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A Tunisia é um país que me é bastante familiar. Não que aqui tenha estado muitas vezes ou por um longo período de tempo, mas porque as semelhanças com Portugal são muitas. As pessoas, a arquitectura, o clima e até parte da gastronomia têm muito em comum com Portugal e em especial com o Algarve. Tudo isto faz com que tenha a estranha sensação de estar em casa.

Bom, na realidade não sei se será só por isto... Numa conversa recente com uma amiga ela referiu o facto de numa das minhas vidas passadas eu poder ter sido árabe e estar agora rever-me nestes ambientes. Apesar das minhas tendências budistas não acredito muito nestas teorias, mas o que é certo é que existem alguns sinais algo sobre-naturais que indiciam algo mais forte.

No fundo temos origens comuns com o povo do norte de Africa e fazemos parte ainda dos parentes afastados do Al-Andalous. No meu caso, e para além da fisionomia que aqui me faz passar muitas vezes por local, sou originário ainda de Al-Qubasha, terra onde ainda existe um castelo ( ou parte dele ) dos mouros e cuja pertença parece que foi de um tal Ben Almanzor. Origens à parte, o que é certo é que mantenho uma grande admiração pela cultura árabe, gosto do deserto, adoro o Al Gharb e até aprecio muita da musica por eles produzida. Há ainda outras questões ainda mais interiores... Quando criança, costumava no Algarve ir para o terraço à noite com o meu rádio fazer uma busca pelas rádios marroquinas que se conseguiam captar desde lá. Ficava horas se possível a escutar as lenga-lengas e a musica que passavam. Perdia também imenso tempo com a televisão a tentar o mesmo. Era algo mágico e que nunca consegui explicar. Havia ali uma atracção, uma admiração e um chamamento muito fortes e no fundo algo misteriosos... Talvez tenha mesmo sido árabe, e numa outra asiático, porque não?!

Tal como havia acontecido em Mumbai, esta é também a minha segunda visita a Tunis, o que me deixa algo mais relaxado e com mais tempo para visitar os lugares que mais me agradaram e deliciaram. Claro que em Tunis falar em local agradável e delicioso leva-nos logo a Sidi Bou Said e foi essa claro está a minha primeira opção para estes meus dias de lazer.

Sábado, levanto-me cedo, tomo o pequeno almoço, mochila às costas e meto-me a caminho pela grande Av. Habib Bourgujba em direcção à estação de comboios Tunis Marine. Compro o bilhete e espero pela próxima composição que chegará não tarda nada. A viagem demora cerca de meia hora e começa com o lindíssimo atravessar do lago Tunis até à costa. A partir daí, a viagem torna-se mais lenta dada a grande quantidade de paragens desde La Goulette, Cartago até ao meu destino.

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Sidi Bou Said é uma pequena vila a cerca de 17Km de Tunis na encosta de um pequeno monte mesmo junto ao Mar Mediterrâneo. Um lugar pitoresco e apaixonante com a sua mistura de casas divinamente brancas com as suas portas e janelas num lindo azul vivo e as bungavíleas que por elas trepam um pouco por todo o lado e vão adicionando um pouco mais de côr à paisagem. Cafés e lojas de artesanato preenchem os espaços um pouco por todo o lado dando-lhe uma atmosfera simpática e envolvente. É actualmente um dos locais preferidos na Tunisia e como tal é invadido diariamente por centenas de turistas.

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No centro do povoado ergue-se a mesquita com a sua imponente torre visível de praticamente todos os locais.

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Uma manhã para se estar... Para se viver... E para se sentir...

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Desço o monte e dirijo-me de novo à estação de comboios. La Goulette o próximo destino.

La Goulette é famosa pelo seu historico porto, pelas praias e bons restaurantes. A primeira impressão ao saír do comboio traz à memória as nossas cidades costeiras do Algarve à 20 anos atrás, com as suas ruínhas típicas, pessoas à vontade nas ruas e um constante cheiro a peixe grelhado no ar, que imediatamente me abriu o apetite. No entanto não quis almoçar sem antes visitar o Borj-el-Karrak, o principal monumento da vila e que é no fundo um impressionante forte em muito mau estado do tempo do império Otomano. Primeiro contratempo, o forte está fechado e com aspecto de estar a iniciar obras de recuperação. Bem precisa...

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Passeio pela marginal, um saboroso almoço com peixe grelhado muito ao estilo português, mais um passeio e uma visita à praia para relaxar e onde desfrutei de uma bela shisha.

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Esta é no fundo a Tunisia mais desconhecida dos turistas. Apesar de ter praia, La Goulette está fora de todos os roteiros turísticos e é talvez por isso que se mantém tão interessante. A praia é má e só atrai mesmo locais e algumas gentes de Tunis pela proximidade, mas mantém toda a sua autenticidade. A vila não mudou e continua aquilo que sempre foi. Sempre autêntica! Eu era muito possivelmente o único estrangeiro nesta praia e talvez um dos poucos estrangeiros que sabe o que é uma praia verdadeiramente Tunisina e de hábitos puramente Tunisinos.

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Fim de tarde e o regresso a Tunis novamente de comboio. Comboio completamente cheio, maioria rapazes que iam fazendo a festa com cantigas populares e batuques nas paredes do comboio e eu, enlatado sem me conseguir mexer...

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