Camboja 6 - Casamento da Phally
Sempre considerei que há diferenças entre visitar um país e viver num país, ou seja, entre ir a um determinado local de férias ou para uma estadia prolongada. Falo por experiência própria, pois em todos os países onde estive, há muitos detalhes, muitas realidades, sobre os quais só nos apercebemos após algum tempo. Por exemplo, normalmente, as primeiras semanas são sempre tempos do fascínio, da novidade e da descoberta. Passando a barreira das 4 semanas começamos realmente a viver o país e é aí que começam a ressaltar os problemas, as dificuldades e nos apercebemos de alguns aspectos negativos da sociedade onde estamos inseridos.
Como normalmente as pessoas apenas passam poucas semanas de férias noutros países, é muito raro tomarem consciência dos verdadeiros problemas que os assolam. É por isto que o Portuga também tem aquela falsa ilusão de que lá fora tudo é bom, pois nunca ficam tempo suficiente para ultrapassar esta barreira da fase do encanto.
Isto a propósito de algumas experiências interessantes que podemos ter aquando destas inserções nestes "novos" mundos. Foi um desses momentos especiais que vivi esta semana, ao estar presente na festa de casamento da minha colega Phally. Um convite que decidi aceitar não tanto pela nossa relação pessoal mas mais pelo facto de se tratar da possibilidade de assistir a uma festa deste género na cultura Khmer.
A Phally é a nossa secretária na Alcatel-Lucent Camboja e é talvez a Cambojana mais bonita e simpática que conheci. Para ser sincero, é das poucas Cambojanas bonitas que aqui existem...
As festas de casamento locais são no fundo uma reunião de familiares e amigos num grande jantar, normalmente em grandes restaurantes que existem para o efeito, e onde é feito um pequeno ritual para celebrar o especial momento de união. Por tradição, a noiva pode trocar de vestido 8 ou mais vezes durante a festa, consoante o nível social da família. Isto, num evento que dura poucas horas... A Phally decidiu fugir à regra e segundo as minhas contas usou apenas 4. E não foi pelo facto de pertencer a uma classe baixa, antes pelo contrário.
A ementa foi muito variada desde as várias entradas aos pratos principais. Especial destaque para uma das entradas com um aspecto tipo "noodles" ( massas chinesas ), que só após eu ter terminado me disseram do que se tratava verdadeiramente. Não eram "noodles" mas sim pele de porco...
Mas era bom...
Quanto ao restante, tudo deliciosas iguarias locais.
No final, espaço para as tradicionais danças sempre em torno de uma mesa cuidadosamente ornamentada.
Ainda toda a comitiva Alcateliana.
Com tudo isto, creio que tornei a Phally na noiva Cambojana mais famosa em Portugal ( ainda que sem direito a revistas cor-de-rosa ) e eu no primeiro português a assistir a um casamento Cambojano?! Como os meus netos vão ficar orgulhosos de mim...






















