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"O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá."
Madre Teresa de Calcutá

 

Tailândia, grande símbolo da amabilidade, país de sorrisos e diversão, exotismo e cultura. Dos coloridos templos às praias douradas, da densa floresta tropical à energética Banguecoque, aqui tudo é vibrante, tocante e penetrante.

Precisamente 12 anos depois da minha primeira experiência neste país que tanto me marcou e mudou, aqui estou eu de novo para mais e enriquecedoras vivências, para absorver mais e mais desta energia única e para explorar mais deste paraíso asiático e acima de tudo de mim mesmo...

Tudo começa em Banguecoque, essa grande metrópole que nunca pára, nunca dorme nem tão pouco abranda. Um barco apertado serve de transporte de Saphan Taksin até Tha Tien, acesso aos imponentes Grand Palace e Wat Phra Kaew.

 

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É quanto a mim uma das maiores experiências da cidade, tanto pelas suas vistas e diferentes perspectivas que temos da cidade como pelo incrível frenesim que se vive sobre as águas do Mae Nam Chao Phraya. Foi um dos locais que mais me marcou na minha primeira passagem por Banguecoque e mais uma vez me fez voltar a vibrar.

Nas margens do rio amontoam-se todo o tipo de edifícios, monumentos e templos, como Wat Arun, mercados e cais de acesso às centenas de embarcações que por aqui serpenteiam.

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Os acessos ao cais são normalmente utilizados também para venda ambulante e na grande maioria das vezes rodeados de típicos e coloridos mercados, que nesta zona da cidade privilegiam a venda de peixe fresco ou seco.

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Wat Phra Kaew é um enorme complexo de templos Budistas que alberga também a antiga residência da monarquia tailandesa, o Grand Palace e que se tornou na maior e mais importante das atracções turísticas da cidade. Infelizmente, num país tão turístico como este isso pode transformar-se em algo menos agradável que leva a um grande acumular de filas e enormes aglomerados de pessoas um pouco por todo o lado, e acima de tudo, o ruído que não nos deixa absorver devidamente este local tão especial. A saturação atinge-nos antes de tempo e não demora até que queiramos abandonar o local.

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Não muito longe fica o mais pequeno mas não menos interessante Wat Pho, conhecido por albergar o maior Buda deitado e a maior colecção de imagens de Buda do país. Pelo facto de não ter tantos turistas é-nos permitido disfrutar e apreciar mais este local sagrado.

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Bem mais típico, confuso e apertado é o China Tow, um dos bairros mais conhecidos da cidade. Trata-se de um grande centro de comércio onde se pode encontrar de tudo em longos e apertados mercados de rua. É também o local ideal para apreciadores da comida chinesa com uma grande variedade de restaurantes do género.

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Um pouco mais a norte encontra-se um dos meus templos preferidos, o Golden Mount, no topo da que me parece ser a única colina de Banguecoque. Local de culto, de uma energia única e que ainda tem a vantagem de oferecer uma vista soberba sobre a cidade.

A subida pode ser difícil mas a recompensa é grande. Ao longo de todo o trajecto somos brindados com várias alusões a figuras míticas do Budismo.

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Terminadas as visitas aos ponto mais importantes, há que reservar algum tempo para o melhor de Banquecoque, que não se vê, não se fotografa mas que se sente, ouve e cheira. É preciso tempo para nos perdermos nas ruas, nas multidões e na confusão da cidade. É preciso tempo para pormos todos os sentidos a funcionar e para absorver o que de melhor nos é proporcionado. Não é fácil lá chegar, mas mais tarde ou mais cedo vamos acabar por nos apaixonar por ela...

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Ayuthaya

Começa cedo este longo dia de viagem e visita a Ayuthaya, e cujos planos incluem seguir depois pelo comboio nocturno para Chiang Mai. Malas feitas, checkout, e partida rumo à estação central de Hua Lamphong.

Ao chegar ao metro logo na entrada sou abordado pelo segurança que me faz passar a minha enorme mala pelo detector de metais. Soa o alarme, como não, e pergunto se quer que abra a mala ao que ele me responde com nova pergunta do género: _ "Do you have Tinti insai?" _ Não percebo e pergunto o que quer dizer com ar admirado ao que ele com um ar sorridente responde: _ "Tinti... Bomb..." _ Desta vez percebo, "TNT inside", e entendo a brincadeira. Respondo que não também com um sorriso ao que ele me brinda com um muito simpático, "pode seguir"!

A viagem de metro não é longa e esta é de facto a melhor forma de viajar em Bangkok quando temos de respeitar horários. De carro duraria com certeza muito mais de 1h, de metro ficou-se pelos 20 minutos.

Hua Lamphong é a principal estação de comboios de Banguecoque e ponto de partida de uma infinidade de turistas que pretendem visitar o centro e norte do país. Um edifício antigo com uma grande nave central e onde se vive a agitação própria deste tipo de gares. Pessoas que correm entre bilheteiras e comboios ou à procura de informação, vendedores que tentam estar em 5 lugares ao mesmo tempo, famílias que se tentam organizar e a azáfama de quem por aqui trabalha num dos muitos estabelecimentos comerciais que servem de apoio.

É cedo e ainda há tempo para o pequeno almoço. Opto por um Donut e um Capuccino, vejo a conta e sorrio. A viagem para Ayuthaya de cerca de 3 horas custa 15 Baths, cerca 35 cêntimos de Euro, o Donut custa 30 Bahts, o dobro...

Chegada a hora, começa viagem...

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Ou talvez não, pois no país do "nunca se sabe" os imprevistos são sempre algo que tem de estar sempre presente. E desta vez não foi diferente.

Chega a hora da partida e o modesto comboio, já cheio de locais e turistas não se mexe. Entram e saem vendedores e nem sinal da partida. O tempo passa e a impaciência começa a tomar conta de alguns dos que aqui estão, enquanto outros parecem já estar habituados. Passam 15 minutos, 30, 40... Passa 1 hora e nem sinal... Até que um solavanco interrompe aquela algazarra e nos dá algum alento... Está quase, pensamos... Mas não! O comboio pára, solavanco para trás, solavanco para a frente, outro e outro e mais uma espera. Até que finalmente começa a andar... No sentido certo e lá vamos nós...

Ainda assim, os atrasos não se ficaram por aí. Passados alguns minutos a composição volta a parar por algum tempo. Retoma a viagem e mais uma paragem, e outra e outra. As espera são longas e tento perceber a razão. Uma coincidência, em cada uma das paragens atravessamos depois uma passagem de nível e começo a pensar que ao invés de ser o transito automóvel a parar para deixar o comboio passar é o contrário. Tento não acreditar mas é uma teoria que faz cada vez mais sentido e que me parece ser verdadeira. Atraso atrás de atraso lá vamos indo, e algumas horas depois do previsto chegamos ao nosso destino.

Primeiro passo, deixar as malas em local seguro na estação e adquirir de imediato o bilhete para o comboio da noite para Chiang Mai. O dia estaria então livre para visitar a cidade e no final seria retomada a viagem. 

_ "Está cheio!", responde o senhor da bilheteira. Fico assustado, não há lugar para continuar viagem nessa noite. Tento vários horários, várias classes e nada. Há um evento em breve e todos os Tailandeses vão visitar as famílias nesta altura. Vagas creio que só no dia seguinte e no comboio diário, algo que não interessa pois além de ser necessário pernoitar em Ayuthaya, era menos um dia inteiro que poderia ser aproveitado em Chiang Mai.

Pergunto pelos autocarros e é-me indicado que a estação fica um pouco longe, fora da cidade, mas esta é a única esperança. Negoceio um tuk-tuk e pomo-nos a caminho... A estação de autocarros não é mais que um pequeno e modesto edifício com uma bilheteira e uma sala de espera assistida por um pequeno café. Vêem-se bastantes turistas à espera, o que compreendo dada a falta de comboios. Corro para a bilheteira e pergunto pelos autocarros e tempo de duração. _ "Quero um daqueles bons com AC, ok?", pergunto. Confirmam-me que sim, com partidas à noite e uma duração de 9h. Sem outra solução, há que aceitar.

Ayuthaya foi em tempos uma grande e próspera cidade com um importante papel na Ásia. Chegou a ser capital de Sião entre 1350 e 1767 e um importante porto de comercio que lhe concedeu grande riqueza e imponência. Hoje é possível ver o que resta do património desse tempo, muito dele em ruínas, mas que nos dá uma ideia do que foi a cidade durante o seu auge.

Wat Phra Si Sanphet era o maior tempo da cidade e hoje um dos símbolos de Ayuthaya com as suas 3 chedi, ou torres sagradas. Foi usado por vários reis ao longo de séculos e na altura possuía um gigantesco Buddha de 16m de altura coberto com cerca de 250Kg de ouro que foi mais tarde derretido e saqueado pelos Birmaneses.

 

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Mesmo ao lado o santuário de Wihaan Mongkhon Bophit, uma estrutura bastante mais recente que alberga um dos maiores Budas da Tailândia.

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No extremo sul do complexo fica um interessante mercado todo ele vocacionado para os visitantes, com uma infinidade de doces típicos da região e iguarias locais. Um bom local para uma pausa para o almoço.

 

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A cerca de 1Km de distância fica Wat Phra Mahathat, um grande complexo construído em 1374 e que é talvez um dos mais fotografados graças à misteriosa figura de Buddha que surgiu no meio das raízes de uma grande árvore.

As ruínas mostram o que foi em tempos um grandioso templo e um pouco à semelhança do que se pode observar nas ruínas da cidade percebe-se que na altura, em Ayuthaya, existiam bons arquitectos mas não tão bons engenheiros...

 

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A este da cidade fica o impressionante Wat Chai Wattanaram, contruído em 1630 pelo Rei Prasat Thong. Famoso pelas bonitas imagens que proporciona e pelo contraste com a paisagem em volta.

 

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Finda a visita a Ayuthaya é tempo de recuperar as malas e preparar a viagem rumo ao próximo destino. Isto não sem antes me despedir do meu novo "amigo", motorista de tuk-tuk e companhia nas visitas na cidade.

 

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À noite a "pseudo-estação" de autocarros estava apinhada. São muitos os autocarros que por aqui passam com os mais variados destinos e sendo este um país turístico por natureza, há sempre um elevado número de turistas em trânsito.

Confesso que estava um pouco receoso quanto ao autocarro. Uma viagem de 9h não é propriamente fácil e sem conforto pode ser um martírio. A senhora da bilheteira tínha-me indicado o melhor autocarro, que consideram VIP, mas mesmo assim haviam ainda algumas dúvidas.

Passam vários autocarros e parecem-me bastante confortáveis. Um deles segue para Chiang Mai e vou confirmar se não é o meu. _ "Não, este é o regular, tens de esperar pelo VIP"_ dizem. Bom, assumindo que o VIP é melhor... Começo a ficar mais descansado...

E revelou-se uma grande surpresa. Na verdade o VIP Bus como lhe chamam, é o melhor autocarro onde já andei. Os bancos largos e espaçosos, grande distância com os bancos da frente e fáceis de reclinar até fazerem quase uma cama. Foi-nos servida uma refeição ligeira e distribuídos cobertores para a noite. A viagem, sempre feita em auto-estrada foi segura e tranquila o que tornou as 9h bem mais fáceis de suportar. Há males que vêm por bem e na realidade esta foi uma muito melhor opção que o comboio...

6h30 da manhã e chegamos a Chiang Mai!

 

Chiang Mai

Segunda cidade da Tailândia e a grande capital do norte do país, Chiang Mai é em tudo diferente de Banguecoque. Bastante mais descontraída e tranquila, esta é uma cidade de encantos com uma cultura bastante mais alternativa. A cidade vai-se renovando em torno de um charme muito próprio e de uma identidade forte o que a torna num destido bastante apetecível. O turismo aqui tem uma forte presença mas não é só pelo grande número de monumentos da cidade. Há todo um espírito e uma maneira de estar que traz as pessoas aqui. A energia, a natureza e o contacto próximo com o natural e o bem-estar. Chiang Mai é especial e foi uma das minhas grandes surpresas.

O centro da cidade está rodeado de um pequeno canal, outrora usado como defesa e que agora delimita a parte histórica, denominada Cidade Velha, da restante. É aqui que estão concentrados praticamente todos os monumentos e locais de interesse e dada a sua pequena dimensão pode, e deve ser percorrida a pé. Há muito para sentir aqui e tudo deve ser apreciado com a devida calma.

Wat Phra Singh é o maior dos templos e o mais visitado e alberga uma das mais veneradas figuras de Buddha. Bem perto ficam os não menos interessantes Wat Chedi Luang e Wat Phan Tao.

 

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Um pouco por todo o lado encontram-se espaços de devoção e reflexão, monges, e locais de culto. Tudo tratado com o devido respeito e consideração.

 

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O norte da Tailândia é conhecido por albergar vários tipos de tribos nas suas montanhas. A mais conhecida é talvez a Long Neck Tribe ou Tribo dos Percoços Compridos. Mas existem outras, todas elas com as suas peculiaridades.

Grande parte das tribos são oriundas da Birmânia e refugiaram-se em locais remotos da densa floresta tropical que cobre as montanhas da região. Além de sustento a floresta conseguiu dar-lhes sempre protecção e mantê-los afastados da curiosidade alheia.

 

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Infelizmente com a massificação do turismo e a notoriedade que estas tribos passaram a gozar, deixou de ser possível conviver com elas no seu meio natural e hoje, qualquer das visitas sente-se como que artificial. As tribos vivem numa espécie de "campus" para turista ver e não é possível observar o seu verdadeiro dia-a-dia. Algo que poderá ser compreensível dado o elevado número de turistas que as visitam e também o facto de as autoridades as quererem proteger.

O grande meio de tranporte da região foi em tempos o elefante, animal de grande porte que durante séculos foi uma ajuda preciosa. Actualmente e na grande maioria dos casos, servem para passeios turísticos pela floresta e margens dos muitos rios que aqui existem.

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Ponto alto da visita a Mae Taeng foi a caminhada pela floresta até à cascata de Kuet Chang. Um trilho bastante difícil em terreno acidentado e cujas condições foram ainda severamente afectadas pelas intensas chuvas da época. No entanto, a recompensa é enorme e no final, além da beleza do local, temos a oportunidade de nos refrescar nas agitadas águas da cascata.

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Várias horas de caminhada seguidas de rafting e bamboo rafting na descida do rio.

O ultimo dia de Chiang Mai foi dedicado à descoberta da zona Este da cidade e ao mercado de Talat Tonlamyai. Este interessante mercado está dividido e várias secções desde frutas ao peixe seco, passando pela carne, aves e até flores.

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Tempo ainda para visitar um antigo complexo de templos às portas da cidade, a sul, e cujas ruínas se encontram espalhadas por vários Kms. A zona é muito pouco turística e como tal encontra-se algo abandonada sob o ponto de vista de apoio e informação turística. Um guia oferece os seus serviços a bordo de uma pequena "charrete", mas o o dia ainda é uma criança e a zona é excelente para ser explorada a pé...

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Ko Samui

Dada a distância e o facto de Samui ser uma ilha, a viagem entre Chiang Mai e Ko Samui foi feita de avião. Mais uma vez o facto de esta ser uma altura complicada para viagens internas revelou-se um grande obstáculo e à falta de lugares nos vôos directos houve necessidade de uma pequena paragem em Banguecoque.

À falta de lugares no vôo directo seguiu-se a falta de reserva no hotel, em Samui. Primeiro pedem que espere um pouco, mais uma espera e a justificação que estão a terminar o quarto. Acho estranho e pela minha experiência sei que a reserva não foi feita. Na Ásia a probabilidade deste tipo de coisas falharem é elevada e está claro que é mais um caso.

A reserva, feita dias antes estava perdida e só a muito custo foi encontrada algures numa pilha sobre a secretária de alguém. Mais tarde admitem o erro e são forçados a um upgrade pela falta de quartos semelhantes...

Samui mudou bastante desde a última visita em 2001. Esta ilha paradisíaca tornou-se num dos principais destinos de turismo e com isso perdeu muito do seu encanto e pacatez. Chaweng, a parte mais turística, é hoje um amontoado de resorts, restaurantes, bares, discotecas e gente. Muita, muita gente que aqui vem em busca de praia, diversão e agitação e que, como tudo o que é demais, retira muito do encanto natural da ilha.

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O Big Buddha é um dos grandes exemplos. Recordo sempre, de forma muito intensa a minha primeira passagem por este local, na altura de culto e onde se faziam oferendas ao som de um Mantra que me tem acompanhado até aos dias de hoje. Sentia-se uma energia muito forte no ar e ninguém saía daqui indiferente.

Hoje, passados 12 anos, é mais um ponto turístico no mapa, repleto de pessoas e bancas de venda de artigos totalmente dedicados aos turistas. Foi-se o Mantra, foram-se as oferendas e o culto, foi-se a energia...

No entanto a ilha é ainda bastante interessante e é possível encontrar locais de grande beleza. Um deles, a cascata de Nam Tok a sul.

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A este de Samui fica o magnífico parque nacional Ang Thong, um enorme aglomerado de pequenas ilhas cobertas por densa e verdejante floresta tropical e que aqui e ali criam algumas baías com pequenas e paradisíacas praias.

A viagem, feita numa embarcação com várias dezenas de pessoas dura cerca de 1h30 e é depois desdobrada em algumas das mais interessantes ilhas. Destaque para o Emerald Sea, um "mar" interior de um verde intenso numa pequena ilha, e para o miradouro de Ko Wa Ta Lap de onde se consegue uma vista lindíssima de uma grande parte do Parque Natural.

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No regresso da viagem, já no transfer do barco para o hotel, numa típica van de 9 lugares, somos interrompidos por um estranho ruído nas traseiras. No último lugar, julgo tratar-se de algo que caíu na mala atrás, dado o barulho algo metálico. No entanto começo a ouvir o som exterior mais forte e viro-me para ver... Qual não é o espanto quando reparo que o vidro traseiro da van caíu e encontra-se suspenso e preso apenas por um dos cantos. Olho para o motorista que age como se nada fosse e é então que o decido avisar. Este ri-se, pára, e sai para ver o que se passa... Arranca o vidro, mete-o dentro do carro e segue viagem... Thai style...

O adeus a Samui foi feito a partir do mar a bordo do grande ferry que liga Samui a Don Sak. A viagem para Khao Lak, o nosso próximo destino na costa oposta, a norte de Phuket, ainda não estava definida. Para já Don Sak, depois Surat Thani, depois... Logo se vê... Comboio não há e ao que parece autocarros a esta hora do dia também não. A ideia é confirmar na estação de autocarros e em último caso optar pelo transporte particular.

A viagem começa com um sol radioso em Na Thon, oeste da ilha, que realça ainda mais o azul turquesa do mar que rodeia a ilha. Rumo a sul, contornamos toda a costa de Samui, passamos por pequenas ilhas e rochedos e logo começamos a ver a lindíssima silhueta de Nakhon. Como que um prolongamento das ilhas, Nakon apresenta um misto de montes, escarpas e floresta. No entanto o céu vai-se tornando mais escuro à medida que nos vamos aproximando. Cada vez mais escuro... Cada vez mais escuro...

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A chegada a Don Sak é então feita sob uma violenta tempestade. Chuva torrecial e ventos fortes tornam a saída do ferry bastante difícil, principalmente pela cascata de água que jorra com força sobre a passagem... Somos forçados a esperar, mas ao fim de algum tempo, e dado que a chuva não abranda, não temos outro remédio... O autocarro para Surat Thani está à espera.

Chegamos ao autocarro totalmente ensopados, depois de ninguém saber bem qual o autocarro e das dúvidas onde deveríamos deixar as malas. Ao lado um casal chinês na mesma situação.

Uma das minhas designações da Tailândia é "parece que é sempre a primeira vez", mesmo em acontecimentos que são rotineiros, dá sempre a impressão de nunca saberem o que fazer ou o que dizer.

Depois de alguns minutos de viagem o revisor ao confirmar os bilhetes do casal chinês avisa-os que estão no autocarro errado e que para irem para o aeroporto deveriam ter apanhado o outro autocarro. O casal fica em pânico e o revisor preocupado ausenta-se para ver o que poderá ser feito. Ligam então para o motorista do outro autocarro e combinam um ponto de encontro na auto-estrada. Os dois autocarros param, saem os chineses carregados com a bagagem e conseguem entrar no outro autocarro... Esperamos um pouco, e vimos os chineses voltarem de novos com as bagagens... Este era o autocarro certo... Mais uma vez, "Parece que é a primeira vez"...

Ao verificar os nossos bilhetes o revisor pergunta para onde vamos, ao que respondo Kao Lak. _ E como vão? _ Não sei, respondo. Para já Surat Thani e depois vejo se consigo autocarro ou outra forma.

_ A esta hora não há autocarros. _ diz-me, e prontamente retribuo: _ Bom, logo vejo, nem que apanhe um taxi...

_ Eu talvez te consiga ajudar...

Passados uns minutos aparece com uma proposta de um serviço de taxi de Surat Thani para Khao Lak. Eu começo um pouco céptico e digo que prefiro ver quando chegar a Surat Thani. Ele insiste e diz que pode não ser fácil. Depois de alguma discussão negociamos um preço, bastante em conta dada a distância, e aceito. Deixa-nos por uns momentos e volta para reclamar um adiantamento de parte do pagamento para a reserva. Acho tudo um pouco estranho mas confio no senhor e entrego-lhe o dinheiro. Sai e regressa com um pseudo comprovativo/voucher...

Reconheço Surat Thani ao chegar. A zona parece-me familiar e passado alguns instantes consigo identificar alguns edifícios familiares. Estive aqui em 2002 para uma reunião com o cliente... Reconheço os escritórios e o hotel...

Passados uns minutos o autocarro pára numa zona não muito concorrida. O revisor avisa-nos que temos de saír ali e pede-nos para esperarmos uns minutos pelo taxi... Somos os únicos a saír do autocarro ali e dirigem-nos para um pequeno escritório. _ Volto já,  responde.

O tempo é aproveitado para o almoço, mesmo passando já das 4 da tarde, com toda a atribulação da viagem ainda não tínhamos comido. Sorte que o escritório também está adaptado a restaurante...

Algum tempo depois chega o revisor com uma aparência bem mais limpa e trajado a rigor dentro de uma viatura praticamente nova. É aí que percebo que o serviço de taxi afinal era ele e que toda aquela insistência era para tentar ser ele a prestar o serviço. Vestiu as suas melhores roupas, pediu ou alugou o carro por umas horas e ali estava ele pronto a ajudar. Pergunta-me se não me importo que leve a sua esposa, para evitar voltar de noite e sozinho. A viagem é longa e prontamente acedo, pois não provoca nenhum inconveniente e para o senhor é bem mais confortável. Mais uma espera pela senhora e partimos, não sem antes enchermos o depósito com o valor do adiantamento.

Depois de 1h30 de viagem e musica country, paramos numa estação de serviço que nos dizem estar localizada sensivelmente a meio do caminho. Visitamos os WC e ao voltarmos a senhora muito gentilmente oferece-nos uns pequenos snacks tradicionais do 7 Eleven que tinha comprado para nós. Ficamos super agradecidos e fãs destes snacks que voltámos a comprar vezes sem conta nos dias que se seguiram...

Algumas horas depois de Surat Thani chegamos finalmente a Khao Lak. A aldeia resume-se a uma avenida larga não muito extensa ladeada de restaurantes, lojas, alguns bares, supermercados e um Mc Donalds. Foi necessário atravessarmos toda a aldeia para encontramos o nosso resort, já no início do parque natural. O nosso "taxi" deixa-nos à porta e agradece-nos de forma muito afável. Agradecemos também a disponibilidade e o prazer que foi a companhia deles durante toda a viagem. Foram de facto muito simpáticos e cuidadosos e percebemos que estavam bastante felizes por poderem prestar aquele serviço. O que para nós foi mais um pequeno passo na nossa viagem, para eles foi uma grande ajuda em termos financeiros. Saí com a muito agradável sensação de ter ajudado aquela família e de ter sido útil, ao invés de ter dado o lucro da viagem a uma qualquer empresa.

 

Khao Lak / Phang-Nga

Khao Lak fica na província de Phang-Nga e a partir daqui é possível explorar toda esta zona do sul do país e também a sua famosa baía. Começamos pelo parque Marinho de Phang-Nga e uma visita de barco a algumas das suas ilhas.

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Phang-Nga distingue-se pelas suas baías azul turquesa, pelas escarpas calcárias sobre o mar cobertas de densa vegetação, pelas aldeias piscatórias e pequenas praias de areia branca.

Um dos locais mais visitados é Ko Phing Kan, também conhecida como Ilha James Bond por aqui ter sido rodado um dos seus filmes. Uma pequena ilha, com várias pequenas praias e cuja principal característica é um rochedo quase que espetado no meio do mar e que deu o tal ar bastante exótico ao filme de James Bond.

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No norte do parque fica a pitoresca vila piscatória de Ko Yao, uma vila fundada por uma comunidade muçulmana que aqui se instalou em casas na sua grande maioria flutuantes.

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Já na zona costeira fica a Monkey Cave, uma gruta transformada em local de culto que alberga também uma significativa comunidade de macacos. O local é também conhecido por Wat Suhan Kuwa.

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No entanto é já no sul do golfo e do Mar de Andaman que se encontra um dos locais mais fascinantes da Tailândia, as ilhas de Ko Phi-Phi Don. Aqui, o azul turquesa toma mesmo conta da paisagem numa transição quase que perfeita com o luminoso azul do céu. Apenas aqui e ali conseguem as falésias calcárias e a vegetação densa da ilha quebrar essa quase perfeita junção.

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É aqui que se encontra também Maya Bay, a baía paradisíaca que ficou célebre no filme "A Praia" com Leonardo Di Caprio.

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Antes da partida de Khao Lak decidimos ir fazer uma caminhada por um dos trilhos costeiros do Parque Natural que dá acesso a uma fantástica praia deserta na foz de um pequeno ribeiro de águas límpidas que corre do interior do parque. O trilho não apresenta grandes dificuldades a não ser mesmo a vegetação demasiado densa em alguns pontos e a elevada humidade que torna o calor ainda mais unsuportável. 

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Aqui e ali algumas excelentes vistas soberbas da costa e que vão alternando com a densa e interessante vegetação do parque.

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Já na descida para a praia somos alertados por um grupo de jovens, que aparentemente se dirigiam no sentido inverso e estavam parados a cerca de 50m a olhar para o trilho. Chamam-nos e dizem-nos para termos cuidado com algo... Ando mais um pouco e vejo algo tipo um lagarto gigante a ocupar a totalidade do trilho e a olhar para mim com admiração. Vejo que não podemos passar por ele, pois o seu tamanho impõe algum respeito. Percebo também porque o grupo de jovens também estava parado à espera.

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Esperamos uns minutos mas o lagarto parece não ter intenção de saír dali... Bom, pego num pau relativamente comprido e tento afastá-lo. No início parece não estar muito disposto mas ao fim de algumas tentativas começa-se a afastar. Vou com cuidado para ver se não se vira contra mim. Tenho sorte e ele acaba por se mandar para o interior da vegetação. Conseguimos passar e o grupo de jovens também. Custou mas conseguimos, e a recompensa é fabulosa.

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Phuket

Dado pussuirmos algum tempo antes de apanhar o vôo nocturno de regresso a Bangkok, decidimos passar o dia a visitar Phuket.
Antes de todo este fulgor turístico que se vive em Phuket nos dias que correm, toda a zona era um importante posto de comércio entre a Asia, península Arábica e a India. É por essa razão que em Phuket Town se encontra ainda nos dias de hoje muita arquitectura portuguesa.

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A cidade é a grande capital da ilha com o mesmo nome e pelo facto de não ter praia não teve nunca uma grande componente turística. É uma cidade relativamente interessante pela sua arquitectura e pela sua componente cultural em expansão. Ainda assim algo que se conhece em muito pouco tempo.

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A cerca de uma dúzia de quilómetros fica a mais badalada estância turística de Phuket, a tão falada Patong. Uma grande baía com uma grande praia e areal que para aqui atraíram uma infinidade de hoteis e toda uma vida derivada do turismo.
Phuket nunca foi uma prioridade e Patong muito menos, mas já que estávamos na zona decidimos conhecer um pouco deste que é um dos grandes centros mundiais de turismo. E não era para menos...

Actualmente Patong é tudo o que o turismo pode trazer de mau, com a agravante de se ter tornado num grande centro de turismo sexual. É o grande destino das crises masculinas de meia idade, do super-ego e dos excessos. Local sem regras e sem limites onde tudo se vive e onde se vive de tudo.

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Damnoen Saduak

A cerca de meia centena de quilómetros de Bangkok fica o mercado flutuante de Damnoen Saduak. Outrora um dos grandes pontos de interesse da região, o mercado não passa, nos dias que correm, de uma encenação dedicada ao turista. O mercado de frutas e legumes deu lugar a um mercado de souvenirs e tudo o que possa agradar às centenas de visitantes que por aqui vão passando todos os dias.

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Foi talvez a minha maior desilusão em toda a viagem. Ainda assim com algum interesse pois mostra como funcionaram em tempos muitos dos mercados do Sudeste Asiático.

Para terminar a viagem, nada como uns dias sem compromissos em Bangkok para absorver mais um pouco da cidade e visitar alguns dos locais emblemáticos como o Sirocco, um fantástico bar no topo de um dos arranha-céus mais emblemáticos de Bangkok, explorar os restaurantes e os mercados nocturnos de Pat Pong ou deliciarmo-nos com as fantásticas Thai-Massage num dos muitos e agradáveis SPAs da cidade.