da sua real dimensão...

Outro ponto obrigatório na cidade de HK é o The Peak, o pico de um dos montes nas traseiras da cidade encantada. O acesso é feito através de um eléctrico que sobe com uma inclinação considerável, que chega por vezes aos 45º e que serpenteia através de escarpas verticais e assustadoras. No topo, um edifício bem moderno que alberga a estação do eléctrico, um centro comercial e um grande terraço com uma das mais fabulosas vistas do planeta.

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E vamos a elas...

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A versão melhorada com um tipo super bonzão...

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E agora deliciem-se!

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Não há palavras...

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Hong Kong é uma cidade verdadeiramente fantástica e especial. É certo que tenho muita admiração por este tipo de metrópoles, por este tipo de estrutura, e esta cidade correspondeu em tudo ao que dela esperava e idealizava. Jamais esquecerei os momentos aqui passados, os passeios através das longas caminhadas que fiz e que me deram cabo no canastro. Mas essa é sem dúvida e melhor forma de conhecer.

Uma cidade moderna, com um conceito bastante diferente do conceito europeu de cidade e que por vezes se pode tornar um pouco confuso para nós. Habitada por gente também moderna, sofisticada e com uma maneira muito feliz de estar na vida. Dá-se muito valor à moda e ao vestir bem e de facto todos possuem bonitas farpelas de extremo bom gosto. Esta é uma das capitais da moda sem dúvida.

À noite a oferta é muita e variada. Vários são os locais que se enchem de gente, em especial Kowloon e Lan Kwai Fong. Preferi este último e é para mim uma das melhores noites que se podem encontrar. Ruas cheias, de gente bonita e bares de grande qualidade. De fazer lembrar um pouco o bairro alto, talvez com mais requinte.

Tudo isto, sempre na companhia destes meus companheiros inseparáveis destas mini-férias:

Companheiros

Falta um, o mais especial, "A Sombra do Vento" de Carlos Ruiz Zafón, um livro que recomendo vivamente a todos e cujo conteúdo devorei durante estes dias nas pequenas pausas que ia fazendo.

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Hong Kong é uma cidade maravilhosa e super completa, onde se pode encontrar absolutamente tudo. E se alguém duvida?

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Posté par mariobernardes à 11:44 - China - Commentaires [1] - Rétroliens [0] - Permalien [#]



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