03 septembre 2006
Moçambique 8 - Inhaca
A ilha de Inhaca, a pouco mais de 30Km a Este de Maputo, é um pequeno paraíso de grandes extensões de areia e águas límpidas. A quase totalidade da ilha é deserta, à excepção de uma pequena estância turística junto a uma pequena aldeia, porta de entrada da ilha.
O acesso é feito quer de barco quer por pequenos aviões. Ambas as hipóteses são um pouco aventureiras... De barco, a viagem dura cerca de 3h, numa embarcação com poucas condições, mas cuja viagem é bonita. Por avião, o tempo de viagem é reduzido a cerca de 30 minutos, mas as fracas condições do pequeno aeródromo transformam a aterragem num filme de terror...
A nossa opção acabou por recair sobre a via marítima. Bastante mais barata e mais agradável.
Chegámos cedo à estação fluvial para apanharmos o primeiro barco, às 7h da manhã. O Sr. da Bilheteira logo nos perguntou se queríamos ir em primeira classe ou segunda, ao que respondi com outra pergunta de qual era a diferença. _ "A diferença é que a primeira classe vai em baixo e a segunda em cima... Mas o Sr. como é turista vai em primeira...".
Da ideia que tinha de como seria o barco, com alguma dimensão, lá fiquei a pensar que a segunda classe iria no piso de baixo, ao nível da entrada e a primeira no andar de cima, talvez um pouco mais "requintado".
Esperámos um pouco e lá começámos a ver a multidão a dirigir-se para o barco recém atracado. Qual não é o espanto quando reparamos que o barco além de pequeno só tem um piso... Mas onde raio é a segunda classe?
Bom, depois de perguntar logo percebemos que a primeira classe vai no piso visível e que a segunda vai em baixo, no porão. Confesso que me impressionou, pois o porão não tem janelas e pelo que me apercebi é um local bastante escuro e pouco arejado. Lá de baixo só ouvia crianças a chorar e nem quero pensar do que aquelas pobres pessoas passaram quando entrámos em mar alto com toda aquela ondulação...
Lá seguimos viagem, com a cidade de Maputo a ficar para trás.
Para a frente, apenas o mar, e alguns "colegas":
Cerca de 3 horas depois, chegamos finalmente à proximidade da bonita ilha de Inhaca. Pelo caminho, deixámos as turvas águas do estuário e passámos a navegar nas bonitas e transparentes águas do Índico.
De repente, o barco pára, e é lançada a âncora. Ficámos bastante surpreendidos pois faltava cerca de 1 Km até à ilha. Volta a agitação e vários pequenos botes começam-se a aproximar. Por fim lá consegui compreender a razão... O nosso barco era muito grande para poder atracar no cais da ilha e corria o risco de encalhar. Assim, todos os passageiros são passados para estes pequenos botes e transportados até à ilha.
A transferência de passageiros foi iniciada e confesso que nunca pensei que algo daquele género fosse possível. O nosso barco era bastante mais alto e as pessoas foram forçadas a descer sem qualquer tipo de ajuda, sem escadas e ou qualquer outro tipo de suporte.
Os pneus laterais serviam de apoios para os pés e lá iam aparecendo umas mão para ajuda. Senhoras idosas, grávidas, turistas, novos e velhos todos tiveram de se desenrascar. Todos juntamente com as bagagens de cada um.
Para piorar a situação, os botes que deveriam levar 5 pessoas foram carregados até um máximo impensável e ultrapassavam as 20 pessoas mais as suas bagagens.
Parecia o barco dos refugiados que tentam atravessar o Mediterrâneo com destino a Espanha... Mas lá fomos...
A água corria a uns escassos centímetros do topo do barco. Eu só tinha a sensação que uma onda ligeiramente maior seria o suficiente para entrar dentro da embarcação e quem sabe até virá-la.
Felizmente tudo correu bem, e chegámos ao cais, onde ainda assim foi atribulado o desembarque. Quase 4 horas depois chegámos finalmente a Inhaca.
A paisagem natural da ilha é verdadeiramente bonita. A aldeia, tem um pouquinho de tudo e alguns restaurantes bastante típicos.
Infelizmente, o último barco de volta a Maputo parte bastante cedo, dada a demora da viagem. Não pudemos desfrutar muito deste pequeno paraíso mas ainda assim valeu muito o sacrifício da viagem. A próxima visita será com toda a certeza de dois dias, é essa a recomendação. 6 horas de viagem para apenas 3 horas em Inhaca é pouco compensador.
Depois de mais uma aventura como refugiados num pequeno bote, desta vez para voltarmos ao barco, lá partimos de volta a Maputo. Mais umas horas ao sabor do mar, da ondulação e desta vez da festa que reinou durante toda a viagem a bordo da embarcação.
02 septembre 2006
Moçambique 7 - Beira
Beira, a segunda cidade de Moçambique que comemora os seus 100 anos por esta altura. Actualmente a cidade não apresenta nada de muito interessante. É apenas mais um pedaço de Moçambique com muitas histórias e edifícios em ruínas.
A cidade é um pouco mais limpa que Maputo, mas ainda assim longíssimo dos padrões europeus. O seu centro histórico está parcialmente recuperado e apresenta alguns edifícios de estilo colonial interessantes.
Na restante malha urbana, o cenário é o habitual...
Não muito longe do centro, encontram-se as ruínas do que foi o hotel mais luxuoso da cidade, o Grande Hotel, agora ocupado por dezenas de famílias. Não resisti em colocar uma foto antiga, com o hotel ainda em funcionamento, que encontrei neste blogue.
Actualmente o panorama é este:
A nascente da cidade, fica a famosa zona balnear do Estoril, antiga zona rica e onde ainda se encontram as residências de uma classe mais abastada, também elas mal tratadas.
A praia do Estoril é um imenso areal que acumula vestígios de construções antigas.
Um dos edifícios mais imponentes da cidade, e que se mantém impecavelmente recuperado é a estação de caminhos de ferro. É um símbolo da importância da cidade em tempos passados e de todo um clima económico bastante expressivo a nível nacional.
A cidade, hoje decadente parece começar já a recuperar dos tempos difíceis. É visível algum investimento e crescimento ainda que algo lento. A cidade da Beira pode ser um ponto estratégico no desenvolvimento de Moçambique. Possui um excelente aeroporto e um porto marítimo que recuperado poderá ser um dos mais importantes da costa oriental de África. É o ponto costeiro mais próximo da cidade de Harare no Zimbabwe e também de Lusaka, Zâmbia. Este porto poderá ser a porta de entrada de produtos tanto para a zona central de Moçambique como para estes dois países.
Em termos turísticos o potencial é também ele significativo. Apesar das praias da cidade não serem de boa qualidade, dada a presença da foz do rio Pungue, nos arredores existem praias interessantes. A alguns quilómetros temos o Parque Nacional da Gorongosa, alvo de recuperação e grande investimento e com um potencial turístico invejável.
01 septembre 2006
Moçambique 6 - Namacha
A cidade da Namacha fica localizada no sul do país junto à fronteira com a Suazilândia. É uma cidade loicalizada a uma altitude mais elevada o que lhe dá a particularidade de ter um clima mais fresco e húmido, com muito verde à mistura. É conhecida como a Sintra de Moçambique e é uma das propostas para a selecção de Portugal estagiar aquando da realização do Mundial de Futebol na África do Sul.
É famosa pelas suas bonitas cascatas e também pela sua vertente religiosa.
Aqui existiram em tempos alguns conventos dos quais restam apenas algumas ruínhas.
31 août 2006
Moçambique 5 - Bilene & Xai-xai
Localizadas na província de Gaza (nome interessante) ficam duas das praias mais famosas de Moçambique. Duas estâncias balneares conhecidas pelos fins-de-semana das gentes de Maputo que pela proximidade escolhiam estas bonitas praias para os seus dias de descanso.
A praia do Bilene, é uma bonita praia de areia branca numa espécie de ria que contém apenas um acesso ao mar. Por esse facto a água não é tão salgada como no mar e tem mesmo uma tonalidade diferente.
É uma praia bastante bonita, mas que no fundo não me agradou muito, pois não sou muito adepto deste tipo de praias em rias, lagos ou rios...
A alguns quilómetros fica a praia do Xai-Xai, uma localidade que atravessamos no caminho para a praia.
A praia é bastante bonita e interessante. Uma espécie de recife protege a praia da ondulação marítima tornando-a bastante calminha.
Uma verdadeira praia de mar que convida... Pena foi a viagem ter sido em pleno Inverno e estar fresco quando chegámos.
30 août 2006
Moçambique 4 - Reserva de Elefantes de Maputo
A Reserva de Elefantes de Maputo é um parque natural localizado a cerca de 150Km (por estrada) a sul da capital e local importante nas rotas migratórias dos elefantes.
A viagem é dolorosa, uma vez que a estrada asfaltada acaba a cerca de 40Km da capital e o restante é feito numa "picada" não muito apropriada para o meu pequeno KIA Picanto. Ainda assim arriscámos e lá seguimos sempre em frente...
4 horas depois chegámos à entrada da reserva e somos surpreendidos com o facto de ser necessária uma viatura 4x4 para entrar. Ainda perguntei se não daria mesmo para o meu KIA, que até se havia portado bem até ali, mas não... As estradas do interior do parque são de areia. Resumindo, a nossa viagem de 4h numa terrível estrada de terra seria em vão.
De repente lá pensamos, e como em Moçambique desde que se pague tudo se consegue, lá confrontámos a senhora da entrada com a possibilidade de haver alguém no parque ou que ela conhecesse e que tivesse uma viatura apropriada que nos pudesse levar. Nós pagaríamos a boleia. E Bingo! Passada uma hora lá chegou o amigo do primo do tio do irmão da senhora com uma "Pick-Up" de caixa aberta... Não nos restava outra hipótese e lá fomos.... Na traseira...
Num pequeno lago banhavam-se alguns hipopótamos que apenas deixavam os olhos de fora. Africa estava ali, encantadora e mágica.
E lá seguimos à procura dos elefantes.
A paisagem é de facto esplêndida com as suas vistas tipicamente africanas de savana até perder de vista. A sensação de espaço é infinita e não conseguimos deixar de admirar todo aquele sequeiro sem fim.
Procurando por aqui, procurando por ali, estava difícil encontrar o rasto dos elefantes. O nosso guia apenas nos dizia: _ Ontem estiveram aqui o dia todo... Se não estão aqui é porque estão além...
E lá íamos nós no encalço... Chegados além, lá dizia o guia: _ Que pena, têm estado sempre por aqui. Ontem também os vi junto a estes arbustos... Vamos a um outro local...
Felizmente não nos permitiram entrar com o nosso carro. Mesmo a "Pick-Up" tinha alguma dificuldade em ultrapassar alguns obstáculos e eram precisos mais alguns cálculos...
Apesar das dificuldades em chegar e do imenso esforço que fizemos durante toda a viagem para não sermos "catapultados" da "Pick-Up" nos solavancos constantes do passeio, foi um dia para nunca mais esquecer. Chegámos ao fim da visita sem ver um único elefante... Não faz mal, pois tudo o resto valeu a pena!
25 août 2006
Moçambique 2 - Maputo
Maputo, cidade onde vivi e trabalhei durante cerca de 5 meses. A capital de Moçambique é apesar de tudo uma cidade familiar. No centro todos se conhecem e reencontramos as mesmas caras inúmeras vezes.
A cidade está bastante destruída. A falta de manutenção dos edifícios e dos espaços públicos dão uma imagem de ruína num cenário de "quase" guerra.
Um dos grandes problemas que afectam a cidade é mesmo o lixo e a falta de recolha do mesmo. De início pareceu-me que a recolha era feita uma vez por semana, sendo nos restantes dias os contentores incendiados para evitar cheiros e contaminações. Com o passar dos tempos creio que se foram obtendo progressos e a cidade a pouco e pouco foi acabando por ficar mais limpa. Ou então fui eu que me fui habituando...
Mas apesar de tudo, e passado o choque inicial, a grande Maputo consegue ser uma cidade agradável, calma e com bastante qualidade de vida.
Mesmo no centro da cidade encontram-se a maioria dos edifícios históricos, como o Edifício do Conselho Executivo de Maputo, a Igreja da Sé, e alguns dos Edifícios um pouco estilo "New Age" do século passado.
É palco também da famosa estátua de Samora Machel.
Junto à praça, fica também localizado o Jardim Botânico, focado num outro post.
Elegante e bem conservada é a não menos famosa Estação de Caminhos de Ferro. Logo na entrada ficamos maravilhados com a porta rotativa em madeira.
Bem perto encontramos a Fortaleza de Nossa Srª da Conceição, um bonito e bem conservado forte recheado de história. Nele podemos encontrar várias peças históricas e até mesmo bonitos azulejos retratando algumas partes da história deste país.
O transporte público mais utilizado na cidade são mesmo as "Chapas", umas Vans bem batidas que circulam e velocidades enormes e que ziguezagueiam por entre os outros carros em manobras de cortar a respiração. É claro que tive de experimentar...
Maputo, uma pequena grande capital, que mesmo não sendo nada de dislumbrante consegue ser simpática.
25 juillet 2006
Moçambique 1 - Maputo / Costa do Sol
Um projecto na operadora de telecomunicações MCel através da Alcatel-Moçambique levou-me a conhecer este país do sul de África em Julho passado. A princípio ia um pouco receoso pois não sabia o que ia encontrar, mas desde cedo o calor das gentes e a calma que paira no ar me tranquilizaram e me levaram a apreciar o que de bom este país Africano tem para oferecer.
Não podia deixar de começar pela Costa do Sol. A zona balnear de Maputo, uma das primeiras que visitei e onde fiquei a viver durante alguns meses.
No fundo as famosas praias da Costa do Sol não são boas. A água é um pouco turva, dado estarmos numa baía, e na maré cheia o mar quase que toca a avenida Marginal. As praias infelizmente estão sujas e mal cuidadas mas são as únicas que existem perto da cidade. E depois de nos habituarmos começamos a gostar delas.
Apesar disso, na maré vazia o panorama muda um pouco, pois assim que a maré começa a vazar um extenso areal começa a surgir e um amplo e agradável espaço dá da sua graça. Nesta altura muitos são os que aproveitam este espaço para o lazer e desporto.
Ao domingo grandes enchentes invadem esta parte da cidade congestionando toda a marginal.
Foram bons os momentos que aqui passei junto do paz do mar. Que o digam também o meu filhote João Nuno e o seu amiguito Moçambicano Kevin.
















































































