Tunis

Allahu akbar, Allahu akbar
Ash'hadu an la ilaha illa-llah
Ash'hadu anna mūhammadar rasulu-llah
Hayya `Ala-s-salat
Hayya `Ala-l-falah


Tunis, domingo de manhã. Acordo ao som de uma das primeiras rezas do dia difundidas por um de tantos megafones espalhados pela cidade em uma de tantas mesquitas. O som é inconfundível e surge sempre associado ao mundo árabe. Allahu akbar, Allahu akbar...

Para este último Domingo ficou a visita à medina de Tunis, ao centro da metrópole que continua ainda hoje a ser o grande centro comercial da cidade. Quero conhecer a medina, quero-me perder lá, entrar e sentir toda aquela magia.

Medina quer dizer normalmente cidade antiga ou cidade velha e designa o centro histórico de muitas das cidades árabes. Caracterizam-se pelas suas ruelas estreitas, becos, arcos e contrução desordenada muitas das vezes sob as ruas.

Subo a grande avenida Habib Bourguiba e logo de seguida a avenida de França até desembocar na Place de la Victoire e a principal entrada da medina de Tunis, que guarda ainda uma das suas portas, actualmente resumida a um arco.

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Entro pela Jemaa Zaytouna, uma das ruelas que penetra na medina e talvez a mais turistica. De um lado e do outro os bazares sucedem-se e amontoam à porta todo o tipo de artigos. Aqui tudo se vende, aqui quase tudo compra, aqui tudo é negócio.

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Aos poucos e poucos a medina começa a revelar-se. A arquitectura mostra-se de ambos os lados, a atmosfera sente-se e o corropio acentua-se. Aqui quase que não há carros e tudo é transportado à mão.

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Deixo-me perder pelo emaranhado de ruas e ruelas e aos poucos começo a deixar de ver turistas. Entro na verdadeira medina, aquela que é só para alguns...

Noto que não é à toa esta configuração de casas, ruas, páteos, becos, arcos e túneis. Para os árabes nada é em vão e até nisto, que para nós é um verdadeiro caos, se sente a razão de ser e a ciência associada. As ruas estreitas protegem a cidade tanto do calor extremo do verão como do frio do Inverno e do vento. Penso que tem também a função de manter as pessoas e as famílias mais unidas, mais em comunidade e de maneira que se possam entreajudar mais. Estão por isso habituados a ser prestáveis e afáveis mesmo com estrangeiros.

No topo de uma rua enegrecida pela fuligem dos vários ferreiros que aqui trabalham fica a Bab Jedid, mais uma das três principais portas da cidade e a mais intacta de todas.

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Bem na fronteira fica também Kasbah, zona ocupada por vários edifícios governamentais e também pela imponente mesquita com o mesmo nome.

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Regressando às apertadas ruas noto também que não vejo um estrangeiro há várias horas e que nesta zona as pessoas já me olham de maneira diferente e com mais admiração. Não estranho, pois o formatado turismo da Tunisia não tem tempo para se perder assim várias horas na turtuosa medina.

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Algumas horas depois, chego à movimentada Halfaouine com um dos seus famosos mercados. De frutas e legumes até doces, carnes e especiarias é possível encontrar de tudo.

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É esta a verdadeira e autêntica Tunísia e a sua fiel cultura.

Este é daqueles lugares em que nos precisamos de perder para os encontrar verdadeiramente...