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The pain that you create now is always some form of
nonacceptance, some form of unconscious resistance
to what is. On the level of thought, the resistance
is some form of judgment. On the emotional level,
it is some form of negativity. The intensity of the
pain depends on the degree of resistance to the
present moment, and this in turn depends on how
strongly you are identified with your mind.
Eckhart Tolle

 

Cerca de duas horas separam a capital Bruxelas de Londres através do comboio de alta velocidade Eurostar. Uma viagem que ambicionava há muito fazer quer pela curiosidade de viajar no comboio mais rápido da Europa quer pela passagem pelo Canal da Mancha através do Eurotunel. Foi uma boa experiência, com uma boa noção da velocidade fora dos centros urbanos, ainda que, não tenha comparação com o Maglev de Xangai. Os comboios também já são um pouco antigos e em termos de facilidades para os passageiros deixam um pouco a desejar em comparação com serviços equivalentes noutros pontos.

Uma das grandes vantagens do uso dos comboios é o facto de as estações estarem normalmente localizadas no centro das cidades. O Eurostar deixa-nos precisamente no centro de Londres em St Pancras, dando-nos uma muito maior facilidade em termos de acessos.

 

Estas é a segunda vez que visito Londres depois de uma visita relâmpago em 2008 durante a escala na viagem para Calcutá. Pela curta duração não foi possível na altura sentir muito da cidade entre a correria para ver os principais monumentos. Gostei mas na realidade foi uma cidade que não me preencheu nem me levou a sentir grande empatia. Claro está, foi muito pouco tempo para absorver, e pode ser que desta vez consiga inverter esta minha opinião.

O primeiro passeio começa na estação de metro de Tower Hill e na Tower of London, uma fortificação construída em 1078 por Guilherme o Conquistador na altura nas portas da cidade e que desde então tem tido as mais variadas finalidades.

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Mesmo ao lado fica um dos ícones da cidade de Londres a Tower Bridge, a famosa ponte-báscula construída sobre o rio Tamisa e que é hoje um dos principais destinos turísticos. É interessante atravessá-la a pé não só para admirar a sua arquitectura como pelas excelentes vistas sobre o rio e grande parte da cidade.

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Já na margem sul do rio Tamisa, numa das novas e reconvertidas zonas da cidade fica o City Hall e um conjunto de modernos edifícios que albergam comercio, serviços e escolas.

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Aqui começa também Queens Walk, um passeio ribeirinho que acompanha o rio ao longo de todo o centro da cidade de Londres. O passeio é interessante, com boas vistas cobre a cidade e sempre na proximidade da água. Decidi fazer este passeio até à London Bridge, onde atravessei de novo para a margem norte.

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Entrando pela Cannon Street é possível visitar um número significativo de monumentos, como a St Paul's Cathedral, St Dunstan, St Clement Danes e o The Royal Courts of Justice.

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Cannon Street liga a Ludgate Hill que liga à Fleet Street, numa sucessão de ruas concorridas e estreitas. Em plena hora de almoço com todo aquele tráfego de pessoas, autocarros e todo o tipo de carros tenho uma sensação algo clautrofóbica. Londres é mesmo uma cidade de enchentes e confusão o que, combinado com este estilo de cidade de ruas estreitas e sinuosas em algumas zonas pode ser algo atrofiante.

Depois de vários kms de caminhada chego a Covent Garden e ao seu renovado mercado. Actualmente o espaço é muito mais do que um mercado com inúmeras soluções de restauração, galerias, espaçoes comerciais e muita performance de rua.

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Mesmo em frente do mercado fica a St Paul's Church com um pequeno e agradável jardim muito utilizado para as pausas de almoço.

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De Covent Garden tempo ainda para visitar Picadilly Circus, o Soho, Carnaby e Oxford Street.

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Localizado no centro-norte de Londres fica Camden Town, um antigo distrito industrial e fortemento ligado à ferrovia que hoje está convertido ao retalho, entretenimento e à cultura alternativa. Camden possui uma série de mercados de renome internacional onde se pode encontrar de tudo e com uma grande componente multi-cultural.

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Num dia bem mais nublado regresso a Westminster, local onde já havia passado mas que é um bom ponto de partida para uma visita a esta zona da cidade com mais algum detalhe. O metro deixa-nos mesmo em frente ao Big Ben. Mais uns passos e estamos perante o imponente Palácio de Westminster.

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Toda a área é bastante interessante e uma volta pelo quarteirão até chegar a Westminster Abbey e Central Hall revela algumas boas surpresas.

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Não muito longe, e perto do HM Revenue & Customs começa St James Park, um dos mais emblemáticos parques de Londres que nos leva até Buckingham.

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O Palácio de Buckingham é a residência oficial e principal centro da realeza do Reino Unido em Londres. Foi em tempos conhecido como Casa Buckingham, o edifício construído em 1703 para John Sheffield, 1.º Duque de Buckingham e Normanb.

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Em frente aos portões do palácio fica o memorial de Vitória, criado pelo escultor sir Thomas Brock, em 1911.

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O último dia em Londres é passado no charmoso e típico bairo de Notting Hill. O bairro, muito ao estilo vitoriano, destaca-se pela sua singularidade, pela sua cor, harmonia e vivência. Decidi visitá-lo precisamente neste dia, sábado, também por causa da sua conhecida feira de antiguidades, artesanato e de alimentação. No entanto, o elevado número de pessoas que visitam a feira acaba por criar algum caos na principal rua do bairro e estragar um pouco a magia.

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Ainda assim, e desviando um pouco das ruas mais movimentadas, gostei imenso do bairro, das suas pequenas lojas, dos pequenos bares e restaurantes e das suas esplanadas. Um lugar bastante simpático e acolhedor e que nos consegue transmitir algo. Fico com a sensação que se tivesse de viver em Londres era aqui que gostava de ficar...

No geral, gostei bastante mais de Londres nesta visita, mas continuo ainda a achar que a cidade não consegue ter uma alma própria, algo que lhe dê uma identidade, que a distinga. Esta é uma das capitais do mundo e por essa razão sofre alguma descaracterização. Já não se parece com Inglaterra, não vai buscar nada à identidade do país nem à cultura. É uma manta de retalhos, de nacionalidades e culturas, de tudo e mais alguma coisa, numa mistura que no fim não se assemelha a nada. Toda esta vantagem da multiculturalidade foi feita destruíndo as raízes históricas de Londres. Muitas das cidades europeias são multiculturais, mas conseguem ainda assim manter a sua identidade. Paris é Paris e é França, Berlim continua a ser uma cidade Alemã, Amesterdão também mantém a sua cultura. Aqui há de tudo e comercio dos quatro cantos do mundo, mas que absorveu na sua quase totalidade todos os estabelecimentos britânicos. Uma vantagem em detrimento de outras...

Não deixa ainda assim de ser uma cidade com uma boa vivência e interessante, e onde é muito fácil adaptarmo-nos. Mas sempre com uma sensação de que falta algo...