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Histórias de viagens neste mundo fantástico

28 mars 2009

Camboja 8 - Desfile Tini Tinou

Inserido no Festival Internacional de Circo no Camboja, decorreu hoje nas ruas de Phnom Penh um desfile de artistas circenses bastante engraçado. Com um estilo muito próprio, o desfile da Tini Tinou encheu as ruas da cidade de muita cor e alegria.

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Muita música, malabaristas e criatividade animaram esta tarde de Sábado. Nada melhor que um pequeno vídeo para transmitir esta alegria.

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21 mars 2009

Camboja 7 - Siem Reap / Aldeia Flutuante

Aproveitando a "boleia" para Siem Reap de dois colegas portugueses que vieram ao Camboja para uma pequena missão, e que pretendiam visitar os templos de Angkor, decidi regressar à segunda cidade do Camboja desta vez não para uma visita aos templos mas sim para conhecer a "Floating Village" ou Aldeia Flutuante.

Mais uma jornada de 6 horas de autocarro até Siem Reap, a grande urbe do noroeste do país, para depois apanhar uma motoreta que me levaria até às imediações do Tonlé Sap, que em Cambojano quer dizer "o grande rio". De motoreta foram mais uns 30 minutos até ao Camboja profundo. Aqui tudo é diferente de Phnom Penh ou mesmo do centro de Siem Reap. As casas são pequenos abrigos em madeira e elevadas para evitar a monção. As crianças brincam nuas na rua e usam pequenas garrafas plasticas espalmadas como carrinhos que puxam com um pequeno cordel. Também na rua as mulheres cozinham e preparam as refeições em pequenas fogueiras alimentadas pelos galhos que colhem nos pequenos bosques das imediações. Os maridos dedicam-se à pesca ou ao cultivo de arroz nos vastos e verdejantes campos que se estendem para lá das modestas habitações que ladeiam a estrada.

Aqui não há electricidade, esgotos e água canalizada. Não há certos bens considerados de primeira necessidade pela nossa cultura ocidental mas há, ainda assim algo fundamental. A felicidade e os sorrisos na cara das pessoas!

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O entrar na aldeia é acompanhado de um cheiro fétido resultante dos despejos feitos nos pequenos charcos que ainda restam da época das chuvas e dos lixos que se acumulam um pouco por todo o lado. Mais à frente outro cheiro toma conta desta poeirenta atmosfera, um cheiro que me é familiar e que indica que cheguei ao destino. Cheira à antiga Lota da Nazaré, cheira a peixe, pois é aqui que são feitas as descargas dos pescadores e é tratado o produto da pesca.

É também neste local que é feito o acesso ao lago Tonlé Sap através de um canal de água bem barrenta que resulta da agitação provocada pelas dezenas de barcos que aqui passam.

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Apanho o meu barco, cujo bilhete já havia comprado durante o caminho num pequeno posto criado para o efeito e lá vou eu...

No canal, são já muitas as edificações flutuantes  que preenchem as suas margens e alguns os pescadores que se aventuram na procura de algum pescado.

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Percorrido o canal, entramos finalmente no Tonlé Sap, o grande lago e avistamos ao fundo a tão desejada aldeia flutuante.

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Trata-se de uma aldeia construída por emigrantes Vietnamitas e constituída por pequenas habitações flutuantes na margem norte do lago Tonlé Sap. A aldeia é bastante completa e possui supermercados, restaurantes e escolas, tudo sob plataformas flutuantes. Nada melhor do que uma fotografia aérea da aldeia para se conseguir ter uma melhor noção, como esta que retirei da famosa ferramenta Google Earth.

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O lago Tonlé Sap é um dos maiores ecosistemas do mundo, dado tratar-se do maior lago de água doce da Ásia e possuir a maior concentração de peixe conhecida. Estas fantásticas características garantiram-lhe o estatuto de Biosfera da Unesco em 1997. Cerca de 75% do peixe pescado no Camboja provém deste lago cujo nível varia cerca de 8m entre a estação seca e a estação das chuvas.

Não é portanto de admirar quais as razões que levaram tantos emigrantes a fixarem-se nestas águas.

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Aqui as ruas, os passeios e os jardins são as águas barrentas do lago. Toda e qualquer necessidade de locomoção depende du uso de pequenas embarcações. Os animais são também criados em pequenas "jaulas" flutuantes.

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Outra actividade existente nesta aldeia é a da criação de crocodilos, em jaulas que mantêm submersas. Dos crocodilos aproveitam a carne, também servida nos restaurantes da aldeia, e a pele, muito utilizada em calçado e acessórios como malas e carteiras.

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Eu pessoalmente não me admiro que com alguma falta de cuidado, algo perfeitamente normal nestas bandas, de vez em quando deixem fugir um destes bichinhos para o lago...

Em algumas das casas flutuantes é possível assistir ao trabalho dos pescadores a remendarem as redes.

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Finda a visita, é tempo de voltar a Siem Reap. A motoreta lá estava à minha espera e em 30 poeirentos minutos lá estava eu no coração da cidade, que ainda poderia visitar com alguma calma.

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Em termos de atracções turísticas não há muito que se possa visitar em Siem Reap. A cidade vive essecialmente dos Templos de Angkor e é um dormitório para os milhares de turistas que visitam os templos. Para além de uma fantástica vida nocturna e do interessante mercado Psar Chaa, onde se pode encontrar de tudo um pouco a bons preços, com especial incidência nas sedas e souvenirs, os visitantes não têm muito mais por onde escolher.

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A meio do segundo dia, é hora de voltar à rodoviária de Siem Reap, desta vez de Tuk-Tuk.

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Tempo ainda para fotografar a estação de autocarros local.

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E mais 6 horas de viagem até Phnom Penh...

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Camboja 6 - Casamento da Phally

Sempre considerei que há diferenças entre visitar um país e viver num país, ou seja, entre ir a um determinado local de férias ou para uma estadia prolongada. Falo por experiência própria, pois em todos os países onde estive, há muitos detalhes, muitas realidades, sobre os quais só nos apercebemos após algum tempo. Por exemplo, normalmente, as primeiras semanas são sempre tempos do fascínio, da novidade e da descoberta. Passando a barreira das 4 semanas começamos realmente a viver o país e é aí que começam a ressaltar os problemas, as dificuldades e nos apercebemos de alguns aspectos negativos da sociedade onde estamos inseridos.

Como normalmente as pessoas apenas passam poucas semanas de férias noutros países, é muito raro tomarem consciência dos verdadeiros problemas que os assolam. É por isto que o Portuga também tem aquela falsa ilusão de que lá fora tudo é bom, pois nunca ficam tempo suficiente para ultrapassar esta barreira da fase do encanto.

Isto a propósito de algumas experiências interessantes que podemos ter aquando destas inserções nestes "novos" mundos. Foi um desses momentos especiais que vivi esta semana, ao estar presente na festa de casamento da minha colega Phally. Um convite que decidi aceitar não tanto pela nossa relação pessoal mas mais pelo facto de se tratar da possibilidade de assistir a uma festa deste género na cultura Khmer.

Convite

A Phally é a nossa secretária na Alcatel-Lucent Camboja e é talvez a Cambojana mais bonita e simpática que conheci. Para ser sincero, é das poucas Cambojanas bonitas que aqui existem...

As festas de casamento locais são no fundo uma reunião de familiares e amigos num grande jantar, normalmente em grandes restaurantes que existem para o efeito, e onde é feito um pequeno ritual para celebrar o especial momento de união. Por tradição, a noiva pode trocar de vestido 8 ou mais vezes durante a festa, consoante o nível social da família. Isto, num evento que dura poucas horas... A Phally decidiu fugir à regra e segundo as minhas contas usou apenas 4. E não foi pelo facto de pertencer a uma classe baixa, antes pelo contrário.

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A ementa foi muito variada desde as várias entradas aos pratos principais. Especial destaque para uma das entradas com um aspecto tipo "noodles" ( massas chinesas ), que só após eu ter terminado me disseram do que se tratava verdadeiramente. Não eram "noodles" mas sim pele de porco...

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Mas era bom...

Quanto ao restante, tudo deliciosas iguarias locais.

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No final, espaço para as tradicionais danças sempre em torno de uma mesa cuidadosamente ornamentada.

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Ainda toda a comitiva Alcateliana.

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Com tudo isto, creio que tornei a Phally na noiva Cambojana mais famosa em Portugal ( ainda que sem direito a revistas cor-de-rosa ) e eu no primeiro português a assistir a um casamento Cambojano?! Como os meus netos vão ficar orgulhosos de mim...

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02 mars 2009

Tailândia 6 - Bangkok, O Regresso!

Creio que nunca tinha feito nada assim... Em cerca de 24 horas estive em 2 continentes e 4 países, com visitas às respectivas capitais.

A saga começou ontem, em Lisboa, ponto de partida para este meu regresso ao SE Asiático. 11h da manhã, levanto vôo rumo a Paris, a próxima escala, e onde tenho de esperar cerca de 6h pelo próximo vôo. Muito tempo para ficar à espera num aeroporto, ainda mais em Charles de Gaule... Decido apanhar um combóio e ir a Paris. Meto-me no RER B e lá vou eu. Após 30 minutos a atravessar bairros de Índios entramos finalmente em Paris. Atravessamos aquela larga fronteira que divide os dois mundos, o subúrbio da cidade, o pobre e o rico, o feio e o bonito, o sujo e o limpo, lá está a Périph, a larga circular que abraço toda a cidade de Paris. Talvez tenha exagerado um pouco, mas são dois mundos completamente diferentes.

Alguns minutos depois uma pagarem na Gare du Nord, mais alguns minutos e a paragem em Châtelet, o coração da cidade e o meu destino. Deixo a estação do metro/RER e atravesso o Forum Les Halles. Ainda mais Índios, muita polícia e um ambiente tenso no ar... Decido subir à superfície e passear um pouco. Mais Índios e... Putain! Será que me enganei no avião e vim para o Magrebe?! C'est le bordel!!! Mas não, a silhueta colorida ao fundo não engana. É mesmo o Georges Pompidou!

Um grupo de teatro de rua anima os trauseuntes na grande praça frente a este imponente espaço cultural. Um grande aglomerado de gente assiste e diverte-se. Isto é Paris... O tempo não permite e continuo o meu passeio. Sigo para Sul até ao Sena, olha a Torre Eiffel, caminho um pouco pela margem e direcciono-me então de novo para a zona de Châtelet. Ainda há tempo para comer alguma coisa e regresso ao aeroporto.

Uma das coisas que aprendi, foi que no aeroporto de Charles de Gaule tudo pode acontecer. Eu classifico-o como o aeroporto do terror, pois nunca sabemos o que nos espera... Posto isto, decidi regressar com alguma antecedência para evitar que qualquer imprevisto pusesse em risco a minha próxima viagem.
E lá está, ao chegar duas filas gigantes para mostrar os passaportes, uma para os portadores de passaporte europeu, outra para os restantes. Um funcionário encaminhava os viajantes para a respectiva fila. A espera foi longa, e mais à frente, surpresa das surpresas, as filas juntam-se e os funcionários que verificam os passaportes são os mesmos para as duas filas. Mais um funcionário para escolher à vez de ambas as filas... Organização à francesa...
Passada a longa espera para a verificação dos passaportes, vem a longa espera para os Raios-X. Tira portátil, tira cinto, moedinhas e telemóveis... Arruma portátil, põe o cinto, moedinhas e telemóveis no bolso... Mas já estou dentro! Alguma espera, e lá vou eu para Bangkok...

Fiquei contente ao ver que cada um dos lugares no avião possuía o seu próprio ecrã. Mais contente ainda quando vi que podíamos escolher vários filmes e séries para ver na viagem, incluíndo algumas novidades. Tento um filme, não está disponível. Tento outro, não está disponível. Tento as séries, e sou presenteado com a mensagem de que o vídeo on-demand está no limite de utilização de não pode ser mais utilizado. Boa! Os franceses, mestres da inovação!

Depois de uma noite a bordo, chego finalmente a Bangkok, às 12h locais. Uma nova e longa escala me espera, e porque não ir a Bangkok?!

Faço primeiro o check-in para Phnom Penh, pois pela primeira vez, numa viagem não me conseguiram fazer o check-in para todos os vôos no início. A Air France diz que este último vôo por ser de outra companhia tem um sistema diferente, ainda insisti que aquando da viagem do Camboja para Portugal conseguiram fazer, voltam a referir o sistema diferente... E assim tenho de fazer novo check-in para a última viagem. Algum tempo perdido a "apalpar" o esquema e lá percebi onde e como...

Apanho um taxi e lá vou eu, numa larga e florida auto-estrada rumo ao centro. Com o aproximar, começo a identificar os lugares e os edifícios. Lá está a Bayoke Tower, o edifício mais alto de Bangkok, ali à esquerda a zona da Sukumvit, o Emporium, a Ocean Tower II onde trabalhei... Uma súbita e intensa sensação nostálgica apoderou-se de mim. Recordo os bons tempos em que aqui vivi, os excelentes e mágicos momentos que cá passei. Foi quase à 7 anos... Parece que foi ontem... Esta cidade é muito especial para mim e desperta-me sempre grandes sentimentos de saudade. Vejo e revejo os edifícios, com um brilhozinho especial nos olhos. Estou aqui, estou de volta... A lagriminha fica no canto do olho...

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Dirigi-me para Siam, uma das zonas comerciais e início da Sukumvit. É a área que mais me é familiar e que mais gostaria de rever.

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Noto algumas diferenças... Uns prédios a mais aqui, uns shoppings ali, mas sobretudo há algo que mudou e muito para melhor, a poluição. Conseguiram que, e em especial os autocarros, deixassem de emitir aquelas gigantescas baforadas de fumo.

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Tempo ainda para apanhar o Skytrain e ir para Phrom Phong, a minha antiga área de redidência. Uma visita ao Emporium e a caminhada até Asoke.

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E ficou-se por aqui esta curta visita à cidade de Bangkok. Há que regressar ao aeroporto para novo embarque rumo a Phnom Penh.

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Apesar de rápida a visita, acabou por se tornar em algo muito mais sentimental, mais até do que esperava. Bangkok é uma cidade vibrante, única e com uma vida inigualável. É um local onde as sensações e os sentimentos são mais fortes e intensos e talvez por isso se criem estes laços tão fortes. Foi bom voltar, foi bom rever, e mais uma vez: Até breve!

Novo embarque, mais uma viagem, a última de todas e a mais curta. Já estou em Phnom Penh, ponto de destino desta grande cruzada.

Posté par mariobernardes à 16:05 - Tailândia - Commentaires [0] - Rétroliens [0] - Permalien [#]
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