01 mai 2009
Camboja 9 - O País Que Não Me Queria Deixar Partir
Chegou ao fim a minha participação neste projecto no Camboja. O vôo de regresso estava marcado para o último dia útil da semana, a sexta-feira às 20h25. O dia foi passado a trabalhar e a finalizar algumas tarefas. Já tinha tudo controlado, saíria às 16h, iria até ao hotel para terminar de arrumar o resto da bagagem e fazer o check out, até às 17h. Seguidamente teria ainda de passar pelo escritório da empresa para algumas despedidas e para deixar o cartão SIM do telefone (estava a trabalhar nos escritórios do cliente), esperando ter tudo terminado por volta das 18h, podendo-me dirigir então para o aeroporto onde poderia chegar até às 19h30. Tempo mais que suficiente e com grandes tolerâncias.
Fora do previsto estava a grande tempestade que se abateu sobre a cidade ao início da tarde. Uma forte trovoada acompanhada de chuvas torrenciais, bem ao jeito da monsão que ainda não chegou. Em tom de bincadeira, os meus colegas iam-me avisando que o melhor seria ficar por lá e que muito provavelmente o avião não poderia descolar... Respondi-lhes sempre que já tinha saído do Camboja em condições mais adversas e que não haveriam problemas...
Às 16h e poucos minutos, após as difíceis despedidas lá deixava eu o escritório. O motorista lá me esperava, mas, ao saír do escritório a grande surpresa. A rua estava completamente alagada e era impossível chegar ao carro. Após várias manobras e a aproximação o mais possível da parte do passeio com menos água, lá consegui saltar para dentro do carro.
Circulando por ruas alagadas lá nos dirigimos ao hotel, cuja rua estava ainda mais alagada e com uma altura de água muito superior. O motorista diz que não pode chegar mais perto e estaciona a cerca de 30m da entrada. Peço-lhe que tente ir o mais proximo possivel, pois não posso caminhar dentro de água. Responde que não consegue e não tenho outro remédio. Lá tiro os ténis, arregaço as calças e mete-me à água. Vou descalço pelo passeio com água pelos tornozelos. Ao entrar todos se riem e comentam o estado da rua.
Termino de empacotar toda a bagagem e desço ao rés-do-chão para o check-out. Ao saír do elevador surge uma preocupação. O nível da água está bem mais elevado. Terminamos as contas e lá de dirijo de volta ao carro descalço pelo meio da água. Felizmente tive ajuda para a mala maior.
O motorista diz que não pode seguir por aquela rua e tenta uma outra. Ainda são 17h e temos bastante tempo. Ao tentarmos entrar na Boulevard Preah Norodom constatamos que o transito se encontra parado, numa extensa fila. Pelo facto de muitas ruas se encontrarem alagadas o trânsito dirige-se para as poucas avenidas livres das inundações, como esta que queríamos apanhar, congestionando-as fortemente.
Meia volta e tentamos apanhar a avenida marginal, junto ao rio. Mais uma fila demorada causada por algumas obras e seguimos. Sinto o nervoso miudinho desta minha ansiosidade pré-viagem a invadir-me o corpo. Olho para o relógio e ainda temos muito tempo...
A cerca de 1Km do escritório, o nosso próximo destino somos apanhados de novo numa fila de trânsito. Esperamos, esperamos, esperamos e não saímos da mesma posição. Começo então a sentir o nervosismo a crescer. Ainda há tempo, mas o facto de a fila não se mexer há mais de 30 minutos deixa preocupações. Aproximam-se as 18h de decido deixar o carro e ir ao pé para adiantar as despedidas. Dou ordem ao motorista para que continue a dirigir-se para lá para depois me apanhar.
Deixo o veículo e sigo a pé pelo meio da rua. Nesta zona os passeios estão muito enlameados e é preferível circular no meio das faixas de rodagem. Além do mais o trânsito está todo parado. Ao chegar ao fim, a rua está totalmente inundada e não consigo passar. Não devo molhar os ténis, pois vou passar quase 20h em viagem e será muito desconfortável fazê-la com os pés molhados. Volto atrás e tento encontrar alternativas. Vou por uma paralela, entro na rua pretendida, mas mais à frente sou de novo bloqueado. Não tenho mais hipóteses de passagem. Tento ligar ao motorista para saber onde está, sem sucesso. Com todas estas filas é impossível aceder à rede que se encontra completamente congestionada. Faço várias tentativas e todas elas frustradas. Olho para o relógio, o tempo continua a passar e já passa um pouco das 18h. Decido esperar um pouco e recebo uma chamada do motorista que diz que continua bloqueado no mesmo sítio e que não vamos conseguir chegar ao aeroporto. Mais nervoso a invadir-me...
Opto então por ir de Tuk-tuk para o aeroporto e tentar alterar o bilhete para mais tarde. Toda a bagagem está no carro que ainda se encontra longe. Apanho o Tuk-tuk e lá vamos nós. De repente penso que nunca terei sucesso. Tenho o passaporte junto da bagagem no carro e nunca me farão a alteração do bilhete sem este documento. Peço para parar. Saio e tento apanhar uma moto-taxi, uma das pequenas motoretas que circulam pela cidade. Uma pára e pergunto se consegue chegar mesmo com a inundação e o trânsito parado ao meu escritório. Diz que sim. Monto e lá vamos. Ao chegarmos ao cruzamento alagado tudo continua no caos. O motorista da moto-taxi vai tentando circular por entre os veículos mas a certo ponto desiste. É impossível. Eu não tenho outra solução. Desmonto na parte seca, tiro os ténis mais uma vez e corro pelo meio da rua. Não consigo encontrar o motorista nem ligar. Fico completamente em stress.
Entro no escritório que já tinha muito poucas pessoas. Não dá para despedir de ninguém e já só quero ligar ao motorista através da rede fixa de deverá estar operacional. Consigo fazer a ligação e ele diz-me que andou um pouco e dá-me a sua nova localização. Corro de novo para a rua e consigo encontrá-lo no meio de todo aquele caos após andar um pouco para trás e para a frente... Diz-me que não temos hipótese. Digo-lhe que não desisto, tiro toda a bagagem do carro e corro pelo meio do trânsito, pelo meio das ruas alagadas com toda a minha bagagem. Chego por fim à parte seca. Calço-me e corro para a avenida que se dirige ao aeroporto, até saír de toda aquela confusão. Encontro um Tuk-tuk livre e pergunto-lhe quanto me cobra para me levar ao aeroporto e se consegue chegar lá em 30 minutos. O condutor apercebe-se do meu desespero e pede uma exorbitância, 10 dólares. Ofereço-lhe 5 e ele não se mostra flexível. Sabe que estou em aflição. Cedo eu, pois só quero lá chegar qualquer que seja o custo. Dirigimo-nos ao aeroporto, são 19h e tenho apenas 30 minutos. Em condições normais é esse o tempo.
A avenida está desimpedida, com algum trânsito mas fluído. Relaxo um pouco e renascem as esperanças. É então que dou pelo meu estado. A t-shirt está molhada pela chuva e pela transpiração, estou sujo e cansado. Não me interessa, apenas quero chegar.
De repente tudo se volta a complicar. O trânsito pára. Volta o nervoso e a aflição. Andamos um pouco e apercebo-me que os semáforos estão avariados. Não podia ser pior, nada corre bem...
Perdemos muito tempo e andamos muito devagar. Vou controlando o tempo que vejo fugir a grande velocidade. Chegam as 19h30, chegam as 19h45 e finalmente começamos a andar... As minhas esperanças apesar de ténues ainda existem e acredito até ao fim. O Tuk-tuk corre à sua velocidade máxima pela Av Confederation de la Russie, o principal acesso ao aeroporto.
Chegamos então por fim. Deixa-me nas partidas, saio, pago e corro para o interior. O check-in, logo ali em frente... Olho com esperança... Está aberto, consegui! Olho para o relógio, são 20h. Consegui!!!
Mais algumas pessoas chegam vítimas também do caos neste dia. Phnom Penh é uma cidade calma e estas situações não são nada normais.
Já estou dentro do avião e tenho tempo para pensar e essencialmente para relaxar. Vem-me mais uma vez à memória o meu "consegui". Chega ao fim a minha estadia no Camboja e chega ao fim este grande pesadelo para apanhar o vôo de regresso. O Camboja é um país fantástico e muito especial que me deixa recordações maravilhosas. É um país com uma grande energia e com um grande poder. Poder esse que não me queria deixar partir...
28 mars 2009
Camboja 8 - Desfile Tini Tinou
Inserido no Festival Internacional de Circo no Camboja, decorreu hoje nas ruas de Phnom Penh um desfile de artistas circenses bastante engraçado. Com um estilo muito próprio, o desfile da Tini Tinou encheu as ruas da cidade de muita cor e alegria.
Muita música, malabaristas e criatividade animaram esta tarde de Sábado. Nada melhor que um pequeno vídeo para transmitir esta alegria.
21 mars 2009
Camboja 7 - Siem Reap / Aldeia Flutuante
Aproveitando a "boleia" para Siem Reap de dois colegas portugueses que vieram ao Camboja para uma pequena missão, e que pretendiam visitar os templos de Angkor, decidi regressar à segunda cidade do Camboja desta vez não para uma visita aos templos mas sim para conhecer a "Floating Village" ou Aldeia Flutuante.
Mais uma jornada de 6 horas de autocarro até Siem Reap, a grande urbe do noroeste do país, para depois apanhar uma motoreta que me levaria até às imediações do Tonlé Sap, que em Cambojano quer dizer "o grande rio". De motoreta foram mais uns 30 minutos até ao Camboja profundo. Aqui tudo é diferente de Phnom Penh ou mesmo do centro de Siem Reap. As casas são pequenos abrigos em madeira e elevadas para evitar a monção. As crianças brincam nuas na rua e usam pequenas garrafas plasticas espalmadas como carrinhos que puxam com um pequeno cordel. Também na rua as mulheres cozinham e preparam as refeições em pequenas fogueiras alimentadas pelos galhos que colhem nos pequenos bosques das imediações. Os maridos dedicam-se à pesca ou ao cultivo de arroz nos vastos e verdejantes campos que se estendem para lá das modestas habitações que ladeiam a estrada.
Aqui não há electricidade, esgotos e água canalizada. Não há certos bens considerados de primeira necessidade pela nossa cultura ocidental mas há, ainda assim algo fundamental. A felicidade e os sorrisos na cara das pessoas!
O entrar na aldeia é acompanhado de um cheiro fétido resultante dos despejos feitos nos pequenos charcos que ainda restam da época das chuvas e dos lixos que se acumulam um pouco por todo o lado. Mais à frente outro cheiro toma conta desta poeirenta atmosfera, um cheiro que me é familiar e que indica que cheguei ao destino. Cheira à antiga Lota da Nazaré, cheira a peixe, pois é aqui que são feitas as descargas dos pescadores e é tratado o produto da pesca.
É também neste local que é feito o acesso ao lago Tonlé Sap através de um canal de água bem barrenta que resulta da agitação provocada pelas dezenas de barcos que aqui passam.
Apanho o meu barco, cujo bilhete já havia comprado durante o caminho num pequeno posto criado para o efeito e lá vou eu...
No canal, são já muitas as edificações flutuantes que preenchem as suas margens e alguns os pescadores que se aventuram na procura de algum pescado.
Percorrido o canal, entramos finalmente no Tonlé Sap, o grande lago e avistamos ao fundo a tão desejada aldeia flutuante.
Trata-se de uma aldeia construída por emigrantes Vietnamitas e constituída por pequenas habitações flutuantes na margem norte do lago Tonlé Sap. A aldeia é bastante completa e possui supermercados, restaurantes e escolas, tudo sob plataformas flutuantes. Nada melhor do que uma fotografia aérea da aldeia para se conseguir ter uma melhor noção, como esta que retirei da famosa ferramenta Google Earth.
O lago Tonlé Sap é um dos maiores ecosistemas do mundo, dado tratar-se do maior lago de água doce da Ásia e possuir a maior concentração de peixe conhecida. Estas fantásticas características garantiram-lhe o estatuto de Biosfera da Unesco em 1997. Cerca de 75% do peixe pescado no Camboja provém deste lago cujo nível varia cerca de 8m entre a estação seca e a estação das chuvas.
Não é portanto de admirar quais as razões que levaram tantos emigrantes a fixarem-se nestas águas.
Aqui as ruas, os passeios e os jardins são as águas barrentas do lago. Toda e qualquer necessidade de locomoção depende du uso de pequenas embarcações. Os animais são também criados em pequenas "jaulas" flutuantes.
Outra actividade existente nesta aldeia é a da criação de crocodilos, em jaulas que mantêm submersas. Dos crocodilos aproveitam a carne, também servida nos restaurantes da aldeia, e a pele, muito utilizada em calçado e acessórios como malas e carteiras.
Eu pessoalmente não me admiro que com alguma falta de cuidado, algo perfeitamente normal nestas bandas, de vez em quando deixem fugir um destes bichinhos para o lago...
Em algumas das casas flutuantes é possível assistir ao trabalho dos pescadores a remendarem as redes.
Finda a visita, é tempo de voltar a Siem Reap. A motoreta lá estava à minha espera e em 30 poeirentos minutos lá estava eu no coração da cidade, que ainda poderia visitar com alguma calma.
Em termos de atracções turísticas não há muito que se possa visitar em Siem Reap. A cidade vive essecialmente dos Templos de Angkor e é um dormitório para os milhares de turistas que visitam os templos. Para além de uma fantástica vida nocturna e do interessante mercado Psar Chaa, onde se pode encontrar de tudo um pouco a bons preços, com especial incidência nas sedas e souvenirs, os visitantes não têm muito mais por onde escolher.
A meio do segundo dia, é hora de voltar à rodoviária de Siem Reap, desta vez de Tuk-Tuk.
Tempo ainda para fotografar a estação de autocarros local.
E mais 6 horas de viagem até Phnom Penh...
Camboja 6 - Casamento da Phally
Sempre considerei que há diferenças entre visitar um país e viver num país, ou seja, entre ir a um determinado local de férias ou para uma estadia prolongada. Falo por experiência própria, pois em todos os países onde estive, há muitos detalhes, muitas realidades, sobre os quais só nos apercebemos após algum tempo. Por exemplo, normalmente, as primeiras semanas são sempre tempos do fascínio, da novidade e da descoberta. Passando a barreira das 4 semanas começamos realmente a viver o país e é aí que começam a ressaltar os problemas, as dificuldades e nos apercebemos de alguns aspectos negativos da sociedade onde estamos inseridos.
Como normalmente as pessoas apenas passam poucas semanas de férias noutros países, é muito raro tomarem consciência dos verdadeiros problemas que os assolam. É por isto que o Portuga também tem aquela falsa ilusão de que lá fora tudo é bom, pois nunca ficam tempo suficiente para ultrapassar esta barreira da fase do encanto.
Isto a propósito de algumas experiências interessantes que podemos ter aquando destas inserções nestes "novos" mundos. Foi um desses momentos especiais que vivi esta semana, ao estar presente na festa de casamento da minha colega Phally. Um convite que decidi aceitar não tanto pela nossa relação pessoal mas mais pelo facto de se tratar da possibilidade de assistir a uma festa deste género na cultura Khmer.
A Phally é a nossa secretária na Alcatel-Lucent Camboja e é talvez a Cambojana mais bonita e simpática que conheci. Para ser sincero, é das poucas Cambojanas bonitas que aqui existem...
As festas de casamento locais são no fundo uma reunião de familiares e amigos num grande jantar, normalmente em grandes restaurantes que existem para o efeito, e onde é feito um pequeno ritual para celebrar o especial momento de união. Por tradição, a noiva pode trocar de vestido 8 ou mais vezes durante a festa, consoante o nível social da família. Isto, num evento que dura poucas horas... A Phally decidiu fugir à regra e segundo as minhas contas usou apenas 4. E não foi pelo facto de pertencer a uma classe baixa, antes pelo contrário.
A ementa foi muito variada desde as várias entradas aos pratos principais. Especial destaque para uma das entradas com um aspecto tipo "noodles" ( massas chinesas ), que só após eu ter terminado me disseram do que se tratava verdadeiramente. Não eram "noodles" mas sim pele de porco...
Mas era bom...
Quanto ao restante, tudo deliciosas iguarias locais.
No final, espaço para as tradicionais danças sempre em torno de uma mesa cuidadosamente ornamentada.
Ainda toda a comitiva Alcateliana.
Com tudo isto, creio que tornei a Phally na noiva Cambojana mais famosa em Portugal ( ainda que sem direito a revistas cor-de-rosa ) e eu no primeiro português a assistir a um casamento Cambojano?! Como os meus netos vão ficar orgulhosos de mim...
10 février 2009
Camboja 5 - Sihanoukville; Porque há fins de semana assim!
Costuma-se dizer que "quem vai para o mar, avia-se me terra!". Pois bem, agora que chegou a altura de ir ao mar é que tomei consciencia da quantidade de coisas que ficaram para trás, em terras lusitanas. Faltam os calções de banho, chinelos de praia/sandálias, equipamento de snorkling e o marine pack para a máquina fotográfica. Se a falta de uns se consegue remediar, já a de outros não é assim tão simples, e em especial os calções de banho. Durante a semana ainda visitei algumas lojas de desporto à procura de calções que fossem minimamente ao meu gosto. Difícil a escolha... Os únicos que considerei aceitáveis não existiam claro, para o meu tamanho. O máximo era o tamanho normal Cambojano ou seja "S". Segui então o conselho de procurar melhor em Sihanoukville, sempre é uma cidade na costa e deve estar melhor apetrechada com uma oferta mais alargada.
Sábado de manhã, lá me levantei bem cedo para apanhar o primeiro autocarro de Phnom Penh para Sihanoukville, a cidade costeira a cerca de 250Km da capital e famosa pelas suas praias de areia branca e pelas ilhas que ornamentam o horizonte para lá da linha da costa. 4 horas depois, muito karaoke e um péssimo filme de 5ª categoria americano com uma dobragem de 10ª categoria para Cambojano, lá cheguei ao meu ponto de destino. Primeira tarefa, o retorno à busca pelos calções de banho.
Dirigi-me então a um grande mercado adjacente à rodoviária local e onde era exibido um grande placard que dizia "International Trade Center". Reparei que tinha um pouco de tudo incluíndo todo o tipo de brinquedos para a praia e várias pequenas lojas de roupa. Devo conseguir aqui, pensei... Visito uma, duas, três e o desânimo começa-se a apoderar de mim. Dou de caras com a realidade local e começo a ficar preocupado.
No Camboja a noção de calções de banho está associada a dois estilos, o primeiro consegue ter uma forma aceitável mas apresenta uns padrões de péssimo gosto, ora repletos de gigantescas flores, ora com bonecada bem ao estilo Pokemon, ambos com cores fluorescentes e bem ao estilo Asiático. Para fugir a estes modelos, resta a segunda hipótese, herdada talvez da Austrália, país de origem da grande maioria dos turistas, que são uns calções compridíssimos e com figuras algo carnavalescas alusivas ao surf. Não é que não tivessem a sua piada, mas já não tenho 15 anos e preferia algo diferente. No entanto, não havia outra escolha... Venham eles...
A minha opção para o alojamento recaíu sobre um resort na melhor das praias da zona, o Sokha Beach Resort. Precisava de algum descanso e conforto para o fim-de-semana e esta foi sem dúvida a melhor opção.
O hotel dispunha de um grande conjunto de infra-estruturas e uma vasta oferta turística que infelizmente não deu para aproveitar ao máximo dada a curta estadia.
A praia era quase exclusiva do hotel e era sem dúvida uma das melhores. Neste primeiro dia, muito descanso após a viagem (a apreciar a vista em baixo), uma bela soneca e o assistir a um fabuloso por-do-sol.
O segundo dia foi dedicado a um passeio pelas ilhas de Sianoukville. A partida foi feita a partir da praia de Occheuteal numa pequena e rudimentar embarcação, que apesar de parecer cheia, por várias vezes que conseguiu levar mais alguns turistas. Um jeitinho aqui, outro ali e lá nos acomodámos e preparámos para a partida.
A pequena embarcação lá rumou em direcção ao aglomerado de ilhas a Sudeste no seu ritmo lento e constante. O motor, algo ruidoso, a funcionar quase ao "ralenti" e numa melodia quase monótona, não era no entanto sufuciente para quebrar o fascínio da viagem, a beleza daquele mar e a agradável sensação da fresca brisa marítima da manhã a trespassar pelo nosso corpo. O local ideal, a temperatura ideal e um ambiente ideal! Um pequeno paraíso, e eu ali...
As ilhas eram entre si bastante semelhantes, umas maiores, outra mais pequenas, todas se assemelhavam a uma grande mancha verde plantada no meio do aceano. Parecia que alguém tinha arrancado um pedaço de floresta densa e tropical e largado ali, o bloco no meio do oceano.
De repente, e no meio do oceano, eis que o motor começa a falhar, em seguida pára por completo. Alguma expectativa, mas a cara do condutor não engana... Tudo controlado e supreende-nos com um garrafão de gasolina que tinha escondido em baixo. Foi apenas falta de combustível e está aqui mais para reabastecer.
A primeira paragem, junto a uma destas pequeníssimas ilhas serviu para um pequeno e relaxante mergulho e a possibilidade de se fazer algum snorkling junto do coral perto das margens. Sempre previnidos, disponibilizaram o equipamento para o snorkling aos turistas pelo que sempre tive hipótese de contemplar as belezas sub-aquáticas. Infelizmente, a ondulação sentida nos dias anteriores retirou grande parte da transparência das águas e não foi possível observar o coral nas melhores condições.
A paragem seguinte foi na "Bamboo Island", a maior das ilhas deste grupo e ponto de destino desta nossa viagem. Chegámos cedo e ainda tive algum tempo para explorar a ilha antes que nos servissem o almoço em plena praia. A ilha é de facto muito bonita e bastante agradável. Um local calmo, longe das confusões, do turismo de massas e da agitação das praias que conhecemos. Um recanto natural, ainda preservado e de grande harmonia.
A única infra-estrutura existente são os pequenos bungalows destinados sobretudo aos mochileiros e amantes deste tipo de natureza.
Ainda fiz uma pequena tentativa para penetrar na densa e verdejante floresta da ilha. Após algumas centenas de metros desisti, pois o pequeno trilho que tomei depressa se desfez no emaranhado de plantas, árvores e arbustos. O calor aqui também era bastante mais intenso e a humidade muito superior e os insectos também começavam a não me largar.
Regresso à praia e ao almoço. Mais algum tempo para disfrutar e o preparar para o regresso.
O regresso foi feito ao mesmo ritmo, lento e constante. Ainda uma paragem numa outra ilha para mais um mergulho e uma dose de snorkling. A água apresentava-se em melhores condições, mas ainda assim a transparência não era a melhor. Fiquei admirado com a quantidade de coral existente naquelas pequenas ilhas. Ainda que não tão bonito e colorido como outros que já observei, a quantidade é de facto muito superior e numa densidade bastante mais elevada. Parece que aqui ainda não chegaram os El Niños e Niñas ou as desculpas associadas...
À chegada à praia de Occheuteal tudo mudou. A praia estava repleta de locais que aproveitaram o Domingo para aqui se virem divertir. Inúmeros barcos a motor roncavam e partilhavam o espaço com os banhistas, nas suas peripécias a alta velocidade. Várias motas de água faziam tangentes e utilizavam as pessoas como pinos para as manobras. Centenas e centenas de banhistas enchiam as águas de uma energia sem igual e lá se iam deliciando e aproveitando ao máximo nos seus pequenos jogos aquáticos. No areal, são muitos os vendedores ambulantes de vários tipos de comidas típicas que vão a pouco e pouco deliciando todos os que por ali se encontram para estes encontros de convívio e estes pique-niques tradicionais.
Como sempre acontece, o dia da partida é sempre o dia onde as condições meteorológicas são as melhores. Comigo é tradição! Um dia lindo, solarengo e um mar azul, calminho e apetecível. Resta-me ainda algum tempo, e vou explorar a baía de Sokha Beach, de um extremo ao outro.
A temperatura da água do mar? Não sei ao certo, mas nunca inferior a 30ºC...
Apanho uma motoreta, e lá vou eu com destino à rodoviária de Sihanoukville, em pleno centro da cidade. A estação rodoviária não é mais que um espaço em campo aberto onde se amontoam os autocarros das várias companhias, pequenos pontos de venda de bilhetes e um infindável número de tuk-tuks e motoretas.
Ainda antes de entrar no autocarro, reparei numa senhora de idade que também se encontrava à espera e que muito se ia movimentando entre os diversos pontos de venda de bebidas, a pequena zona de espera e as bilheteiras, sempre muito faladora e amável para todos. Coincidência ou talvez não, ao entrar no autocarro constatei que a senhora estava sentada no lugar ao lado do meu, e que seria a minha companheira de viagem.
Era uma senhora lindíssima, australiana, professora e missionária, que se encontra no Camboja há alguns anos onde já fez vários tipos de missões humanitárias. Uma senhora com uma presença e uma aura fantásticas e uma história de vida muito bonita, com passagens desde o Kenya, o Uganda, até este país Asiático. Dedicou a vida inteira a ajudar ou outros, a ensinar e a educar. Alguém que deu muito ao mundo, de muito valor e a quem o mundo vai ficar muito a dever...
Continua a ajudar, apesar da idade que se aproxima dos 70, e sente que é esse o seu dever e o seu objectivo. Lecciona inglês, mas sabe que tem de ir muito para além do ensino da língua universal. A grandmother Mary, como gosta que a tratem, sente que tem obrigações noutras áreas e vai ensinando muito desde cidadania aos conceitos de higiene, que neste países são ignorados. Fá-lo porque quer ajudar e porque se sente feliz e realizada em dar este contributo. Tem saudades do seu país e da sua família mas corajosamente vai seguindo o seu caminho, a sua felicidade e os seus objectivos.
Claro está que foi uma viagem muito agradável. Senti-me lisonjeado por poder estar com alguem assim, por poder partilhar experiências e aventuras com alguém tão vivido, com tanto para dizer, com tão bons conselhos para dar. As 4 horas da viagem passaram sem eu dar por nada. Senti-me bem, a senhora também e no fim agradeceu a companhia e a conversa. Confessou que também tinha recuperado energias e que tinha voltado à forma. Não é todos os dias que se encontram pessoas assim... Eu tive o meu dia!
Por muito bom que tenha sido o meu fim-de-semana, este viagem vai ficar eternamente marcada por estes momentos que passei com a Grandmother Mary. No final ficou aquele abraço e a despedida. Um dia quem sabe... É assim a vida de viajante, as pessoas vêm e vão, como os locais que se vão visitando sem que se criem grandes ligações. Mas é essa a magia, que com um pouco de tudo nos vai fazendo assim!
Resta-me agradecer também à Grandmother Mary... Um Muito Obrigado por ter tornado esta viagem tão especial!
18 janvier 2009
Camboja 4 - Preileep
Neste meu regresso ao Camboja, e a convite de locais fui até Preileep, conhecer e sentir um dos muitos lugares para onde os Cambojanos se costumam dirigir aos fins-de-semana. Preileep é uma povoação a norte de Phnom Penh junto ao rio Mekong e onde foram instalados vários restaurantes muito relaxantes sobre as águas calmas do rio. Os restaurantes apresentam vários espaços muito tranquilos onde os grupos e as famílias se juntam para apreciar uma boa refeição sempre acompanhada da boa cerveja nacional e passar depois umas boas horas de lazer.
A cozinha, do lado de fora, ampla e funcional.
São vários os grupos de jovens que aqui se juntam para passar as tardes dos fins-de-semana e também as famílias que vão aproveitando para confraternizar.
Em cada um dos espaços, e à medida que vão sendo preenchidos, são colocados tapetes, onde as pessoas se instalam. A comida é servida no chão, de forma muito tradicional.
O espaço é muito arejado e agradável, com uma brisa fresca que alivia do habitual calor muito húmido. A vista sobre o rio é também bastante relaxante. Ideal mesmo para recarregar as baterias para mais uma semana de trabalho.
Dado que é um espaço 100% dedicado a Cambojanos, o menu estava também ele na língua local. Mas não precisei de ajuda, pois deixei ao critério de quem sabe...
E o nosso almoço? O que se segue... E garanto que estava muito bom!!!
08 novembre 2008
Camboja 3 - A Partida
"Have a pleasant flight!" _ O avião recuava e afastava-se do terminal. Lá fora uma trovoada medonha e uma chuvada mais que torrencial. Não há chuva como a da monção Asiática...
Um relâmpago súbito faz da noite dia, ainda que apenas por um segundo. Um, dois, três, quatro conto eu, quando sou interrompido pelo trovão. Pelo menos não está assim tão perto. O avião continua a recuar quando mais um relâmpago, desta vez mais longo tudo ilumina. Um, dois, nem chego a três e um forte trovão estremece o avião que entretanto parou. A chuva torna-se ainda mais forte, como é possível? Da minha janela deixo de ver o edifício do aeroporto de Phnom Penh tal é a intensidade da chuva. Do lado de fora parece já uma cascata a passar pelo vidro. É quando uma pergunta surge na minha cabeça. _ E se o avião é atingido por um relâmpago mesmo no depósito do combustível? _ Tá calor aqui dentro... Deixa-me cá re-conduzir os pensamentos...
Novo relâmpago, nova contagem, desta vez até seis... Está-se a afastar, o avião retorna a marcha direito à pista. Mais um, oops, só contei até um... Lá vamos nós! Esta manhã estive no templo e o Buda não deixará que nada de mal me aconteça.
Phnom Penh e o Camboja ficam para trás e escondem-se por baixo do manto espesso e turbulento de nuvens que vão sacudindo o avião. Mais relâmpagos, mais uns ressaltos... Buda não deixará...
O Camboja é um país extremamente interessante. É o típico país do Sudeste Asiático com as suas simpáticas gentes, paisagens deslumbrantes e uma cultura verdadeiramente apaixonante. A passagem pelo país foi curta e não proporcionou grandes passeios turísticos mas é mais um daqueles para voltar e usufruir.
Uma das memórias que guardo é o facto de este ser o que chamei de país do um dólar, "One dollar country". É o país onde tudo o que é oferecido ao turista custa um dólar. Somos constantemente bombardeados pelos vendedores ambulantes e o seu _ "One Doláaaa!". Se se trata de algo demasiado barato para custar um dólar, nada melhor que vender dois por esse mesmo dólar, _ "Tu fó one Doláaa!".
Um dos hábitos que ganhei foi o de fotografar os sinais de STOP dos diferentes países por onde vou passando e, obviamente onde são diferentes. Começou na Tailândia e já recolhi uma boa amostra, como este:
Estou neste momento em Bangkok à espera do vôo que me levará a Frankfurt onde apanharei ainda mais um com destino a Lisboa. Aproveitei o tempo livre para escrever estas linhas e idealizar esta ultima entrada no blogue. Bom, está na hora e já chamam para o embarque...
03 novembre 2008
Camboja 2 - Templos de Angkor
Há lugares no mundo que eu considero que têm de ser visitados pelo menos uma vez na vida e os Templos de Angkor são um deles. Uma das maravilhas do mundo, Angkor é um complexo de ruínas das antigas cidades do Império Khmer que dominou a região do Camboja entre os séculos IX e XV. As ruínas, localizadas no interior da densa floresta fazem parte do Património Mundial da UNESCO.
Parti num dos primeiros autocarros que saía de Phnom Penh em direcção a Siem Reap, ponto de partida para os Templos, às 8h30. Pela frente, 6h de viagem de autocarro até Siem Reap e mais uma pequena viagem de pouco mais de 30 minutos de Tuk-Tuk até às famosas ruínas.
O autocarro era razoável e confortável e não foi difícil a viagem. No Camboja, este tipo de autocarros possui uma pessoa tipo "hospedeira" que vai dando informações sobre a viagem, informações turísticas e fornece até uma pequena refeição, com uns snacks e água, onde vai fazendo algum equilibrismo no meio do autocarro de modo a manter o tabuleiro estável. Dado o tempo de viagem até que se torna bastante útil.
O sistema está também montado, a meio da viagem pergunta quem necessita de transporte até ao centro da cidade pois os bilhetes para os Tuk-Tuks são vendidos ali mesmo e a estação de autocarros, por obra do acaso, até fica um pouco afastada. Consoante a distância os preços variam entre 1 e 3 dólares.
Perguntei então o preço para ir directamente para os templos, pois só dispunha dessa mesma tarde e da manhã seguinte para os visitar e teria de ir logo de seguida. A senhora ficou admirada e disse que as viagens são só para o centro, para as pessoas se dirigirem aos hoteis ou pousadas. Repito que tenho de ir logo e após alguns telefonemas lá me diz que tenho de ir num dos Tuk-Tuks que dispõem até à cidade e depois apanhar um outro transporte para os Templos. Não tenho outra hipótese, aceito.
Após a chegada, tomo então o meu Tuk-Tuk para a cidade e confronto logo Phanit, o meu motorista sobre a possibilidade de me levar logo aos templos. Hesita e diz que normalmente todos vão para a cidade. Reforço a minha vontade, ele insiste que é melhor ir primeiro à cidade e eu finalizo que tenho de ir já para os Templos. Ok, responde, eu levo-te!
Phanit tornou-se a partir daí no meu "motorista privado de Tuk-Tuk" e pseudo-guia, pois lá me ia dando algumas escassas informações de tempos a tempos. Esteve comigo nos dois meios-dias que dispunha para a visita e acabou por ser uma boa companhia. Quanto ao seu Tuk-Tuk, tirando o facto de ser constituído por uma pequena motica atrelada ao corpo do Tuk-Tuk e não conseguir passar dos 20Km/h, tudo bem...
Chegados às bilheteiras tentei ver a melhor forma de comprar os bilhetes, pois no fundo estaria apenas dois meios-dias em Angkor. O bilhete de um dia não pode ser repartido, teria de comprar de dois dias e prontamente a senhora diz-me que dois bilhetes de um dia ficam ao mesmo preço do bilhete de três dias. Não tinha outra hipótese e lá o comprei. Bilhete de três dias, ao preço de dois para uma visita com o tempo total de um. Grande negócio o meu!
O tempo começava a escassear, aqui anoitece cedo e lá fomos o mais rápido possível... A decisão para as visitas do primeiro dia caíu sobre Angkor Thom e Phnom Bakheng, famoso pelo seu por-do-sol.
A porta de Angkor Thom é uma lindíssima ponte repleta de figuras de gigantes nagas (serpentes míticas conhecidas pela possibilidade de terem duas cabeças) sobre o canal e um grande portal bastante impressionantes.
Após a entrada deparamo-nos logo com The Bayon, o templo do centro de Angkor Thom com as suas torres cónicas que sorriem em todas as direcções.
Estas, as minhas preferidas.
Famoso também o Terrace of Elephants com figuras dos Elephantes guerreiros em marcha e nas traseiras o templo de Baphuon.
Baphuon fica dentro da densa floresta Cambojana o que lhe dá também um ambiente e uma envolvência muito especiais. Esta não é uma floresta normal... É uma floresta muito viva, muito forte e que já engoliu uma grande cidade. Há algo aqui...
Antes do anoitecer rumámos a Phnom Bakheng, o templo que no alto da colina obtém uma vista soberba sobre Angkor e toda a região. Dadas as suas características tournou-se famoso pelo seu pôr-do-sol.
Bom, é obvio que com toda a fama, o local iria estar repleto de gente. A certo ponto, ao aproximar-se o pôr-do-sol, que não se revelada assim nada de tão especial, e vendo-me no meio de tão grande multidão decidi que o mais interessante não era o tal fenómeno natural que me levou ali mas sim as centenas de pessoas em anfi-teatro de máquinas na mão a postos para o grande momento...
E cá está ele...
Terminada a visita, lá fomos em direcção a Siem Reap à procura de alguns hoteis que já havia seleccionado do meu guia (livro). Já em viagem decidi que talvez fosse melhor ficar por um dos hoteis localizados na área à saída da zona dos Templos. Poupava a viagem dessa noite para a cidade e no dia seguinte também já estaria mais perto. E não foi difícil, com um golpe de sorte passámos por um hotel de aspecto agradável e bem localizado, junto a um pequeno centro comercial e a vários restaurantes. Parámos, fui à recepção e fiz a reserva com direito a desconto e tudo. Uma boa opção.
No dia seguinte lá estava Phanit à hora marcada e lá fomos nós ao ritmo do seu Tuk-Tuk rumo à principal das atracções, Angkor Wat.
Mais do que um grandioso e impressionante palácio, Angkor Wat é um símbolo nacional e do orgulho Khmer. Um local majestoso e rico, de silhueta imponente e marcante. Mas palavras para quê, as fotos valem mais do que qualquer coisa que possa dizer...
Foi grande a dificuldade em seleccionar as fotos para colocar aqui no blogue. Tanto este como o templo a seguir são locais verdadeiramente especiais e a câmara não conseguiu ter descanço.
A segunda visita do dia foi dedicada a Ta Prohm, para mim o mais espectacular dos templos. Não tão grandioso como Angkor Wat, mas com um misticismo muito maior, talvez por ter sido verdadeiramente engolido pela floresta, talvez por dar uma maior sensação de cidade perdida. É um local mágico e extremamente interessante.
E mais uma vez as imagens falam por si...
Não muito longe fica Ta Keo, de menor dimensão mas também interessante.
Para terminar a visita, pois a hora do autocarro de volta a Phnom Penh aproxima-se, uma pequena visita a Prasat Kravan, um pequeno templo junto à estrada de regresso a Siem Reap.
Ainda bem que decidi partir com alguma tolerância, pois claro está, Phanit levou-me para a estação de autocarros errada, e ainda comenta: _ Mas o autocarro não está aqui!? _ Ao ver o local diferente ainda lhe perguntei se não era no mesmo local onde havia chegado no dia anterior? Phanit disse que não, que lá era apenas a chegada e que as partidas eram todas do mesmo local. Bom, lá ligou para a empresa de transportes, e ligou de novo o Tuk-Tuk... Sempre era no mesmo local.
Siam Reap é uma cidade com pouco para ver e que nesta altura estava em grande parte alagada. Para eles é a normalidade e levam o dia-a-dia da mesma forma.
Às 12h30 lá estava eu no autocarro a ver os vídeos de karaoke da Lambada e da Macarena em versão Cambojana. Daí a pouco partiu rumo a Phnom Pehn onde chegaríamos daí a 6h. Durante, mais uns vídeos de karaoke...
30 octobre 2008
Camboja 1 - Phnom Penh
Após muitas horas de vôo ( três vôos ) e duas escalas ( Frankfurt e Bangkok ) de algumas horas, cá estou em no Camboja, um lindíssimo país do sudeste Asiático que há muito ambicionava visitar. A viagem correu bem, não fosse ficar algo adoentado. Nariz entupido, dor de garganta e a aquela estranha sensação de letargia. Não sei qual a razão, talvez as alterações bruscas de temperatura sofridas durante a viagem. Lembro-me de passar do fresco avião para o quente ambiente do aeroporto de Bangkok. O aeroporto estava muito quente ( Bangkok é na realidade uma cidade muito escaldante... ) e de seguida ainda entrei no avião, saí para o calor do Camboja e voltei a entrar no frio ar-condicionado do carro que me levou ao hotel... Mas tudo passa!
"Same same, but different"! Uso uma antiga e engraçada expressão Tailandesa para definir o Camboja. "Igual igual, mas diferente", de facto o Camboja é muito semelhante à Tailândia em termos culturais, nas pessoas e no estilo das cidades. Ainda assim existem diferenças em termos de desenvolvimento. Phnom Penh, a capital é como Banguecoque, mas bastante menos desenvolvido, sem os arranha céus, os shoppings, os sitemas de metro e auto-estradas. Não é, ainda assim menos interessante ou agradável.
A cidade de Phnom Penh tem cerca de 1.5 milhões de habitantes e é uma cidade bastante activa e cheia de energia. É um rodopio de pessoas, biciletas, motos, carros e tuk-tuks que se cruzam com os inúmeros vendedores ambulantes que tudo vendem nos passeios da cidade e os monjes budistas que por lá vão vagueando. É uma mistura de cores, cheiros e estilos e onde não passa despercebida a presença francesa. Os tradicionais e acolhedores cafés são uma presença forte nesta cidade onde muitos ainda falam francês.
A minha primeira manhã foi passada em Wat Phnom, um dos principais templos budistas localizado na unica colina de Phnom Penh. Um templo agradável e interessante com o tradicional cheiro a incenso e repleto de fiéis. O ambiente simpático levou-me a ficar aqui durante algumas horas em contemplação, reflexão e meditação. Senti-me bem e quero voltar, mas hoje ainda há muito para ver.
À saída, um elefante enorme que passeia os turistas.
Dado o calor e sol infernais, e o facto de estar adoentado, decidi apanhar um transporte para o proximo destino, National Museum. As opções eram várias e optei por tomar a mais típica e aventureira, a de ir de mota. Felizmente era feriado e não havia muito trânsito pelo que a aventura não foi assim tão intensa. As regras de condução asiáticas também não são propriamente exemplares...
O National Museum é um lindíssimo edifício de barro com um fabuloso jardim interior. O museu é interessante, mas não passa daqueles típicos museus que mostram algumas estatuetas, pedras e artefactos. Não fala muito da história do país, mas isso na realidade podemos ler...
Do outro lado da rua fica o imponente Royal Palace, o palácio Real. Trata-se de um complexo de vários palácios dourados lindíssimos de telhados em cascata rodeados de bonitos e agradáveis jardins.
É lá que fica também Silver Pagoda, cujo nome deriva do facto de ter sido construído com mais de 5000 pequenos azulejos prateados.
O palácio está localizado na zona ribeirinha da cidade. Como em todas as cidades Asiáticas, onde os rios têm um papel preponderante no seu desenvolvimento e consequentemente nos seus hábitos, Phnom Penh tem também uma estreita relação com o rio Mekong.
Nas imediações do palácio, um motorista de tuk-tuk veio ter comigo para me oferecer os seus serviços, um pouco à semelhança do que já tinham feito cerca de 15673 dos seus colegas de trabalho. Isto só durante este dia... Numa tentativa de estabelecer um contacto mais próximo, perguntou-me de onde vinha, ao que respondi Portugal. Olhou-me muito sério e diz: _ "Wow! És o primeiro português que conheço! E agora que dizes... Sim, é verdade... Tu és igual ao Cristiano Ronaldo!" _ Bom, recebo normalmente palpites sobre a minha origem e fisionomia nem sempre muito correctos. Em França confundem-me com os árabes, na Tunísia era francês, na Alemanha italiano e mais recentemente na Índia disseram-me que devia ser ali do médio oriente, Irão ou Iraque. Apenas no Brasil acertaram _ "Cara dji Portugueiss meismo!". Agora, igual ao Cristiano Ronaldo?! Ok, onde está a Merche Romero?
Do topo do Sorya Shopping Mall, um centro comercial no centro da cidade é possível obter uma vista panorâmica da cidade muito interessante.
Phnom Penh não é propriamente uma cidade bonita no geral, mas como todas as cidades, interessa senti-la, vivê-la e usufruir de tudo de bom que nos pode dar. Vale por tudo isso e em especial pelas pessoas, pela sua cultura e vivência.

















































































































































































































































































