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Histórias de viagens neste mundo fantástico

09 novembre 2009

India 7 - Elephanta Island

Uma das coisas que me aborrece nos taxistas Asiáticos (Indianos e não só) é o facto de nunca assumirem que não sabem onde fica determinado local. Têm sempre uma ideia e seguem sempre com a esperança que o vão encontrar talvez como que por magia. Pior do que isso é o facto de ao não saberem, também não perguntarem, nem mesmo às pessoas da área...
A situação voltou a passar-se no passado sábado à noite. Perguntei ao taxista se sabia onde era Bombay Dyeing Mill Compound em Pandurang Budhkar Marg, Worli Mumbai... Fez cara feia, mas Worli Mumbay soou-lhe familiar. Fez sinal para entrarmos e lá fomos. A meio do caminho começa com algumas perguntas sobre o local. Ok, já vi que não tens ideia de onde fica... Vamos ver...
Chegados à zona de Worli Mumbay começa a andar às voltas e a fazer mais perguntas estranhas e com pouco nexo, uma vez que já lhe tinha referido que não conhecia o local... Disse-lhe para perguntar e por fim lá parou junto a outro táxi e perguntou. A resposta? Bom, como todos os taxistas, também não assumiu que não sabia e lá deu umas indicações para a zona onde ele achava que deveria ser o tal Bombay Dyeing Mill Compound. Mais umas voltas, e peço para perguntar de novo. A cena repete-se por umas 5 vezes até que encontramos por fim alguém que sabe... Lá chegamos ao local 1h30 depois e fartos de andar... Na volta descobri que afinal estávamos muito mais perto do que tinha parecido na ida.

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(Como sempre, clicar nas fotos para ampliar)

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Último domingo em Mumbai, decido ir visitar a ilha Elephanta, uma ilha a este da cidade em pleno estuário e famosa pelos seus templos escavados nas rochas.

Apanho mais uma vez um taxi para a Gateway of India onde é suposto apanhar o barco com destino à ilha e conto com a já habitual 1h de viagem num trânsito completamente caótico e que nem aos fins-de-semana descansa.
Na India, a única certeza que temos quando fazemos ou estamos envolvidos em algo é que o mais provável é que falhe alguma coisa... E as viagens de taxi não estão fora...
Já em plena baixa de Mumbai o taxi pára num semáforo e começo a ver o motorista muito agitado e a abrir e fechar a porta. Olha para baixo da viatura, entra, sai, entra, olha para debaixo do banco, e eu sem perceber nada. O semáforo abre e ele sai do carro para avisar os carros atrás para o contornarem... Oh! Ooooh!!! Já precebi... Vira-se para mim e diz: "Stop, engine... Engine stop!" _ Saio, pago e pergunto se é longe. Não, já estamos a pouco mais de 1Km... E vou a pé...

A distância não foi muita, mas uma caminhada a pé com um sol tórrido e uma temperatura de 35ºC é o suficiente para me por a escorrer água... E foi assim que cheguei ao Gateway of India, onde tentei de imediato encontrar o cais de partida do barco e a bilheteira. Existem vários cais, cada um com diferentes tipos de informação e muito pouco intuitiva. Decido perguntar e um rapazito leva-me ao cais e bilheteira certos. Sabia que haviam dois tipos de serviço, um a 100 Rupias, e outro, o Deluxe a 120 Rupias mas com barcos bem mais espaçosos e confortáveis, ou seja, para turistas. Falo nessa hipótese ao rapaz que confirma mas continua a dirigir-se para o cais dos barcos mais simples. Bom, sigo num destes, no barco dos locais, penso, e torno a experiência mais autêntica.

Pago as 100 Rupias e tenho a sorte de um dos barcos estar mesmo a chegar e partir dentro de 5 minutos...

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Chegado o barco olho e penso: "É isto?! Não há-de ser nada..."

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Entro e instalo-me num dos poucos lugares livres. Sinto-me um pouco o centro das atenções. Pudera não há muitos estrangeiros por aqui...

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Lá partimos e deixamos o cais de Mumbai para trás. É bonita esta perspectiva do Gateway e do Taj Mahal Hotel.

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A viagem é suposto demorar uns três quartos de hora. Tirando o ruído do motor, acaba por ser uma viagem bastante agradável e tranquila. Aqui tudo o que fuja ao caótico e ruidoso trânsito da cidade é sempre um momento de paz...

Pouco depois reparo que o barco possui uma bomba de água. Estão prevenidos se o barco meter alguma vez água, penso. Ou será que o barco mete sempre água?! Pode ser que não... Pensamento positivo para tranquilizar as ideias. Mas a meio da viagem, lá se instala o rapazito a dar à bomba. Sempre mete água a barcaça!

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E lá seguimos tranquilamente por águas poluídas e bem sujas, na companhia de todo o tipo de barcos e já com a ilha a aproximar-se.

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O cais de Elephanta Island é bem pequeno para a quantidade de barcos que aqui atracam. Ainda assim, isso não se torna um problem, uma vez que os barcos vão atracando uns encostados aos outros e as pessoas vão saíndo de uns barcos para os outros até chegarem ao cais. Foi o nosso caso. Encostámos a um dos barcos que já estava atracado e passámos todos do nosso barco para esse e a seguir desse para o cais.

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Elephanta Island era originalmente conhecida por Gharapuri (lugar das grutas) e foi baptizada de novo no séc XVII pelos Portugueses de Ilha do Elefante por possuir uma enorme escultura de um elefante na entrada. A escultura acabou por ruir e foi levada para Mumbai pelos Ingleses anos mais tarde.

A ilha possui uma série de templos bastante interessantes escavados nas rochas, templos esses dedicados a Shiva e considerados património mundial da UNESCO em 1987. Achei também interessante, e apesar de não o ter visto escrito em lado algum, o facto de haver algumas referências ao budismo em algumas estátuas o que demostra bem as raízes comuns entre estas duas religiões.

No final do cais, e já depois de ter pago o imposto de entrada na ilha, algo de estranho me aconteceu. Como se sabe, as vacas na Índia são sagradas e é frequente encontrá-las em tudo quanto é lugar, e a ilha Elephanta não é excepção. Estava eu a preparar-me para tirar uma foto a um destes pacatos animais quando sinto uma pancada lateral. Olho e vejo uma outra vaca vinda sei lá de onde que deve ter pensado que eu queria fazer mal à amiga e deu-me uma marrada... Como já se preparava para dar a segunda achei por bem afastar-me. Foi também o "Ohhhh!" largado por umas turistas ao meu lado que desviou as atenções da vaca e que me deu tempo para me afastar... Pisga-te e a fotografia que se lixe!

Uma enorme escadaria ladeada de pequenos restaurantes e vendas de artesanato levam-nos até à entrada dos templos sensivelmente a meio do monte. O principal está logo ali, a seguir à bilheteira e é de facto impresionante.

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Os restantes templos são mais pequenos e bastante menos ricos. Alguns dão mesmo a sensação de nunca terem sido terminados. E estes macacos que sabem-na bem...

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Do outro lado da ilha fica o Canon Hill ou Monte dos Canhões. Este era um importante ponto de defesa dada a sua impressionante vista sobre todo o estuário e a possibilidade de se controlar a partir daqui todo o movimento de navios.

O trilho de acesso é algo complicado e muitas vezes de acentuada inclinação. No topo, fiquei algo desiludido por esperava por algo mais histórico... Ainda assim, e apesar da dificuldade em chegar, valeu pela vista e pelo passeio na natureza.

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E é hora de descer e partir... A passagem pelos "carregadores" e a despedida do cais.

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Já na viagem de regresso mais uma aventura. Um altíssimo "Bhhhhooooooooonnnnnnnn!!!!" sacudiu o nosso barquito... Olho para trás e vejo que estávamos na rota de um navio bem maior. O condutor do barco ficou sem saber bem o que fazer e desviou um pouco a rota para ficarmos paralelos à rota seguida pelo navio.
Normalmente nestas situações pensamos que isto são situações normais e que devem acontecer frequentemente e que tudo está controlado. O problema é que conhecendo a India como conheço, sei que qualquer situação aqui é sempre uma nova situação e que nunca ninguém sabe bem como lidar com ela. Esta não foi excepção...

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O navio lá foi passando por nós quando ouvimos um outro "Bhhhhooooooooonnnnnnnn!!!!" atrás de nós. Afinal o aviso não foi deste navio mas de outro bem maior que estava atrás...

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Aqui foi quando tudo se complicou... Não nos podíamos aproximar do outro porque as ondas provocadas pela sua deslocação afectavam e muito a nossa navegação e atrás o gigante começava a ameaçar... Lá reduzimos a velocidade, deixámos o primeiro navio passar e voltámos à rota inicial. Quase tudo normal, não fosse quase termos virado o barco com as ondas do navio... E saímos da rota do outro o que foi bem mais importante.

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Ainda o caso caricato do "ignorar avisos"... "Photo Graphi Not Allowed!" Que eu também ignorei... Em Roma sê Romano!

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Chegado a Mumbai, ainda um pequeno passeio pelo mercado de rua de Colaba, uma rua próxima do local do cais. Interessante mas algo turistico...

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Já no regresso ainda fui brindado com uma paragem no posto de abastecimento para reabastecer o taxi. Tudo feito muito devagarinho porque o cliente nunca tem pressa!

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01 novembre 2009

India 6 - Mumbai II

A India, mais do que qualquer outro, não é um país para se ver. É muito mais do que isso. É um país onde os cinco sentidos têm de estar atentos e funcionais e onde a experiência é a conjugação de sentimentos, cheiros, sons, cores e exóticos paladares. Sentimos os lugares pela vibração, pela temperatura, humidade e apertos das multidões. Sentimos o odor característico de cada local que mesmo nem sendo sempre agradável é uma das formas mais fiéis de absorvermos esse real quotidiano. E somos também envolvidos pelo ruído, pelas melodias, pelos mundos de cor e de movimento, sabores, pelas massas e pela energia que delas emana e que nos transporta para uma realidade intensamente vivida e atenta ao meio onde está. É isto que torna este lugar tão especial, tão incrível e tão particular.

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O dia começa com mais uma longa e atribulada viagem de taxi até Mahalaxmi, um dos bairros do centro norte de Mumbai. O trânsito sempre caótico e o facto de o motorista ter algumas tendências suicidas deram alguma emoção extra ao trajecto. Mais um que conduz com a buzina e que consegue ver em tudo quando é espaço livre uma faixa de rodagem.

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Em Mahalaxmi fica o famoso Dhobi Gat, um espaço centenário e a maior lavandaria de roupa manual da cidade (e talvez do mundo). Aqui é lavada grande parte da roupa de toda a cidade por centenas de pessoas e de tanques que preenchem um pequeno espaço deste humilde bairro.

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O efeito é interessantíssimo com as centenas de tanques e os estendais que sobressaem um pouco por todo o lado.

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Não muito longe, e já a caminho do próximo destino eis quando algo desperta a atenção num pequeno ponto de paragem de autocarros inter-urbanos. O normal espaço dos autocarros estava dividido em dois (em autocarros de altura normal) e o piso superior apenas dava para as pessoas irem deitadas... Nada mal poder fazer uma viagem deitado, só que os cubículos eram tão apertados e claustrofóbicos que só de pensar até dá falta de ar. Ainda entrei para ver um desses espaços que não tinha mais do que 50cm2. Qualquer aduto teria de ir todo encolhido...

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O segundo destino do dia foi a famosa mesquita Haji Ali, uma mesquita do séc. XIX que contém o templo de Haji, um muçulmano famoso que morreu durante uma peregrinação a Meca e cujo caixão miraculosamente flutuou até ao seu local de origem.

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Parecendo quase como que flutuando, o tempo está localizado plenamente dentro do oceano e ligado a terra apenas por uma longa passagem de cimento, muito utilizada pelos milhares de fiéis e também por vendedores.

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Domingo, dia de descanse era grande a rumaria ao templo. Milhares de pessoas entopiam a estreita passagem de acesso ao templo e onde se vê de tudo um pouco. Até cabras alimentadas a... Lixo?!

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Tudo se vê, tudo se vende...

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No interior do templo, um espaço amplo acolhe os visitantes ladeado por pequenas barraquinhas de venda de comida, algumas salas destinadas às rezas e mais descaído para um dos lados o templo em si.

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Impressionante é a quantidade de lixo que se vê na zona em especial dentro de água. Mas nem tudo é mau e ainda se vai fazendo alguma reciclagem.

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Nas imediações os peregrinos vão alternando entre as pequenas refeições e os banhos de mar mesmo com os sinais de proibição.

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Não muito distante fica o templo Hindú de Mahalaxmi. Nova multidão em romaria mas desta vez não consegui entrar...

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Um saltinho ainda assim ao antigo Shiv Temple, um minúsculo mas interessante templo onde alguém aproveitou para repousar. Ou estaria morto?! Ugh!!! De facto não se mexeu nunca...

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O final do passeio foi dedicado ao vizinho bairro de Malabar Hill, um bairro da classe alta de Mumbai e uma das zonas mais tranquilas da cidade, com grandes contrastes entre grandes jardins, os altíssimos e modernos blocos de apartamentos e os clássicos palacetes.

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É aqui que fica também o sossegado templo Jain...

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Para terminar a descida até Chowpatty já a implorar por descanso que os muitos Kms nas pernas não perdoam.

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E o regresso a casa ainda que em duas fases. O primeiro taxi ficou sem gasolina a meio do trajecto e o taxista muito gentilmente encostou junto a um outro taxi para que este pudesse completar o resto do caminho de volta. Alguma coisa teria de falhar...

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25 octobre 2009

India 5 - Mumbai I

Foi mais rápido do que pensava este meu regresso à India. Após um ano e um mês da despedida de Calcutá, eis-me de novo de volta à magia da India, mas desta vez em Mumbai, antiga Bombaím.

É para mim um país que me fascina bastante e que desperta sempre um sentimento arrepiante vindo algures do meu interior. É o país dos contrastes, dos opostos e onde todos os extremos convivem lado a lado e partilham este quotidiano deveras especial. É o país do rico e do pobre, do novo e do velho, do limpo e do extremamente sujo, da brutidade e da calma, da violência e da paz de espírito, das cores e do monocromático, do barulho e do silêncio, enfim, do tudo e do nada que estão sempre lado a lado sem quaisquer incompatibilidades. Tudo vive num ritmo frenético e com uma energia inesgotável neste caos de misturas, cores, cheiros, sons e multidões.

A recepção foi lindíssima vista do avião. Notei ao aproximarmo-nos da pista que os bairros que íamos sobrevoando estavam inundados de luz e cor. Era cerca da 1h da manhã e os bairros pareciam gigantescas árvores de natal com luzes brancas, amarelas, laranja, vermelhas e muitas outras cores. Soube mais tarde que se vivia o Diwali, um dos mais importantes festivais da India também conhecido como o festival das luzes.

Fiquei alojado em Navi Mumbai, um subúrbio da grande Mumbai a cerca de 5Km do local onde estou a trabalhar, o Millenium Business Park, mais uma espécie de pseudo-business park indiano onde estão algumas empresas ligadas à tecnologia.

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(Clicar nas imagens para ampliar)

O hotel é bastante bom para o padrão indiano ainda que, e não me posso esquecer onde estou, é sempre aplicada a regra de que na India nada funciona na sua plenitude. Dos dois elevadores do hotel, um estava avariado no primeiro dia. Foi reparado e de imediato se avariou o outro... No segundo dia estavam os dois avariados e desde então creio que só por uma vez vi os dois a funcionarem em simultâneo.
A internet do hotel não estava a funcionar quando cheguei e disseram-me que em 5 minutos me dariam o acesso. Esperei até ao dia seguinte e no regresso do trabalho perguntei mais uma vez. De novo mais 5 minutos... Esperei até à manhã seguinte... Logo já há... Não havia! No dia a seguir vinha e ia... Passado uma semana parece que funciona.

A recepção no escritório também não foi menos atribulada. Primeiro o senhor da recepção disse-nos (a mim e a um colega francês) que tinha de nos fazer um cartão temporário de identificação. Perguntou-me o nome, o qual claro está não percebeu, repeti letra por letra, M, A, R, I, O, etc. mas logo a seguir pediu-me para o escrever num papelinho. Escrevi então MARIO BERNARDES em letra maiuscula para melhor percepção... O senhor segue para o computador, tira-me uma fotografia pela webcam e começa a introduzir o nome. Vejo que tem dificuldade em perceber e perde mais de 2 minutos para introduzir o nome. Parece-me também perdido no teclado, mas por fim lá sai da impressora o dito cartão. É-me entregue e ao confirmar se está bem vejo o meu nome: rarrio bermades. Rio-me e sigo para o 3º piso. No dia a seguir percebi o porquê de tanta confusão... Afinal o senhor tinha-se esquecido dos óculos!

Fomos recebidos por um colega da parte administrativa que nos levou para a sala de reuniões, onde ficámos a aguardar que algum dos responsáveis do projecto nos fosse contactar. Esperámos, esperámos, esperámos e quando começámos a ver que a manhã já se ia por completo decidimos ligar ao responsável. Afinal estava de férias e fora do escritório e gentilmente lá se ofereceu para ligar a quem o substituía... Estávamos então esquecidos na sala de reuniões! Quem nos recebeu, fez a parte dele, mas não avisou mais ninguém e como quem nos deveria apresentar o projecto estava de férias significa que ficaríamos eternamente à espera. De fazer lembrar uma certa anedota...

Mumbai

Chegou o primeiro domingo e com ele a primeira visita à cidade de Mumbai. Tramaram-me com o sábado que foi dia de trabalho e sendo assim tive de utilizar o meu dia de descanso para o pouco descanso que é um circuito pelas ruas da cidade.

Uma hora de taxi até ao extremo oposto da cidade e lá estou eu junto à Gateway of India, um dos grandes símbolos da cidade. Pergunto ao taxista quanto é fico surprendido quando me diz 700 Rupias. Mas o taxímetro não marca 240?! Responde que sim, mas mostra-me a tabela de equivalencias... Lembro-me desse detalhe de quando estive em Calcutá. Existe de facto uma tabela que faz a conversão do valor que aparece no taxímetro para o valor real a pagar, mas normalmente dá o dobro. Repito que não pode ser e peço para ver a tabela, que me mostra que na realidade são 450 Rupias. Insisto neste valor ao que o motorista de taxi me responde que são 500 Rupias por causa da portagem. Mas tu não pagaste portagem, insisto! Ok, 450 Rupias!

O Gateway of India é um arco enorme junto ao porto da cidade de estilo Islâmico e foi construído para comemorar a visita do rei George V. É um local de grande afluência de pessoas, pois com os anos tornou-se um dos locais favoritos das famílias para os passeios de fim-de-semana.

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Fica localizado bem junto ao famoso Taj Mahal Hotel.

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Subindo a Chatrapati Shivali Marg começamos a entrar numa das zonas da cidade mais ricas arquitectonicamente. São visíveis alguns edifícios bastante interessantes como o Royal Bombay Yacht Club, a David Sassoon Library, já na rua Mahatma Gandhi, a Universidade de Mumbai, entre outros.

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Pela Veer Nariman Rd temos acesso ao bonito Horniman Circle, uma bonita praça com um pequeno jardim botânico e o Town Hall.

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Na praça estavam a fazer as gravações de um anúncio com dois actores conhecidos (na India). Claro que me aproximei para confirmar a teoria de que na India mulheres bonitas só as da televisão... E é verdade mesmo! Passei então de turista fotógrafo a Paparazzi.

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Já a caminho do Oval Maiden, um grande parque no interior da cidade, é possível observar mais alguns edifícios interessantes.

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É sabido que o cricket é o desporto nacional da India e que é jogado um pouco por todo o lado, em especial aos fins-de-semana, onde os grupos de amigos se juntam em tudo quanto são praças ou parques para jogar. E porque não experimentar?!

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No Oval Maiden, o parque que não é oval, que é que estão a fazer?

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É daqui que se obtém também uma boa vista sobre a totalidade do High Court(foto anterior).

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O final da Veer Nariman Rd encontra a Marine Dr, a famosa avenida marginal de Mumbai em torno da Back Bay. É uma bonita baía com um agradável passeio sempre junto ao mar que nos leva até à praia de Chowpatty, no topo norte e o único local com areia. Infelizmente e dados os elevados índices de poluição da baía, a brisa é algo desagradável e torna o passeio um pouco menos aprazível.

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Escusado será dizer que os banhos estão proibidos, pois a água é altamente tóxica.

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A praia é também um local de convívio para as gentes locais que aqui se juntam aos fins-de-semana para descansar e atacarem alguns pratos típicos nos muitos restaurantes instalados na praia.

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Sobra algum tempo para visitar ainda o bairro vizinho de Kotachiwadi, um local bastante típico e onde se sente a verdadeira cultura indiana. Basta encontrar a St Teresa's Church e lá está...

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E o regresso a Navi Mumbai, com mais uma hora de trânsito e caos...

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29 octobre 2008

India 4 - Ach Ha India

A aventura chegou ao fim, três meses e alguns dias depois da minha chegada a Kolkata. Foi uma fantástica experiência que superou todas as espectativas e que alimentou ainda os mais profundos sentimentos que tenho por este misterioso país. Não vou esquecer nunca esta passagem  por uma das mais loucas e hilariantes cidades do planeta.

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A India é um país especial com um encanto muito próprio e com um modo de vida sem igual. Creio que por mais que viaje jamais verei algo assim, uma barafunda que nos cativa de forma tão intensa e que traz à flor da pele os mais profundos sentimentos. É o local onde todos os sentidos são fortemente estimulados e onde a sobrevivência depende da sua interpretação, compreensão e da forma como lhes respondemos.

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"Incredible India" com toda a certeza.

Não consegui no entanto resistir à forte curiosidade quando passei por um dos templos onde é feita a cremação do mortos. Ao passar junto ao templo, e ao admirá-lo, um local perguntou-me se sabia o que era. Protamente lhe respondi que sim, que era o Kali Temple. _ Não! _ Contrapôs ele _ O Kali temple fica do outro lado, aqui é o Keoratala Burning Ghat, onde cremamos os mortos. Vês o fumo de dali sai...

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Bom aquela frase foi quase como que um choque eléctrico, algo que me despertou para o que realmente ali se passava... Sim, o fumo vinha de um monte de lenha em chamas, uma pira, e o cheiro que estava no ar, a febras grelhadas, começava a fazer sentido...
Fui tomado por uma sensação muito estranha. Tomei consciencia que ali ao lado o corpo de uma pessoa era consumido no meio de todos aqueles troncos em chamas e mais estranho ainda era a sensação da percepção do que realmente era o cheiro que sentia. Quase como que em transe decidi que tinha de entrar, de ver como tudo se processava. Era estranho, em vez de fugir, que acho que seria a atitude mais sensata, aproximei-me ainda mais com uma vontade louca de assistir àquela cerimónia fúnebre.
Perguntei se podia entrar e lá fui...

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Sem grandes comentários.

Despois desta inesperada visita ainda houve tempo para visitar o "verdadeiro" Kali Temple, este, rodeado de muita pobreza e lado a lado com a casa onde a Madre Teresa cuidava dos seus pobres. De início não compreendi o porquê da concentração de tantos pobres nas imediações, após a visita veio a explicação. O templo fornece refeições a alguns milhares de pessoas diariamente e é um dos locais de maior ajuda à comunidade. Finda a visita, ainda tempo para umas rezas a Shiva, a bênção de mais uma pulseira e um importante donativo para uma causa que se vê.

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Não queria terminar sem antes referir algumas das mais bizarras situções que se podem encontrar neste incrível país. São situações que não devemos julgar e que devem ser entendidas no seu contexto, mas que para nós ocidentais não deixam de ser engraçadas.

Em muitos edifícios, incluíndo o edifício de 6 andares onde eu trabalhava e mais um ou outro shopping que eu frequentava, os elevadores têm um funcionário a que eu apelidei de Técnico de Elevador. Este funcionário tem como função controlar as entradas e saídas do elevador, gerir o tráfego de utentes, a gestão da abertura da porta e a entrega dos utentes aos devidos pisos. Por outras palavras, o que faz é carregar nos botões do elevador pelas pessoas. Não deixa de ser curioso assistir a uma pessoa que permanece fechada o dia todo no elevador, sentado num banquinho fora das horas de ponta e que a unica coisa que faz é carregar nos devidos botões...

Ainda antes de ter alugado o meu apartamento, estive uma semana na casa de um colega em New Town, um bairro novo ( com aspecto de velho ) nos arredores da cidade. Fiquei assim curioso ao ouvir todas as noites, de tempos a tempos, alguém com um apito na rua que apitava de forma intensa e barulhenta. Era uma situação estremamente incomodativa, pois era acordado várias vezes durante a noite com os apitos, considerando que tinhamos de dormir com as janelas abertas devido ao calor... Passados uns dias perguntei ao meu colega se sabia de que se tratava aquela situação e a resposta não deixou de ser surpreendente.
Os famosos apitos vinham dos guardas nocturnos, que quando iniciavam as rondas, nas horas determinadas, apitavam de modo a avisar que iam a caminho. Segundo eles isto afugentava os mal-intencionados... Bom, para mim, acho que tornava a tarefa deles mais fácil, pois sabiam quando deviam ir e quando deviam saír...

Uma das revoluções tecnológicas na Índia são ainda as comunicações móveis, e se há coisa a que os indianos ainda estão em fase de habituação essa é uma delas. A grande maioria das pessoas não entende que por mais longe que esteja quem está do outro lado não há necessidade de gritar para o telefone. A maioria têm mesmo o hábito de tirar o telefone do ouvido para falar e para conseguirem gritar mais para o micro... É certo que em qualquer local o ruído é sempre muito, mas não há necessidade para tal.
Outra situação prende-se com o facto de estarem habituados ao barulho e não conseguirem distinguir as partes e qual delas adaptar às necessidades. Por exemplo, o meu motorista ia no carro a ouvir música. Se quisesse falar ao telefone não baixava a música, mas sim subia o som do telefone, até ao ponto de o ter em alta voz no ouvido. Para se fazer entender também gritava de forma desenfreada. Era de loucos, o rádio, o telefone em voz alta e o motorista aos gritos.

E que tal o kit mãos livres?

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Como já referi num post anterior, conduzir na India é algo sobrenatural e é onde se dão as maiores faltas de respeito. Na estrada não há o mínimo de respeito e consideração pelos outros.
Um dos exemplos crassos são as passagens de nível. A cancela fecha, os condutores vão criando uma fila até certo ponto, pois há quem se julgue mais esperto e então vários condutores ultrapassam a fila até à cancela formando uma nova fila na faixa de rodagem contrária. Isto passa-se dos dois lados da passagem de nível. Resultado, após a passagem do combóio, as cancelas abrem e as filas de carros ficam frente a frente sem que ninguém consiga passar. No nosso caso estivémos cerca de 20 minutos a ajustar os carros mais para a berma, um pouco mais atrás, à frente, recua, avança, e lá se arranjou espaço de desatar a embrulhada... É ridículo como podem pensar que passar à frente da fila lhes pode dar vantagem. E assim se perde muito tempo!

Por falar em tempo, é de forma generalizada que os indianos perdem muito tempo a resolver as trapalhadas em que se metem ao tentarem despachar-se. Parece que ninguém consegue parar um pouco para pensar antes de fazer as coisas de modo a medir o que está a fazer e quais as consequências.
Na rua onde trabalhava eram frequentes as inundações. Bastava chover um pouco e lá estava a rua alagada. Ninguém consegue parar para pensar porque raio a rua inunda ao mais pequeno aguaceiro. São sempre criativos na forma como tentam retirar a água da rua após a inundação. Bombas de água, dezenas de pessoas com baldes, valas abertas...

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E falar na India, é também falar obrigatoriamente no cinema e na música. O cinema indiano tem uma expressão sem igual e assume um papel muito importante na vida das pessoas. O cinema na India é uma máquina de vender sonhos a um povo que continua a sonhar com uma vida melhor. Os actores são os seus heróis, as bandas sonoras dos filme acompanham-os onde quer que vão...

No global adorei esta minha experiência neste país onde a economia cresce a um ritmo assustador. Uma cidade onde nos arredores crescem centenas de torres de habitação, onde os shoppings se multiplicam e onde as empresas se instalam às dezenas a cada mês que passa. Não deixo de sentir no entanto algum receio por este crescimento e pelo futuro destas pessoas de quem muito gostei. Crescem os edifícios, os centros comerciais e o número de empresas. Não crescem os salários, a riqueza do país e essencialmente as infra-estruturas que deviam acompanhar este fenómeno. Em Salt Lake, polo tecnológico de Calcutá, são às dezenas o número de torres de escritórios em construção, são aos milhares as pessoas que vêm cada vez mais atrás dos empregos e é o trânsito que cresce a um ritmo assustador. Infelizmente, as estradas são as mesmas, as ruas continuam estreitas, insistem em não fazer passeios para as pessoas e o caos é cada vez maior. A electricidade falta frequentemente e é normal as empresas fecharem portas por falta de luz. As pessoas demoram horas a chegar aos empregos, e por isso chegam tarde e têm de saír cedo para chegarem a casa no mesmo dia.
Eu penso que todo este crescimento não sustentado não tem futuro. Tudo irá colapsar pois mais cedo ou mais tarde as empresas vão perceber que não têm condições para aí funcionarem. Por muito baixos que sejam os salários, acaba por não compensar o cansaço e o stress diário das pessoas, os dias que não se trabalha por falta de luz, e muitos outros problemas que dificultam a produtividade. Espero estar enganado pois desejo-lhes o melhor, mas sinceramente não vejos grandes sinais de prosperidade.
Por muitos que comecem a ser os shoppings, e os incentivos ao consumo, as lojas continuam vazias e os grandes hipermercados à excepção dos fins-de-semana têm mais funcionários que clientes. São às centenas os condomínios de luxo em construção, mas o alvo destes negócios teima ainda em não aparecer. Não há sinais de um tão grande crescimento das classes média/alta. Não há sinais que a prosperidade económica traga realmente algo de positivo ao povo Indiano.

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28 juillet 2008

India 3 - Dakshineswar Kali Temple ( Calcutá )

Às vezes penso que estou num país de loucos... Outras, sintou-me eu um louco neste país que parece virado do avesso. Não sei porquê. Talvez porque sinta que tudo, ou quase tudo o que faço parece estranho aos olhos de quem me rodeia. Sinto-me um alienígena nos meus passeios, nas minhas idas ao restaurante e até mesmo nas minhas pausas dedicadas à leitura nas muitas Coffee Shops existentes um pouco por toda a cidade. Sim, porque na Índia também há bom café e boas e confortáveis Coffee Shops.
Bom, também nunca vi ninguém a ler por aqui... Como sou estranho...

Num destes cinzentos Domingos, decidimos visitar o maior templo de Calcutá, o Dakshineswar Kali Temple, no norte da cidade. De facto nunca tinha visitado esta parte da cidade que é bem mais pobre e suja. Fiquei com a sensação que aqui há mais pessoas a dormirem na rua do que em apartamentos. Nos passeios sucedem-se umas a seguir às outras as tendas improvisadas com plásticos retirados das muitas e mal-cheirosas lixeiras de Calcutá...

Tinha muita vontade de visitar os templos Hindús e muita curiosidade de sentir estes espaços de devoção e de encontro com a espiritualidade. Tinha muita expectativa e há algum tempo que sentia que necessitava de passar algum tempo num espaço deste tipo.
Era domingo, e como tal dia de peregrinação massiva dos "fiéis" para efectuarem os seus donativos. Assim sendo, uma fila gigantesca aguardava por nós na entrada do templo.

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Antes da entrada somos forçados a atravessar uma espécie de galeria que vende todo o tipo de ofertas que podemos fazer aos deuses. Somo fustigados com milhares de vozes que nos chamam para visitar as muitas banquinhas de venda existentes. Decidimos passar em passo acelerado... Para a fase seguinte.

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Após uma longa fila e os consecutivos avisos das recomendações conseguimos entrar. Obrigatoriedade de entrar descalços, nada de fotos, nada de vídeos.

Coloquei-me na fila para as oferendas, mesmo não tendo nada para oferecer, mas o que queria mesmo era entrar no interior do edifício principal do templo para ver a cerimónia.
No final, uma grande decepção. O espaço e o acto que esperava ver de grande simbolismo e carregado de paz espiritual não passou de um acto rude, grosseiro e algo violento de recolha das oferendas que eram depois atiradas para um monte. Isto após bastante tempo numa fila que quanto mais perto se econtrava do destino maiores eram os empurrões e as faltas de respeito.

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Com tudo isto, decidi ir conhecer as restantes partes do templo e os rituais que nelas se praticavam. Bizarro também o facto de todos estarem a tirar fotografias, mesmo depois de todos aqueles avisos?
E bom, se eles não cumprem...

Um dos lados do templo pega com o Rio Houghly e é palco dos tradicionais e sagrados banhos no rio. Uma extensa escadaria desce até à margem repleta de pessoas que se preparam para a cerimónia.

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Seguindo o espírito, e com todo aquele intenso apelo, lá fui eu, convertido...

E para quem ainda tinha dúvidas, aqui estou eu, na nova versão pós conversão:

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India 2 – Bishnupur

Bishnupur é uma aldeia a cerca de 170Km de Calcutá, bem no interior do estado de West Bengal, famosa pelos seus templos em tijolo, tom de barro.
Foi uma viagem longa, pois na Índia, 170Km podem demorar muitas horas a percorrer, e foi o que aconteceu. Demorámos cerca de 5h a chegar a esta aldeia da Índia profunda, longe da confusão, do caos e da agitação de Calcutá. Fiquei ainda assim impressionado com esta viagem, que me deu a noção do quão sobre povoado este país está. Nestes morosos 170Km, não saímos nunca de povoações, aldeias que se sucedem a aldeias, pessoas que caminham ao longo da estrada continuamente, casas, casas e mais casas... A Índia já tem mais de 1 bilião de pessoas e prepara-se para ultrapassar a super-povoada China muito em breve.

A chegada à aldeia é fascinante. Somos recebidos por um edifício com um pequeno arco, uma porta para a aldeia elegantemente trabalhada. O motorista ainda tenta atravessar o arco com o carro, mas passados 10 minutos de indecisão no seu interior decide retroceder. O carro talvez não passe na outra ponta, um pouco mais estreita. Estava incomodado com o facto de não poder passar, e de termos de andar mais de 20 minutos a pé para conhecer todos os templos. Digo-lhe que não tem mal e que até prefiro. Gosto de andar a pé, de sentir estes lugares, estas pessoas e estes ambientes. Lá vamos nós...

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O primeiro templo que encontrámos foi Lalji Temple. Um templo solitário e emparedado num campo plano e vazio. Não muito longe encontramos outro, mais aberto e mais bonito.

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O meu favorito foi sem dúvida o Jor Bangla Temple ou Kest Rai, mandado construír pelo Rei Raghunath Singha em 1655 AD e bastante bem conservado.

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Virhambir é um dos maiores e mais famosos. Trata-se de uma estrutura em pirâmide com a base em colunas que o tornam verdadeiramente interessante. Entre colunas sentimo-nos quase que num labirinto sem quaisquer referências.

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Existem muitos outros templos espalhados pela aldeia e por uma área relativamente grande. Alguns bem conservados, outros menos, outros até já só com alguns vestígios.
A aldeia não tem muito mais para ver, mas tem para sentir. A caminhada pelas ruas estreitas, o contacto com estas pessoas, as caras que faziam ao ver pessoas estranhas, num local onde o turismo ainda é insignificante, tornam a experiência muito agradável.

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Foram horas para chegar e apenas uma hora para usfruír, mas temos de partir pois temos ainda mais 5h de viagem de regresso. No total foram 10h numa estrada estreita, perigosa e contra velhíssimos autocarros que circulam a velocidades incríveis tanto na faixa deles como dos outros. Não têm qualquer tipo de preocupação para com os restantes, e nós tivémos de saír da estrada por diversas vezes. Ainda assim valeu muito esta visita, esta viagem aos confins da Índia, a paisagens lindíssimas e a uma aldeia, que é apenas mais uma aldeia deste extenso país, mas que acaba por ser especial e de algum encanto.
Pela frente, mais uma boa dose de viagem, mas também de paisagem e de beleza, e assim não custa nada...

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22 juillet 2008

India 1 – Kolkata ( Calcutá )

Tudo começou em Berlim, numa festa de aniversário e numa interessante conversa com uma senhora conhecedora dos mais exóticos destinos. A Índia sempre foi para mim um desejo e um objectivo quase que enigmático. Senti sempre um chamamento vindo deste país asiático, uma força interior que sempre trouxe à tona estranhas emoções e sentimentos algo misteriosos. No entanto, sempre existiu algum receio e algum medo do que poderia encontrar. Os relatos que ouvi sempre foram muito contraditórios, desde o país miserável e chocante até ao encantador e esplendoroso.

A conversa foi animada e conseguiu que perdesse os medos e receios e que ficasse convencido das verdadeiras maravilhas deste país. Sabia que havia um projecto interessante lá e na segunda-feira seguinte comecei logo a estabelecer contactos. Resultado, após o final do projecto na Alemanha, uma pequena pausa em Portugal e o embarque para Calcutá…

Calcutá, com os seus mais de 17 milhões de habitantes é a segunda cidade da Índia em termos de população, mas talvez a primeira em sujidade, mau cheiro, desorganização, barulho e confusão. No entanto não deixa de ser especial, de ter encanto e uma vivência muito própria. As pessoas são únicas, humildes, prestáveis e de uma bondade incrível. Uma lição de vida que nos faz duvidar afinal de quem é que não está bem…

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A cidade é electrizante! Um rodopio de pessoas, carros, riquechós, motas, autocarros e tudo o que possamos imaginar que se possa movimentar. Como dizia um colega, para onde quer que olhemos, algo está a acontecer. Neste espaço apertado, cada cm2 está aproveitado. Nos passeios amontoam-se pequenas barraquinhas que vendem tudo, desde frutas e legumes, a roupas e ferramentas. Prestam-se também os mais variados serviços, nestas banquinhas nos passeios podem-se ver barbearias, engraxadores e até pessoas a engomar roupa. Em maior número estão as que vendem comida, muitas delas tipo restaurante com mesas e cadeiras. Falando em restaurantes, a comida é fantástica. É difícil não encontrar algo que se goste, e muito!

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Falar de Calcutá é também falar do seu trânsito caótico. Aliás, pior que isso… Nunca vi nada assim nem sequer que chegasse perto. Em Calcutá não há regras de trânsito e é o “salve-se quem puder”. Não há faixas de rodagem, há espaços livres que os carros vão preenchendo. Normalmente numa rua que daria para duas faixas de rodagem, chegam a estar 4 carros lado a lado espaçados de apenas alguns centímetros. Aqui não há sentidos únicos, há apenas sentidos preferenciais. Nas ruas supostamente de sentido único é frequente verem-se veículos a circular em contra-mão. Nas avenidas com separador central, se por acaso num dos sentidos está muito trânsito, é normal usar-se o outro para se lhe escapar… Não se usam também os espelhos. Ou estão recolhidos ou são simplesmente removidos, dadas as curtas distâncias a que conduzem uns os outros. Em sua substituição, e numa tentativa de evitar os choques, usa-se e abusa-se da buzina. Aliás, creio que a buzina é usada mais vezes que o acelerador. O trânsito é ensurdecedor, com milhares de buzinas em simultâneo numa espécie de sinfonia esquizofrénica… Nos primeiros tempos é preciso muito auto-controlo…

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A principal atracção desta cidade é o Victoria Memorial, um palácio construído em mármore branco em homenagem à Rainha Victoria. Trata-se de um edifício majestoso rodeado de bonitos e tranquilos jardins.

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Mais a norte encontramos o Bairro Colonial com alguns dos edifícios mais emblemáticos da cidade. Destaque para o Writers Building, o Main Post Office em plena praça BBD Bagh.

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Interessante também a Dharbanga Statue e os edifícios da Old Town Hall e do High Court.

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Perto do Bairro Colonial, na zona ribeirinha fica Babu Ghat, um dos principais interfaces fluviais da cidade e onde atracam os barcos de transporte de passageiros que cruzam dezenas de vezes ao dia o rio Houghly. É um local de algum encanto, pela sua calma, a proximidade da água e a tranquilidade. Apetece ficar ali algum tempo a apreciar aquele quotidiano ribeirinho muito diferente da confusão e ruído sentidos algumas centenas de metros mais atrás.

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De Babu Ghat obtém-se também uma vista esplêndida sobre a ponte Howrah, talvez o principal ícone da cidade de Calcutá. Não sei porque razão, mas as fotografias a esta importante ponte suspensa estão proibidas. Mais uma daquelas regras indianas que ninguém percebe, nem mesmo eles…

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No geral, Calcutá não é uma cidade com uma grande oferta em termos turísticos. É uma cidade que vale no entanto pelo que se sente, a agitação das ruas, os cheiros e um modo organizacional muito próprio. O trânsito, o comércio, as ruas, a vida, tudo tem uma maneira muito particular de ser, muito especial, muito própria. É a cidade das sensações, dos estímulos, e que faz jus ao conhecido slogan publicitário que encontramos em alguns canais de televisão internacionais: “Índia, Incredible Índia!”

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Posté par mariobernardes à 15:14 - India - Commentaires [1] - Rétroliens [0] - Permalien [#]
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